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O Globo manda jornalistas-cozinheiros requentarem matéria

02.07.2009 | Fonte de informações:

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Por Fernando Soares Campos

Recebi por e-mail comentários do jornalista Luiz Nassif sobre factóide publicado em O Globo. Acessei o blog do Nassif e conferi:

24/06/2009 - 16:16

Se correr o bicho pega…

Na edição de hoje, O Globo conseguiu ultrapassar qualquer limite de razoável.

Dá manchete sobre uma investigação do procurador Mário Lúcio Avelar contra Wilson Santarosa, da Petrobras, em função do episódio dos aloprados. Diz que o procurador pediu a quebra do sigilo telefônico.

Estranhei. O episódio é de 2006, resultou em inquérito da Polícia Federal, que chegou até o Supremo. Na época foi noticiado que havia sido pedido a quebra de sigilo telefônico. Pensei: será que Mário Lúcio abriu um inquérito em cima do inquérito?

Nada disso. O “furo” de O Globo se refere ao episódio de 2006, mesmo. A matéria foi escrita de uma maneira a dar impressão de que tinha alguma capítulo novo, um novo inquérito. Nenhum. Pegaram uma matéria velha e manipularam para dar a impressão de novidade.

Onde está a armadilha na qual o jornal se enredou? A própria matéria afirma que há um inquérito correndo em segredo de justiça e que chegou até o Supremo. Depois, informa que Santarosa falou 16 vezes com Hamilton Lacerda.

(...)

De O Globo

Investigada ligação de Santarosa com aloprados

Procurador pede quebra de sigilo telefônico de executivo da Petrobras por suspeita de envolvimento com escândalo

Anselmo Carvalho Pinto*

e Tatiana Farah

CUIABÁ e SÃO PAULO. O procurador da República Mario Lucio Avelar pediu à Justiça Federal de Cuiabá a quebra do sigilo telefônico do gerente executivo de Comunicação Institucional da Petrobras, Wilson Santarosa, em 2006. Avelar quer investigar contratos da estatal com a NM Engenharia, para saber se há ligação entre a empresa e o chamado “dossiê dos aloprados”. Petistas foram indiciados por terem tentado vender documentos, na campanha eleitoral de 2006, para tentar envolver tucanos com a fraude na venda de ambulâncias superfaturadas.

Leia textos completos no LUIZ NASSIF ONLINE

http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/06/24/se-correr-o-bicho-pega/

* * *

Acho que O Globo levou muito a sério o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, quando este equiparou jornalistas a cozinheiros, por isso embarcou nessa de requentar matérias.

Na véspera das eleições de 2006, o caso dos “aloprados” ferveu e fedeu nas ondas de TV e rádio e nas páginas de jornais e revistas das Organizações Globo e assemelhados. Só pensavam naquilo, só falavam daquilo. Até deixaram de noticiar a queda do avião da Gol, quando 155 passageiros morreram, para destacar a suposta ação de "petistas aloprados", com a colaboração de um delegado magoado com o PT e petistas, autoridade que teria "vazado" as fotos de uma montanha de dinheiro, quantia que supostamente seria utilizada para pagar o tal dossiê que incriminava José Serra (PSDB), candidato ao governo de São Paulo, que acabou ganhando a eleição.

Mas Lula se reelegeu, e o caso esfriou. Agora volta dessa forma que o Nassif relata: requentado, porém ainda mais fétido.

Bom, se é para desenterrar defunto, fui ao diário espanhol La Insignia e exumei texto que escrevi sobre o debate entre Lula e Geraldo Alckmin nas eleições de 2006, na Band.

O caso do "dossiê sanguessuga" foi discutido entre os debatedores.

Leia, não é requentado, está congelado na internet desde outubro de 2006.

La Insignia

Brasil

A torturante sede do Geraldo

Fernando Soares Campos, outubro de 2006.

Geraldo engolia em seco, a sede o atormentava, ondas peristálticas desciam goela abaixo, nem mesmo o seu sorriso forçado disfarçava o constrangimento. Ele apertava a bancada, a fim de disfarçar o tremor das mãos. Mas as câmeras indiscretas da Band revelavam o nervosismo do candidato debatedor.

Enquanto isso, Lula pegava a garrafa de água cristalina, gelada, e, lentamente, enchia o copo. A condensação formava aquelas gotículas no cristal. Lula erguia o copo e apreciava cada gole, suavemente.

Geraldo imaginou: "Isso é sacanagem!".

Lula parecia oferecer: "Vai, Geraldo, toma um pouco. Está refrescante!"

Mas Geraldo não podia soltar a bancada e segurar uma taça d'água. Seria um desastre, molharia todo o estúdio, pois ele tremia muito. Assim, suas mãos só poderiam aparecer em cena agitadas, disfarçando o tremor. Ou grudadas, apertando a bancada.

Lula, a cada instante, sacava da garrafa, enchia o copo, erguia-o como se estivesse brindando e oferecendo: "Tintim, Geraldo, à nossa saúde!"

Mas Geraldo queria saber: "Do onde veio o dinheiro, Lula?! De onde veio o dinheiro?!"

E Lula: "Calma, Geraldo, está sendo apurado. A Polícia Federal está investigando. Nós vamos saber de onde veio o dinheiro para a compra do dossiê!"

 
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