O setor petrolífero russo registrou uma recuperação expressiva em sua base de receita durante o mês de setembro. De acordo com dados da agência Argus, o preço médio do barril utilizado para o cálculo do Imposto sobre Extração de Recursos Minerais (NDPI) saltou para US$ 92,08. O salto é acentuado quando comparado aos US$ 67,11 de agosto e aos US$ 59 registrados em julho.
Esse movimento expande a base tributável e impacta diretamente a arrecadação do tesouro russo, uma vez que o valor atual supera significativamente o "preço de corte" de US$ 59 estabelecido pela regra fiscal do país. A valorização não decorre apenas da alta dos benchmarks globais, mas de uma reconfiguração nos descontos aplicados às variedades russas.
A dinâmica de preços variou conforme a rota de escoamento. Nos portos do Báltico, houve uma redução nos descontos do petróleo Urals; em Primorsk, o desconto em relação ao referencial do Mar do Norte caiu US$ 2,11, fixando-se em US$ 22,59 e elevando o preço final do barril para US$ 94,3 ao fim do mês. Já no Mar Negro, o cenário foi oposto: o aumento dos custos de frete e a elevação dos riscos geopológicos ampliaram os descontos para a faixa entre US$ 26,88 e US$ 27,96, fazendo com que o petróleo de Novorossiysk fosse negociado em torno de US$ 90, patamar inferior ao da rota báltica.
A mudança mais estrutural ocorreu no eixo oriental. Nas exportações para a Índia e a China, o petróleo russo deixou de ser vendido com desconto para operar com prêmios sobre as cotações mundiais. Na Índia, o desconto persistente por vários meses foi substituído por um prêmio que superou US$ 6 por barril em meados de setembro. Na China, a reversão foi ainda mais drástica: o desconto de US$ 2,75 visto em agosto tornou-se um prêmio médio superior a US$ 15 em setembro. Esse fenômeno é atribuído a interrupções nas entregas vindas do Oriente Médio, especificamente devido a ataques à infraestrutura petrolífera da Arábia Saudita, o que elevou a demanda por alternativas russas. O petróleo ESPO, do Extremo Oriente, também encerrou setembro com um prêmio positivo em relação ao benchmark de Dubai.
Para o Estado e as empresas do setor, esses indicadores geram três consequências imediatas. Primeiro, o aumento do preço do NDPI para US$ 92 permite ao governo compensar déficits de meses anteriores, como fevereiro, quando o preço caiu abaixo de US$ 45. Segundo, a transição de descontos para prêmios nos mercados asiáticos sinaliza a adaptação da logística russa e a alta demanda pelo insumo, apesar das sanções. Por fim, a alta do preço de referência eleva a carga tributária sobre as petroleiras, ocorrendo justamente em um momento em que o Ministério das Finanças sugere a fixação de um preço de corte menor, de US$ 50, no Código Tributário para períodos futuros.
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