Os preços globais do algodão subiram 35% desde o início de 2026. No final de agosto, a commodity atingiu a marca de 88 centavos por libra, com uma alta de 10% concentrada apenas no último mês.
A valorização é impulsionada pela escassez de estoques e safras reduzidas. Paralelamente, a alta nos preços do petróleo encareceu as fibras sintéticas, forçando a indústria têxtil a retornar ao uso de matéria-prima natural.
Fatores climáticos, especificamente seca e calor intenso, afetaram a produção nos Estados Unidos, Índia e Brasil. Para a temporada 2026-2027, a previsão é de que a produção mundial de algodão caia 4%, enquanto o consumo deve crescer quase 2%. Esse cenário pode reduzir os estoques globais ao menor nível dos últimos 15 anos.
A Rússia, que quase não produz algodão e depende de importações, enfrenta riscos diretos. Em 2024, o país importou 250 mil toneladas da fibra, totalizando 679 milhões de dólares, com fornecimentos vindos de Uzbequistão, Índia, Paquistão, China e Turquia. Atualmente, as fábricas russas suprem apenas metade da demanda interna por tecidos.
O aumento do custo da matéria-prima impacta a composição de custos da vestuário, onde o tecido representa entre 45% e 60% dos gastos totais. Somado ao encarecimento de logística e crédito, o movimento pressiona a rentabilidade e reduz o número de empresas no setor.
O repasse ao consumidor final deve ocorrer nos próximos meses. Estimativas indicam que um aumento de 10% a 20% no custo da matéria-prima pode elevar o preço do produto final em cerca de 5%, afetando principalmente os segmentos de camisetas, roupas infantis e têxteis domésticos. Como alternativa paliativa, fabricantes podem recorrer a estoques antigos ou aumentar a proporção de tecidos mistos nas peças.
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