EUA, Principal Motivo do Atual Terrorismo Afegão
Jovem afegã desafia, em entrevista exclusiva, o Taliban e os EUA
O Afeganistão estremece. À medida que o Taliban intensifica de maneira crescente cada a violência, única no mundo, contra as mulheres e meninas.
Em 9 de junho em Herat, uma manifestação popular por “trabalho, pão, educação e liberdade”, exigindo também o fim da escalada da repressão do Taliban e à libertação imediata de presos pelo regime, foi violentamente reprimida pelo grupo terrorista.
Enquanto mulheres e meninas que protestavam eram presas pelo chamado Ministério para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício do Talibã, os misóginos terroristas que governam o Afeganistão abriram fogo contra os manifestantes, deixando múltiplas vítimas, provocando indignação generalizada.
Na entrevista a seguir, uma estudante anônima afegã que mora em Cabul retrata um pouco da pavorosa realidade nacional.
As perguntas deste autor para ela foram enviadas pelo jornalista afegão Awaaz Armani, por celular. E respondidas da mesma forma, vice-versa. As mulheres afegãs trocam frequentemente números de telefone, e não podem conceder entrevistas. Menos, criticar o Taliban, é claro.
Abaixo, a entrevista completa com a jovem afegã que, escondida do Taliban estuda à distância, representa as mulheres mais reprimidas do mundo.
Edu Montesanti: Por favor, relate como é a vida no Afeganistão atualmente.
Estudante afegã feminina: Há uma diferença entre “viver” e “permanecer vivo”. Outros vivem, mas nós, mulheres e meninas afegãs, simplesmente sobrevivemos… Não vivemos.
Eu estava no último ano do Ensino Médio, a meses de me formar e continuar meus estudos superiores quando este estado terrorista misógino, desumano e bárbaro foi reinstalado no poder por seus senhores americanos e ocidentais, através do vergonhoso Acordo de Doha.
A vida nada mais é que uma batalha árdua e sangrenta para resistir e sobreviver a este período sombrio e miserável. Precisamos apenas superar o desespero, a depressão e a falta de esperança, fortalecermo-nos e manter a esperança em um amanhã melhor e mais brilhante, e não nos deixar digerir pelas desumanidades deste regime medieval.
Como você se sente no dia a dia, como é sua vida?
Agora estou em prisão domiciliar, privada de educação, trabalho e até mesmo da vida mais básica e digna a que toda pessoa, todo ser humano (independentemente do gênero), tem direito.
O que o exército americano, que ocupou seu país por 20 anos, significa aos afegãos hoje?
Que o exército americano, que se reduza a cinzas, é o principal responsável por tudo isso.
Por quê?
Se eles não tivessem intervido e ocupado nosso país por 20 anos, não estaríamos testemunhando este dia hoje.
Eles vieram em busca de lucro, e partiram em busca de lucro. Vieram para “importar democracia” e “guerra contra o terror”, mas a única coisa que trouxeram e deixaram foi o totalitarismo e o terrorismo de Estado.
Edu Montesanti
Journalist, Author, Teacher, Translator
edumontesanti.wordpress.com
felices quibus vivere est libere
Subscrever Pravda Telegram channel, Facebook, Twitter