Entrevista a Awaaz Armani
´EUA, líder do narcotráfico. De certa forma, a vida sob ocupação dos EUA era até pior’: jornalista afegão
O Afeganistão, devastado pela crise humanitária mais grave do mundo em décadas, enfrenta uma situação gravíssima. Mais da metade de seus 39 milhões de habitantes sofre de fome extrema. Economia, educação e serviços sociais colapsados. Sob forte repressão do Taliban, o país da Ásia Central é o lugar mais inseguro do mundo, especialmente para mulheres e meninas.
País cada vez mais esquecido pela mídia internacional e pela chamada comunidade internacional. Vale destacar o papel dos Estados Unidos nesse caso – o que certamente chamaria a atenção dos desinformados: em um passado não muito remoto, o regime de Washington demonstrou grande preocupação com os afegãos – democracia, seus direitos, a liberdade, principalmente no caso de mulheres e meninas. Como era de se esperar, tudo não passou de mais uma mentira dos americanos.
Até mesmo agora, enquanto o regime de Trump continua alardeia defesa da democracia e das liberdades civis em diversas partes do mundo. Da mesma maneira que esse discurso foi usado como arma política para ocupar o Afeganistão por 20 anos (2001-2021), serve hoje para justificar invasões, sequestrar unilateral e violentamente um chefe de Estado matando civis, como no caso de Nicolás Maduro na Venezuela, e bombardear outras nações. Em tudo isso, sem mandato da ONU (como ocorreu, exatamente, na invasão ao Afeganistão).
Para tanto, Washington viola leis internacionais e até mesmo a própria Constituição americana. Um cenário que não surpreende nenhum cidadão minimamente informado, pois vem de uma nação que historicamente vai muito além da simples incapacidade de combater o terrorismo, e de providenciar democracia a outros povos.
O país aparentemente mais poderoso do mundo, na verdade eterno fantoche do regime sionista, tem liderado historicamente a produção e o tráfico de drogas em todo o mundo – especialmente no Afeganistão. Para isso, o caos é inevitavelmente o reino dos ladrões.
O que, de certa forma, começa em casa: a sociedade americana é a maior consumidora de drogas do mundo. Sem falar da violência – as pessoas mais violentas, incluindo aquelas com métodos terroristas, são de longe brancas e cristãs. E, em muitos casos, pertencem às classes média e alta. E também por agentes do Estado (novamente, brancos e cristãos em sua vastíssima maioria, não negros nem muçulmanos).
Tio Sam é mestre em derrubar democracias legítimas onde quer que seus interesses não sejam atendidos, impondo ditaduras implacáveis enquanto elites locais imploram por migalhas americanas em troca de apoio. Boicotar economias e líderes nacionais no exterior, conspirar contra governos inteiros, assassinar oponentes e até mesmo ativistas de direitos humanos: eis a história dos Estados Unidos.
No Afeganistão, tudo isso é verdade com um aterrorizante acréscimo: as madrassas, escolas eligiosas que radicalizam o Islã transformando jovens desesperançados em terroristas, são criação dos EUA. Com apoio direto americano, há vários anos. Muitos dos antigos senhores da guerra no Afeganistão, criados e armados pelos EUA desde o final da década de 1970, são os talibans de hoje.
Na entrevista exclusiva abaixo, o jornalista afegão Awaaz Armani (*) apresenta uma realidade ainda desconhecida para muitos ao redor do mundo. Aprofundando-se na realidade do Afeganistão, tanto no período desde que o Taliban retomou o poder em meados de 2021 até os dias de hoje, quanto durante a ocupação liderada pelos EUA.
Ele discute com peculiar brilhantismo: a cobertura da mídia internacional sobre seu país; como os afegãos veem o Taliban, os EUA, as grandes potências mundiais e organizações internacionais relacionadas a seu povo; como era a vida dos afegãos sob a ocupação americana; a produção de ópio e o tráfico de heroína de seu país; o envolvimento dos EUA no tráfico de drogas; o regime taliban e a situação da população sob seu domínio nos dias de hoje: e as origens do Taliban.
A Awaaz Armani também contradiz algumas das declarações do Tribunal Penal Internacional, em entrevista recentemente concedida a este autor.
E responde a algumas das perguntas, fundamentais, que o mundo gostaria de fazer a um especialista afegão como ele, neste momento. Awaaz Armani é, sem dúvida, o profissional e uma das vozes mais adequadas para fazê-lo. Propondo alternativas para um Afeganistão verdadeiramente livre, igualitário e democrático. Um Afeganistão que possa ser, de uma vez por todas, libertado dos terroristas locais e internacionais.
Abaixo, a entrevista completa.
Edu Montesanti: Por favor, descreva a vida no Afeganistão hoje.
Awaaz Armani: De acordo com muitos estudos e relatórios oficiais, o Afeganistão tem sido a nação mais miserável, desesperançosa e oprimida por vários anos consecutivos, até 2025.
Embora as rochas, a poeira e o ar desta terra possam estar impregnados de orgulho e resiliência, o cotidiano continua sendo extremamente trágico e hostil, e o povo luta contra um desespero sem fim. Isso se aplica especialmente às mulheres afegãs, metade da população, que são mantidas em cárcere privado, desumanizadas e reduzidas a almas sem corpo.
As dificuldades econômicas em meio às recentes mudanças globais combinadas com os conflitos regionais em curso e a suspensão do comércio, bem como a crise dos retornados e as taxas recordes de desemprego, intensificaram exponencialmente a pressão sobre o afegão comum.
A vida no Afeganistão tem sido uma luta constante, violenta e terrível pela sobrevivência tanto nas grandes cidades densamente povoadas, quanto nos subúrbios remotos e mais distantes.
E como era a vida durante a ocupação liderada pelos EUA?
Como diz o ditado, “a mesma merda, em um dia diferente”. Só que você pode substituir “dia” por forma de Estado, sistema de opressão, etc.
Embora, em alguns aspectos, a vida durante a ocupação liderada pelos EUA fosse ainda pior – insegurança terrivelmente traumática e ataques terroristas organizados e intermináveis, juntamente com o sistema mafioso desintegrado, disfuncional e fora de ordem, e a ausência de uma autoridade governamental central -, o Afeganistão ainda estava entre os países mais pobres e devastados pela guerra, com extrema miséria socioeconômica.
Como você avalia a cobertura da mídia internacional sobre o Afeganistão desde o início da ocupação dos EUA, especialmente agora?
Talvez não seja necessário discutir detalhadamente o papel da mídia internacional, tradicional e controlada pelo Ocidente, já que seus papéis e funcionalidades são, há muito tempo, bastante claros em todo o mundo.
Tanto os meios de comunicação internacionais quanto os locais no Afeganistão, após 2001, e a presença militar dos EUA e da OTAN no país – Grupo de Empresas Moby, Ariana, 1TV, VOA, Rádio Farda, etc. – foram fundamentalmente, sistematicamente financiados, orquestrados e estrategicamente dirigidos para:
a) legitimar e normalizar a ocupação americana;
b) propagar os supostos “benefícios” geopolíticos e geoeconômicos da ocupação;
c) disseminar e cultivar, culturalmente, as narrativas e os valores neoliberais ocidentais, que giram principalmente em torno do individualismo e da liberdade de capital;
d) sobrecarregar e viciar a juventude com os venenos do dólar, da luxúria, do status, da posição, etc., alienando-a da consciência política, especificamente revolucionária e progressista.
É possível afirmar que o Afeganistão agora, sob o regime do Taliban desde agosto de 2021, encontra-se em situação pior em relação aos direitos humanos, em comparação com o primeiro domínio taliban, na década de 1990?
Uma resposta direta de sim ou não pode ser enganosa. A resposta deve ser contextualizada às condições concretas de então e de agora, considerando como as coisas estavam durante o primeiro mandato e como estão agora…
É preciso levar em conta os diversos aspectos complexos, incluindo o papel dos avanços tecnológicos, como o acesso à Internet, a descentralização da informação, o surgimento das plataformas de mídia social, etc.
Por outro lado, a postura do Taliban em relação aos direitos humanos não mudou. De forma nenhuma. Hibatullah e Mullah Omar são simplesmente piores um que o outro.
Portanto, o que pode parecer uma diferença aparente, onde não vemos mais, hoje em dia, mãos decepadas penduradas em cabos por toda a cidade, depende principalmente de alguns outros fatores: o aumento populacional acelerado, resultando em uma governança frágil e desordenada – durante o primeiro mandato, a população total de Cabul era estimada em torno de 200 a 300 mil pessoas, enquanto agora ultrapassa os sete milhões -, onde os métodos tradicionais e fundamentalistas de violência e disseminação do medo para governar, simplesmente, não conseguem alcançar certos lugares.
Outros fatores cruciais são, sem dúvida, a Internet e as redes sociais, onde não conseguem exercer influência ou controle, deixando, principalmente os jovens, com pelo menos liberdade virtual na Internet.
Qual o nível de apoio que o Taliban recebe dos afegãos hoje? Pode-se afirmar que a ocupação liderada pelos EUA acabou fortalecendo o Taliban, principalmente por conquistar apoio local entre os afegãos comuns? Para o povo afegão, qualquer coisa parecia preferível ao domínio estrangeiro, não é verdade? Foi o que um especialista me disse recentemente, em uma entrevista.
Essa questão tampouco possui uma resposta simples e direta. É um pouco complexo entender que o fato de o Taliban parecer ter apoio interno, precisa ser analisado dentro do contexto.
A opinião do afegão comum é que “o Taliban é composto apenas por lunáticos medievais e bárbaros, que só sabem governar usando a coronha de um AK-47, mas quem mais poderá substituí-los?”.
Este pode ser o alicerce da atual Questão Nacional: se não o Taliban, em qual partido se pode confiar ou ter esperança? A impopular, chamada “resistência”, é simplesmente um punhado de figuras tecnocratas, cleptocratas e extremamente desprezíveis, e qualquer outra força vinda do povo, infelizmente, não é suficiententemente forte para ser levada a sério.
Outro aspecto que temos observado em relação ao apoio popular ao Taliban, são os recentes confrontos e desavenças com o Paquistão – criador e apoiador de longa data do Talibã, inclusive logo após sua ascensão ao poder. Isso deu ao Taliban a oportunidade de ganhar confiança pública em relação à sua independência do bloco ocidental, além de legitimar seu direito à autodefesa e conquistar a simpatia das frágeis massas.
Dize-se que o Estado Islâmico está prestes a substituir o Taliban: quanto é verdadeira essa afirmação, e quanto os afegãos, se for o caso, temem tal possibilidade?
Não muito. O Estado Islâmico não possui uma base nacional inclusiva no Afeganistão – nem tribal, nem ideologicamente, nem etnicamente, nem de qualquer outra forma. Sua presença operacional em vários locais é bastante limitada, e concentrada na clandestinidade.
Mas ser “substituído” pelo Taliban seria uma superestimação de suas capacidades, influência e da receptividade do povo afegão.
Como o povo afegão vê os Estados Unidos hoje?
A mãe de todos os inimigos. O grande Satã. A raiz da miséria passada e presente do Afeganistão e da região. Uma superpotência imperialista que tem forças fundamentalistas e extremistas como o outro lado da moeda.
E como o povo afegão vê a comunidade internacional, as organizações internacionais de direitos humanos e, especialmente, a ONU e o Tribunal Penal Internacional?
Todas, sem exceção, são marionetes dos EUA e do bloco ocidental, com seus fios amarrados às mãos daquele um por cento, a “classe Epstein” que governa e dirige todos esses órgãos.
É claro que existem alguns indivíduos dentro dessas organizações – como a admirável e corajosa Francesca Albanese, entre outros – que escolheram nadar contra a corrente, mas o sistema e a natureza dessas organizações são todos derivados da mesma ordem mundial podre, obsoleta e a ser derrubada.
Qual sua opinião sobre a declaração do Tribunal Penal Internacional abaixo, feita em entrevista recentemente concedida a mim?
“A forte cooperação das vítimas e testemunhas afegãs, da sociedade civil afegã e internacional e de todos os parceiros, tem sido fundamental para o avanço das investigações do Gabinete sobre esta situação.
¨(…) O Gabinete também continua a se envolver ativamente com diversas organizações da sociedade civil para solicitar e receber pistas e materiais de fontes não públicas relacionados à documentação de crimes relevantes no Afeganistão.
¨A equipe reúne-se regularmente com organizações da sociedade civil afegãs, no Tribunal e virtualmente, para destacar as linhas de investigação em curso na, e para explicar o trabalho da equipe.”
Isso é nada mais que uma mentira, piada cruel. Pura maldade. Quem são essas organizações da sociedade civil afegãs? Aquelas que Cheryl Benard e Rola Ghani criaram? Como surgiram os representantes da voz afegã?
A única razão pela qual não estão investigando, é o domínio imperialista dos EUA e do Ocidente que as estrangula e controla.
A maioria das vozes internacionais se opõe ao reconhecimento do regime do Taliban. Alguns analistas consideram contraproducente não reconhecer o grupo, pois isso impede o diálogo entre a comunidade internacional e as organizações de direitos humanos. Qual sua opinião sobre esta controvérsia?
A comunidade internacional já não o reconheceu? Não mantém diversos tipos de engajamento e diálogo, desde o envio de ajuda humanitária até discussões políticas e governamentais? Os EUA enviam 100 milhões de dólares por semana ao Taliban.
O Taliban mantém conversas com todos os países da região, bem como com a Europa e, principalmente, com o Reino Unido. O reconhecimento formal, que aprimora os serviços consulares e mantém embaixadas ativas aqui e ali, sendo realistas, simplesmente não faz muita diferença no atual clima global e regional.
Por outro lado, por que a “comunidade internacional” e as organizações de “direitos” seriam levadas a sério até mesmo pelo Taliban medieval? Que benefício essas organizações tradicionais estão produzindo em outros lugares?
A Palestina é um bom exemplo disso… Será que elas estão dispostas a priorizar o sofrimento inimaginável e insondável dos palestinos em sua agenda, para serem levadas a sério por outra nação como o Afeganistão?
Sem mencionar como a maioria desses governos participou ativamente da criação, ascensão, fortalecimento e reassentamento do Taliban.
Como a comunidade internacional poderia ajudar o Afeganistão e, um ponto que o mundo questiona há muito tempo, como o país poderia sair dessa situação rumo a uma democracia real?
Como qualquer outro país pequeno, frágil e geopolítica e geoeconomicamente vulnerável, a comunidade internacional pode simplesmente cuidar da sua própria vida e deixar as nações em paz. Interferências constantes e campanhas militares revertem, literalmente, a trajetória normal de qualquer país.
E, novamente, como qualquer outra nação progressista e desenvolvida hoje, e acredito ideologicamente que sim, o Afeganistão acabará por sair dessa situação por meio da consciência de classe e da empatia patriótica, rompendo, mais cedo ou mais tarde, essas correntes antigas e corruptas.
Só se pode acelerar este processo trabalhando na unificação, organização, mobilização, criação de organizações fortes e estruturadas de massas e conduzindo-as à prosperidade e à emancipação.
O povo afegão sentiu-se representado por presidentes apoiados pelos EUA, desde 2002 quando Hamid Karzai foi escolhido por George Bush, até 2021?
Claro que não. O povo afegão, apesar das suas taxas de analfabetismo, mesmo as mais comuns nas áreas mais remotas, chegou a esta consciência política básica e mais fundamental ao afegão médio: conhecer seus inimigos.
Os afegãos não estavam otimistas em relação à ocupação dos EUA desde o início. A única coisa que pode ter alterado essa imagem e narrativa, é o fato de os EUA, juntamente com seus fantoches, terem iniciado esta enorme campanha de legitimação para deturpar a narrativa afegã com suas instituições da pseudo-mídia corporativa, e através da “fabricação de consentimento”.
Os talibans afirmaram, e os números oficiais parecem confirmá-lo, que a produção de ópio diminuiu desde 2021, quando o grupo retomou o poder, prestes a ser erradicado. O que você pode dizer sobre este assunto?
É difícil digerir e processar que um negócio de quase um trilião de dólares seja desmantelado por um grupo de selvagens por procuração, e mercenários.
Talvez reorganizado – a libertação de Bashar Noorzai de Guantánamo há vários anos assinala uma mudança -, embora o seu tráfego pareça ter diminuído nas áreas do norte, na fronteira com a Ásia Central, a Rússia e o Irã, mas principalmente direcionado para os mercados europeus.
É bem conhecido, em todo o mundo, o envolvimento de longa data dos EUA no tráfico de heroína no Afeganistão. Principalmente nas décadas de 80, 90, 2000 e 2010. Ainda é verdade?
Os EUA são um interveniente fundamental, sem o qual a cadeia de abastecimento não funcionará adequadamente. Então, tem sim envolvimento e papel nisso. A única pergunta que se pode fazer hoje é se ainda é o papel protagonista e determinante, ou não.
Pelo que, logicamente, não existe nenhuma outra potência global capaz de substituir essa posição dos EUA no tráfico de estupefacientes.
Vozes no Afeganistão, especialmente as membras da RAWA, costumam dizer-me em entrevistas e em conversas privadas, que os EUA e o Taliban costumavam ser aliados secretos durante os 20 anos de ocupação americana do Afeganistão. Os EUA, segundo essas minhas fontes, apenas usaram o grupo terrorista no seu país como ferramenta para justificar a ocupação, e para seus interesses no Afeganistão que, dizem, envolviam também interesses regionais. O que você pode dizer sobre isso?
Embora bastante complicado, intensamente multifacetado, mas na conclusão final, sim, a RAWA está certa.
Há uma famosa Benazir Bhutto, também conhecida como madrinha dos Taliban, que cita que a ideia, criação do Taliban, foi britânica, financiada pelos sauditas e implementada pelo ISI do Paquistão. O objetivo naquela altura era, após a derrota e retirada soviética do Afeganistão, recentralizar e reorganizar o disperso, fundamentalista,
Grupos mujahedeen aliados do Ocidente, 15 partidos fundamentalistas e criminosos baseados no Irã e no Paquistão que estiveram ocupados em uma guerra interna sangrenta, horrível e inimaginavelmente atroz durante quatro anos em Cabul para monopolizar sozinhos o poder, a fim de instalar uma autoridade funcional – funcionando como que para impulsionar os interesses do imperialismo Ocidental na região -, para que pudessem estabelecer-se e ter seus interesses assegurados.
O curso desses acontecimentos certamente teve seus altos e baixos e diferenças entre a liderança e a máquina de guerra comum, o cão raivoso faz normalmente, eventualmente morde seu dono, mas isso não muda o fato de que quem tem as correntes em suas mãos, mas mesmo assim, na minha opinião, observando tanto sua história quanto a atualidade, isso serviria majoritariamente como verdade até hoje.
Não importa as pequenas contradições táticas que possam ter: os talibans são conclusivamente um grupo mercenário, misógino e fundamentalista. Em um futuro próximo ou distante, embora o cenário político do Afeganistão seja altamente imprevisível, o Taliban pode enviar sinais de realinhamento político e económico com as potências asiáticas – algo de independência –, mas não por causa de uma alternância qualitativa da sua essência central, mas porque o mundo unipolar e dominante do imperialismo Ocidental está decaindo lentamente, e a nova ordem mundial multipolar está gradualmente emergindo e desenvolvendo-se.
(*) Awaaz Armaani é o pseudónimo deste jornalista independente de 30 anos que trabalha, principalmente, como freelancer desde os 19 anos. Nascido, criado e atualmente residente em Cabul, é também pesquisador multilíngue, tradutor e apoiador de campo de documentaristas independentes.
Seu trabalho como jornalista centra-se nas implicações do imperialismo ocidental no Afeganistão, violações dos direitos humanos como um todo com especial atenção aos direitos das mulheres e meninas – especialmente no acesso à educação. Ele tem investigado e exposto as múltiplas décadas de longos crimes de guerra.
Sua principal base de trabalho tem sido Cabul, com viagens ocasionais a quase todas as províncias do Afeganistão.
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