Novo prefeito de Santa Cruz de la Sierra, "Mamén" Saavedra, mostra que sonhos são possíveis

Com trabalho intenso e uma forte luta contra a corrupção, ele também demonstra que o Estado tem mais influência sobre a sociedade do que o contrário: os trabalhadores querem viver livres da desonestidade
 
 
Após uma vitória eleitoral histórica, Carlos Manuel Saavedra, popularmente conhecido como "Mamén", assumiu a prefeitura de Santa Cruz de la Sierra, a maior e mais rica cidade da Bolívia, em 4 de maio daquele ano, dedicando-se a um trabalho intenso desde os primeiros minutos.
 
Ele também está combatendo diretamente a corrupção no terceiro país mais corrupto do mundo, segundo o World Justice Project.
 
O engenheiro agrônomo, que venceu as eleições municipais de 2016 pelo grupo cidadão VOS, do qual é presidente, com nada menos que 71,56% dos votos, representando um total de 658.510 eleitores, cumpriu dois mandatos como vereador em Santa Cruz.
 
Períodos em que ficou conhecido em toda a Bolívia, por sua intensa energia contra a corrupção, especialmente na fiscalização da administração de seu ex-prefeito, Jhonny Fernández.
 
'Não Falharei com Vocês' 
 
Nas primeiras horas como prefeito, mal terminou de tomar posse e iniciou a administração com obras de conserto de buracos no 4º anel da zona Equipetrol.
 
Assim, dando os primeiros passos em linha com o que havia afirmado momentos antes, durante sua posse: “Hoje começa uma nova história e vamos construí-la juntos”.
 
Algo incomum na política boliviana historicamente conflituosa e altamente corrupta. Depois da primeira semana na Câmara Municipal concluída com outros trabalhos de remendos, acordos com o sector da saúde pública e esforços para atrair financiamento, Mamén assegurou publicamente: “Vamos trabalhar dia e noite se for preciso, para que Santa Cruz fique melhor”.
 
Destacando que foram dias “intensos e muito emocionantes”, assumiu o compromisso com o povo: “Não vou decepcioná-los”.
 
‘Não Damos Oportunidades aos Bandidos’. 
 
No dia 11, o prefeito Saavedra relatou através de suas redes sociais junto de um vídeo gavado por celular oculto, a destituição do vice-prefeito do Distrito 10, Willy C., após a veiculação de um áudio em que o agora demitido teria solicitado dinheiro – 350 bolivianos (moeda local) – em troca de favorecimento em procedimento relacionado à utilização de campo para escolinha de futebol. 
 
Mamén, claramente incomodado, é visto confrontando firmemente o funcionário enquanto o informa de sua destituição imediata do cargo, descrevendo seu comportamento como inaceitável.
 
“Fora daqui, não damos chance a ladrões. Não quero vê-lo novamente”, disse Mamén a ele depois de fazê-lo assinar a demissão.
 
Embora tenha assegurado que essa não era a única irregularidade ligada ao ex-funcionário, sem detalhar as outras, o prefeito Saavedra reiterou que, durante sua gestão, não toleraria atos de corrupção ou ações que prejudicassem o município.
 
É Possível Sonhar
 
Mamén tem sido mais que prefeito: hoje, é forte motivo de esperança entre os bolivianos.
 
A presença do devoto católico Mamén pela cidade nestes dias gera um intenso calor humano. O entusiasmo das pessoas mais humildes tem sido contagiante. 
 
A começar pela Igreja de Jesus de Nazaré no centro da cidade, a qual ele frequenta fielmente todas as semanas com sua esposa Roxana del Río, e seus dois filhos pequenos. 
 
Esta é mais uma incontestável indicação de que a retórica disseminada em várias partes do mundo — de que as pessoas influenciam a política, mais do que o Estado influencia esta — não é verdadeira. O Estado tem sido ampla e terrivelmente responsável pela corrupção generalizada, que acaba permeando todas as classes sociais.
 
As massas que apoiam Mamén com paixão nestes dias, deixaram isso bem claro. Um sistema político transparente e íntegro e um país livre de corrupção são necessários.
 
Ser um dos países mais corruptos do mundo é definitivamente um mal que não se origina no povo boliviano, que trabalha arduamente em algumas das terras mais ricas do planeta.
 
Mamén é tudo a mesma coisa, mas por que não sonhar?

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Author`s name Edu Montesanti