¨Guerra cordenada¨ de Trump aos jornalistas lança ¨gasolina sobre o fogo¨, segundo a ONG internacional
O ranking deste ano de 2026 emitido no último dia 30 de abril por Repórteres sem Fronteiras (RSF), organização não-governamental (ONG) internacional especializada em jornalismo com foco na liberdade de imprensa em todo o mundo, verificou nova queda no respeito à atividade jornalística nos Estados Unidos.
Agora, o país norte-americano ocupa a 64ª posição entre 180 analisados. Baixa em relação ao ano anterior, quando ocupava o 57º lugar. Declínio que tem sido constante envolvendo os EUA desde que RSF iniciou tais avaliações, em 2002.
Na primeira lista divulgada pela ONG há 24 anos, nos amargos anos de George W. Bush, o país estava na 17ª posição entre 139 estudados. De la para cá, o desempenho do governo estadunidense foi mais grave diante da postura em relação a atividade da imprensa no exterior, em países como Iraque e Afeganistão.
Contudo, nada tem sido tão trágico na ¨terra da liberdade¨ segundo a família Bolsonaro no Brasil, que não possa piorar: sob regime de Donald Trump agora, o declínio tem sido vertiginosamente mais intenso que em qualquer outro período histórico. Clayton Weimers, diretor executivo da divisão da América do Norte da organização midiática independente, afirmou em um comunicado à imprensa que o presidente Trump “está jogando gasolina no fogo” na “guerra coordenada” de seu governo contra a liberdade de imprensa.
“Os Estados Unidos enfrentam uma crise de liberdade de imprensa que deveria preocupar qualquer pessoa que se importe com a democracia”, disse Weimers. “Uma imprensa livre não pode funcionar onde é alvo de perseguição política, sofre restrições legais e está exposta a riscos físicos crescentes.”
Em reportagem comentando as avaliações deste ano, o RSF observou que ¨Trump transformou seus repetidos ataques à imprensa e aos jornalistas em uma política sistemática¨. A organização relembrou a prisão do jornalista salvadorenho Mario Guevara, posteriormente deportado, ¨contribuindo para a deterioração de um ambiente de segurança já tenso, marcado pela violência policial¨.
¨Os cortes drásticos na força de trabalho da Agência de Mídia Global dos EUA (USAGM, na sigla em inglês) tiveram repercussões globais, levando ao fechamento, suspensão e redução de emissoras internacionais como Voz da América (VOA), Rádio Europa Livre/Rádio Liberdade (RFE/RL) e Rádio Ásia Livre (RFA)¨, que transmitiam dos EUA a países onde representavam algumas das últimas fontes confiáveis de informação.
Neste dia 2, no sítio estadunidense especializado em mídia e liberdade de imprensa, Angela Fu publicou reportagem listando quase 100 ações do regime de Trump contra a mídia, a altura exata de uma ditadura. Um deles envolvendo a demissão, sem nenhum motivo pelo Departamento de Guerra, da jornalista Jacqueline Smith, ombudsman do jornal Stars and Stripes, controlado pela própria pasta.
Smith escreveu em um artigo que acredita tratar-se de retaliação por sua decisão de se manifestar contra o plano do Pentágono de reformular o jornal.
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