O governo italiano anunciou, no último dia 13, a suspensão da renovação automática do acordo de cooperação em defesa entre a Itália e Israel, decisão que marca mudança política significativa na relação bilateral entre Roma e Tel Aviv.
Sem apresentar detalhes, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que seu governo decidiu suspender a renovação, que ocorre a cada cinco anos, “em vista da situação atual”.
O pacto entre a Itália e Israel regulamentava a cooperação militar, tecnológica e de troca de equipamentos entre os dois países. O acordo, assinado originalmente em 2003 e ratificado em 2016, incluía mecanismos de colaboração como treinamento conjunto, desenvolvimento tecnológico e transferência de equipamentos militares, e era renovado automaticamente a cada cinco anos, a menos que uma das partes se opusesse.
A suspensão não implica uma ruptura completa do acordo, mas modifica sua dinâmica: a partir de agora, qualquer continuação deverá ser avaliada caso a caso e não será mais automática, abrindo um cenário de maior incerteza na relação bilateral.
A decisão de Roma ocorre em um contexto de crescente tensão no Oriente Médio, particularmente devido à ofensiva militar de Israel em Gaza, Líbano e Irã, que gerou críticas internacionais por seu impacto humanitário.
Nas últimas semanas, o governo italiano endureceu sua posição em relação a Israel. Um dos episódios mais sensíveis foi o ataque com tiros de advertência das forças israelenses contra um comboio de soldados italianos destacados no sul do Líbano sob mandato das Nações Unidas, que danificou um veículo militar.
Esse incidente acelerou a deterioração diplomática entre os dois países, que chegaram a convocar seus respectivos embaixadores para consultas.
Na semana passada, a Itália convocou o embaixador israelense em Roma após disparos de advertência efetuados por forças israelenses contra um comboio de soldados italianos da paz da ONU no Líbano, danificando um veículo, mas sem causar feridos.
Mais tarde, dia 13 Israel convocou o embaixador italiano em protesto contra as declarações do ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, que condenou os “ataques inaceitáveis” de Israel contra civis no Líbano.
A suspensão do acordo reflete ainda um alinhamento mais estreito da Itália com a posição europeia, que nas últimas semanas tem defendido moderação e progresso nas negociações de paz na região.
A mudança de Giorgia Meloni não é apenas uma resposta a fatores externos, mas também a pressões internas. Setores da oposição italiana vinham instando pela suspensão do acordo há algum tempo, argumentando que mantê-lo era politicamente insustentável dada a situação atual.
Até mesmo especialistas em direito internacional e constitucional solicitaram formalmente ao governo a revisão do memorando, em meio a um crescente debate público sobre o papel da Itália no conflito. Em termos geopolíticos, a decisão também pode ser interpretada como uma tentativa da Itália de se reposicionar no cenário internacional, distanciando-se de um de seus aliados tradicionais na área de defesa.
Até então, o governo Meloni era considerado um dos mais próximos de Israel na Europa. Ao mesmo tempo, a primeira-ministra insistiu na necessidade de avançar nas negociações diplomáticas, particularmente entre os Estados Unidos e o Irã, e enfatizou a importância estratégica da estabilização da região, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz, fundamental para o abastecimento energético europeu.
Segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), a Itália é o terceiro maior exportador de armas para Israel. No entanto, isso representa apenas 1,3 por cento das importações de armas israelenses entre 2021 e 2025. Os Estados Unidos e a Alemanha são os principais exportadores.
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