Centro de gravidade católico move-se rapidamente da tradicional Europa ao Sul global: A¨Mãe da Humanidade” desempenha papel preponderante hoje não apenas em número, mas também em vitalidade
A visita do Papa Leão XIV à África de 13 a 23 deste mês que inclui Camarões, Angola e Guiné Equatorial, marca nova tendência católica neste continente, historicamente relegado de todas as maneiras pelo restante do mundo.
A Alkebulan (Mãe da Humanidade, como o continente é conhecido por si mesmo) deixou de ser, desde o papado de Francisco II, “periferia” para se tornar protagonista em nível mundial quando o assunto é fé católica.
¨O coração de Deus está dilacerado por guerras, violência, injustiça e mentiras”, disse o Papa em um asilo, um dos primeiros locais que visitou na chegada à Argélia, logo no dia 13. Estas palavras e o local onde foram proferidas, dizem muito sobre o porquê do crescimento exponencial da Igreja Católica nas últimas décadas no continente africano, hoje com mais de 20 por cento do total de católicos no mundo.
Este dado torna-se ainda mais significativo, considerando que a África é hoje o continente mais jovem do mundo com idade média em torno dos 19 anos, e a maioria da sua população com menos de 25 anos. Outro fator importante neste contexto é o histórico de exploração, e conflitos brutais em uma região historicamente oprimida por governos locais tiranos, e pelas grandes potências mundiais.
O número de católicos na África aumentou de 272 milhões em 2022 para 281 milhões em 2023, com variação relativa de +3,31%. A República Democrática do Congo confirma a liderança em número de católicos batizados no continente: quase 55 milhões. Seguida pela Nigéria com 35 milhões, e depois Uganda, Tanzânia e Quênia, países que também registram números significativos de fieis católicos.
As igrejas locais demonstram vitalidade tal, que contrasta sensivelmente com a crise de participação em outras regiões do mundo. As paróquias africanas estão cheias, as celebrações são vibrantes, e as vocações sacerdotais e religiosas aumentam com o passar do tempo.
Se há pelo menos 70 anos o Vaticano prioriza este continente, com 47 visitas papais desde Paulo VI até o presente, há algo que, nos últimos anos, pode explicar esta ascensão com mais intensidade.
O papado de Francisco II representou novo rumo para a Igreja não apenas através da linguagem, mas também pela maneira como o pontífice passou a lidar com o ser humano. E como abordava os problemas sociais mundo afora. Consequência de sua visão de mundo declaradamente progressista.
¨Apelidado de ´Papa dos pobres´, Francisco dedicou seu pontificado aos mais desfavorecidos¨, mencionou EuroNews em abril de 2025 em reportagem que abrodou as mudanças significativas da Igreja, através do papado de Francisco. (¿Qué tan progresista era el Papa Francisco? | Euronews). E na maneira que as sociedades mundiais passaram a enxergar a própria Igreja.
Com Francisco e agora, com Leão XIV, a Igreja tem afirmado com mais intensidade o serviço pastoral: particulamnete em países africanos administra escolas, hospitais, programas de assistência e redes comunitárias que, em muitos casos, suprem as lacunas deixadas pelo Estado.
Manifesta-se em relação a problemas sociais como desigualdade e exploração do homem pelo homem, violência e guerra, de maneira mais contundente. Assumindo, com isso tudo, a responsabilidade da Igreja diante dos problemas sociais com mais ênfase.
Consolidando a Igreja como um ator social-chave, para além do apoio espiritual. O que, aliás ecoa o recomendado e insistido pelas fundações do Evangelho.
Desde Francisco, a Igreja tem estado mais próxima das pessoas, capaz de escutar e estar sempre atenta às reais necessidades do indivíduo e de suas respectivas comunidades. Aproximação particularmente forte entre os africanos.
Neste caso, acrescido do fundamental fato de que a Igreja, respeitando suas tradições mais importantes, tem se adaptado às culturas locais naquele continente. Ao invés de tentar fazer com que os povos da África absorvam suas seculares tradições europeizados, que pouco ou nenhum efeito prático levam consigo.
Tudo isso encontrou eco no coração dos africanos. Um terreno fértil para as mensagens renovadas da Santa Sé. Ao mesmo tempo, resgatadas do coração do Evangelho original.
Nesta jornada na África, o Papa tem ressaltado de diversas maneiras, discursivas e práticas, este papel da Igreja. Sem o qual, dificilmente, o catolicismo experimentaria esta ascensão meteórica no sofrido continente africano que carece muito mais de ações práticas, que de retórica.
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