´Guerra Santa´ contra o Vaticano do Pretenso Nobel da Paz

Leão XIV, primeiro papa americano da história e declaradamente progressista, desafia o autoritarismo do movimento “Faça os Estados Unidos Grandes Novamente¨, de extrema-direita 

O católico de direita que lesse (e pouquíssimos leem) os meios de comunicação do Vaticano ou a ele associados nos últimos meses, sem saber que se trata da voz oficial da Santa Sé, teria o típico delírio imediatamente acionado, acompanhado da bem conhecida histeria: fatalmente consideraria, refém de sua indigência mental, tratar-se de meios de esquerda.

Não porque o Papa Leão XIV esteja tomando lado político, pelo contrário. Mas porque o regime da nação aparentemente mais poderosa do mundo, em mãos do magnata Donald Trump, tem atingido níveis alarmantes de imperialismo agonizante. De causar inveja (quem diria) a George W. Bush. Este, em certa medida, foi superado pelo sucessor Barack Obama.

E assim vai a América: de autoritarismo em autoritarismo, de genocídio em genocídio, um ¨prato cheio¨ para que se aflore o delírio enraivecido da direita global.

Ao mesmo tempo que o mandatário americano não aceita, até hoje, o fato de não ter sido nomeado Prêmio Nobel da Paz no ano passado, intensificou amplamente e grossamente nas últimas semanas sua guerra contra o Papa (americano).

Os canais do Vaticano e afins estão repletos de clamores antibelicistas direcionados ao regime de Trump, e até defesa pessoal do Papa contra os ataques a ele direcionados pelo presidente dos Estados Unidos e seu Departamento de Guerra (ex-Pentágono).

´Guerra Santa´ da Direita contra o Papa

Na realidade, a histeria delirante da extrema direita americana ¨libertária¨ já havia conspirado um golpe para simplesmente “derrubar” o Papa Francisco II durante o primeiro mandato de Trump (2017-2021).

Steve Bannon, conselheiro de Trump em seu primeiro mandato, tentou esta medida com ninguém menos que o empresário da pedofilia internacional preferido do Mossad e das elites americanas, Jeffrey Epstein.

Segundo Bannon, que equivalia a Trump o que era Olavo de Carvalho a Bolsonaro, Francisco II era excessivamente progressista: com sua visão voltada à justiça social e equidade, era um obstáculo, nas palavras do ex-estrategista do mandatário americano, às políticas “soberanistas” dos Estados Unidos”.

As medidas e estapafúrdias (para dizer o mínimo) alegações de Trump e seus subordinados protofascistas contra o Vaticano por manifestações contrárias ao terrorismo de Estado americano, são as de perfeitos trapalhões autoritários.

Mais recentemente, o vice-presidente JD Vance por duas vezes mandou o Papa manter-se afastado da política externa americana, limitando-se a falar de moral. Pois as insistentes condenações de Leão aos crimes internacionais do regime americano tratam exatamente de questões morais. Como disse São Tomás de Aquino, “a vida estrapola o conceito”.

Sobre esta moralidade e o falso moralismo da Casa Branca e seu Departamento de Guerra, o o jesuíta americano James Martin respondeu em sua conta no X:

¨É exatamente o que o Papa Leão XIV está fazendo: pronunciando-se sobre questões de moralidade como guerra e paz, e cuidado com os pobres, com os famintos e com os migrantes. Essas são questões fundamentalmente morais.”

No último dia 12, Trump postou em sua conta no Truth Social, uma imagem montada em que se coloca como Jesus Cristo de nossos tempos. Com isto, tentando convencer (e a plateia direitista mundial parece sempre se convencer disto) que o bombardeio e o genocídio são ¨atos cristãos¨.

No dia seguinte, removeu a postagem o trapalhão autoritário que governa a nação (aparentemente) mais poderosa do mundo (mesmo a mera aparência, não por dotes democráticos).

Após ameaças públicas do Pentágono (rebatizado por Trump ¨Departamento de Guerra¨, nome original de 1789 a 1947) ao Papa (americano) Leão XIV pelas críticas a guerra dos Estados Unidos ao Irã, especialmente quando Trump prometeu ¨varrer do mapa toda uma civilização¨, o subsecretário da Defesa americana, Elbridge Colby, simplesmente intimou o cardeal francês Christophe Pierre, diplomata do Vaticano nos EUA, para prestar esclarecimentos.

O encontro dos oficiais do Pentágono com o Papa seria relatado posteriormente como ¨conversa dura¨. Algo inédito na história, e completamente insensato já que o Vaticano é um estado sem exército, intimado¨ pela sede de força militar de outro país. Mais grave, por se tratar de opiniões manifestadas do Papa – e pior, se tudo já não bastasse: manifestações pela paz mundial.

Enquanto o Vaticano é intimado por um Departamento de Guerra a explicar-se por declarações pacifistas tampouco seja motivo para mexer com as almas da direita raivosa católica, um oficial americano presente na reunião da Força Militar com o representante da Santa Sé mencionou – obviamente em tom de ameaça – o papado de Avinhão, período do século XIV em que a monarquia francesa subjugou a Igreja Católica ordenando um ataque ao Papa Bonifácio VIII, levando à sua queda e subsequente morte obrigando o papado a mudar-se de Roma para Avinhão, região da França.

Assustado com isso tudo, o papa cancelou viagem que faria recentemente aos Estados Unidos, seu país de origem.

Em oração pela paz na Basílica de São Pedro no dia 11, o Papa Leão foi duro chegando a mencionar ¨hor dramática da história” humana.

“Basta da idolatria do ego e do dinheiro! Basta da demonstração de força! Basta da guerra!”, Papa Leão.

O primeiro papa americano da história, abertamente progressista, falou de “uma barreira contra esse delírio de onipotência que se torna cada vez mais imprevisível e agressivo ao nosso redor”, de um mundo que se tornou “um pesadelo”, no qual “a realidade é povoada por inimigos”. Denunciou que “o santo nome de Deus, o Deus da vida”, está sendo “arrastado para discursos de morte”.

A reportagem da CNN deste dia 13 em imagem escaneada abaixo, traz o título ¨Papa Diz ´Não Ter Medo da Administração de Trump´ após Presidente Rebater Críticas pela Guerrao ao Irã¨.A publicação reproduz uma das afirmações de Trump nas redes sociais: ¨Não gosto de um Papa que critica o presidente dos Estados Unidos¨.

Gigante com Pés de Barro  - e Atado no Pescoço pelo Nazissionismo

Tio Sam está mais enfurecido que nunca com Roma, porque a voz que condena seus bombardeios e genocídios, resultantes do excepcionalismo estadunidense que já não engana mais ninguém, parte de um líder americano na Santa Sé.

Por outro lado, tudo parece indicar que tanto quanto a guerra de agressão contra o Irã em (velha) parceria com os sionistas, a guerra contra a Santa Sé tenta jogar ao esquecimento público os arquivos do megapedófilo Epstein, que poderiam mandar a elite política e econômica dos Estados Unidos apodrecer atrás das grades.

O regime fantoche, totalmente refém dos sionistas terroristas, da política a economia passando pela força militar e pelo negócio da pedofilia, parece não ter limites ao seu próprio ridículo.

 
Edu Montesanti
Journalist, Author, Teacher, Translator
edumontesanti.wordpress.com

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