O crônico grau de fanatismo e seus consequentes sintomas inevitáveis, intolerância e ódio, fazem com que indivíduos de direita constantemente critiquem verborrágica e agressivamente, como único modo de expressão que conhecem, contra as mesmas políticas que dizem defender. Sem se dar conta disso.
Ou, em diversos outros casos aprovar governantes que contrariam,,em maior ou menor medida dependendo do caso, o que eles mesmos dizem defender.
As alegações da direita ¨mais animada¨ sobre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Siva, são dois recentes exemplos desta total confusão mental
O presidente americano tem tomado diversas medidas fortemente protecionistas a economia americana, como poucas, aliás, no mundo hoje, além de regular a atividade econômica em diversos casos. Desta e de outras maneiras, contrariando a agenda neoliberal.
Para nem se mencionar os gastos (com dinheiro do pagador de impostos) em defesa e inúmeras intervenções militares em outros países, e guerras unilaterais e de agressão que violam todas as leis internacionais e a própria Constituição dos Estados Unidos. Mas o pessoal da direita não apenas se cala como sempre fez diante de casos assim, como ainda advoga nervosamente por Trump, com peculiar histeria sem admitir o contraditório.
Contudo, se um chefe de Estado fornece subsídios como gás de cozinha aos mais pobres, o que requer porcentagem aberrantemente menor de dinheiro público que indústria armamentista e guerras, a histeria logo se manifesta contrariamente: ¨é com meu dinheiro!¨. Quando um governo utiliza dinheiro público para salvar bancos de crises financeiras pelos prejuízos que eles mesmos geraram, a direita tampouco diz nada.
Já o chefe de Estado brasileiro, atacado raivosamente pela direita sul-americana, tem tomado medidas fundamentais defendidas por ela mesma: austeridade fiscal com altíssimas taxas de juros, financeirização da economia que permite lucros exorbitantes aos bancos, amplo apoio ao agronegócio e relegação dos serviços públicos como saúde e educação entre diversas outras medidas consonantes com a agenda neoliberal.
Cada um desses pontos tem sido regra nos três governos do petista, e de maneira ainda mais acentuada no de Dilma Rousseff. Mas Lula continua sendo atacado pela direita não pelas políticas que implementa, como é o caso deste autor, mas (pasme-se!) por ser ¨comunista!¨. Rótulos pré-concebidos, insistentemente repetitivos, norteiam a visão de mundo¨ deste pessoal.
Se for perguntado a um desses que, tomados do declarado medo, qualificam Lula de ¨comunista¨ (tempos atrás era afirmado amplamente por este setor que se eleito presidente, o petista fecharia igrejas evangélicas para transformá-las em meracodos populares, e colocaria nas casas das famílias outras famílias para dividir lugar) sobre medidas progressistas do presidente brasileiro, com muita dificuldade – se é que serão capazes de fazer isto – podem apontar algo neste sentido. A verborragia impera. E sua irmã gêmea: a agressão. Combustão e motor da direita.
Tanto quanto, sem perceber, a maioria possui conteúdo socialista em seu discurso. Por exemplo, apenas para citar dois: críticas ao abandono, por determinado governo, aos sistemas públicos especialmente de saúde e educação (não há, com exceção das elites, quem não se indigne com isto); e críticas à subida vertiginosa do preço de determinado produto, sem que o respectivo governo intervenha.
Quando no primeiro semestre de 2013, no início do mandato o presidente venezuelano Nicolás Maduro decidiu tomar medidas a fim de coibir a disparada dos preços que repentinamente antigiram patamares insuportáveis, em alguns casos próximos da casa dos mil por cento, a direita sul-americana o acusou de (incluindo a mídia) “ditador! Ditador por visar impor regras econômicas com o fim de manter o que o chefe de Estado venezuelano mesmo qualificava de “preços justos”.
Sobre a mentalidade simplificada pela capacidade cognitiva limitada levará fatalmente, inevitavelmente um direitista que lê este texto a “acusar” este autor de, no parágrafo anterior, “defender a ditadura do Maduro! Desvirtuando a essência da mensagem, clarividente. E diante disto eles se fecham, você pode escrever um livro apresentando a ideia e os objetivos contidos no parágrafo anterior: será em vão. E pior, potencialmente jogará mais gasolina sobre o fogo dos “libertários”.
Enfim, retornando ao anterior raciocínio: mais de uma década depois na Bolívia, em 2025, quando os preços de determinados produtos dispararam para mais de cem por cento, alguns até dozentos por cento como no caso do tomate, o famoso caso do aumento do preço do tomate, na Bolívia a direita incluindo os meios de comunicação cobrou o governo pela inércia em não implementar medidas econômicas regulatórias que impedissem a subida deliberada dos preços.
Na Bolívia naquela mesma época, este autor frequentemente se encontrava com um grande amigo italiano declaradamente, em seu restaurante típico. Enquanto saboreava a maravilhosa culinária preparada pelo amigo, as conversas eram agradáveis nas quais predominava política. Obviamente, ele se opunha a qualquer intervenção do Estado: este deveria ser reduzido a quase nada.
Certa vez em que este comunicador apresentou seu ponto, de que o Estado deve regular a economia de um paìs com regras claramente pré-estabelecidas assim como há – e deve haver – leis para os mais diversos segmentos da vida, o que nao se caracteriza ditadura a nenhuma mentalidade minimamente sóbria, a resposta do cidadao italiano em defesa de seu ponto de extrema-direita foi que em seu restaurante ele deveria ter o direito de cobrar quanto quisesse por uma pizza, sem intervencao do Estado. Esta afirmação deu-se antes da alta vertiginosa do preço do tomate – ressaltando aqui que uma das bases da comida italiana é exatamente o tomate, ao lado da massa.
Pouco depois, em questão de semanas, veio o aumento do quilo do tomate. Era visível em seu semblante a desolação total. Sem ser perguntado, ele lamentava o fato de o governo boliviano não tomar medidas para controlar o preço do produto. (Mais) Um socialista inconsciente entre o povão de direita e os “despolitizados”. O que mais há, é socialista inconsciente nas sociedades mundo afora. Vivem ofuscados pelo próprio grito.
Diante de cujo fato este jornalista permaneceu calado: além do respeito à opinião e liberdade de se expressar de cada um, pensei que se não havia inteligência suficiente para notar suas próprias contradições, tão evidentes, não deveria haver discernimento para escutar o interlocutor que diverge de seus “pontos”. Sob o risco de um conhecido surto de direita. A contradição era tao gritantemente bizarra, que no final das contas, na cabeca de um direitista, o culpado poderia muito bem ser o jornalista.
Pois onde estão a “liberdade econômica” apregoada por este setor e a mínima coerência? Apenas este embaralhamento mental já torna qualquer diálogo no mínimo muito difícil. Mas aí vem o ponto que o torna impossível: tudo isto só pode ser defendido através do berro e, no caso de insistência do interlocutor por respostas plausíveis, acrescida de agressão.
Donald Trump, Javier Milei e o regime sionista representado por Benjamin Netanyahu, três contemporâneos sintomas da mentalidade da direita “mais animada”, recentemente votaram, isoladamente, contra resolução da ONU que considera escravidão de africanos durante o tráfico transatlântico, grave crime a humanidade.
Diante do silêncio ensurdecedor dos “visionários” desta ideologia. Se perguntados sobre esta votação e algo se atreverem a dizer, certamente não se constrangerão em afirmar, “está certo!¨. Já emendando a mais esta barbárie intelectual e moral, sua verborragia tradicional a fim de se blindar do contraditório contra o que, sabem muito bem, não terão argumentos minimamente sustentáveis a seu favor.
Em apenas oito semanas neste ano, Trump, que se rotula “pacifista” (e a direita mundial aplaude entusiasticamente), já iniciou dois conflitos graves que violam as leis internacionais, e a própria Constituição dos EUA, que proíbe seu presidente de perpetrar guerras de agressão, ou seja, sem que o país tenha sido antes atacado. E investidas bélicas sem prévia aprovação do Congresso, outra obrigação legal que nada importa ao magnata que hoje ocupa a Casa Branca.
Dentro de casa, Trump ataca civis violentamente causando até assassinatos de inocentes cidadãos americanos, na ¨caça a imigrantes¨. Investida que também viola gravemente as leis americanas.
No “pacifista” mandatário americano que baseia sua política externa no apoderamento do petróleo alheio, ainda que com uso da força militar através da qual mata indiscriminadamente civis inocentes, a direita radical e extrema não poderiam ter ícone mais apto para ilustrar sua característica, mental e moral.
É quando se depara com suas contradições que a direita se torna extremista. Mecanismo de defesa psicológica diante do medo, das fobias, vaidades e de mais uma série de fatores que impede de encarar a verdade dos fatos e retroceder. O outro é o problema. Para uma ideologia que culpa abertamente o pobre pela pobreza, o outro tem que ser o problema, sempre.
Edu Montesanti
Journalist, Author, Teacher, Translator
edumontesanti.wordpress.com
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