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Mono Jojoy: Fim da guerra só vira com o diálogo

30.10.2010
 
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MJ: Nós estamos conectados com o mundo. Somos informados e hoje as FARC são conhecidas onde quer que haja seres humanos. Se comemos raízes? Sim! Comemos mandioca, comemos batatas, cenoura amarela e outras. Estamos muito bem, com a melhor condição física, porque somos atletas, temos mobilidade e não vão nós amedrontar com nada.
JEB: Quanta falta faz o gênio político e militar de Marulanda nas FARC dehoje?
MJ: O temos sentido em nosso ser, todos os guerrilheiros das FARC, tanto o Secretariado, o Estado Maior Central, comandantes de blocos, comandos conjuntos, frentes, etc, porque não existe outro igual a ele.
JEB: Qual é a política de fronteiras das FARC?
MJ: A política de fronteiras é de boas relações com os vizinhos, de organização de massas, de respeito mútuo e, dentro destas políticas, tem havido algumas más condutas por comandantes que não atendem plenamente as orientações e tivemos dificuldades. Mas de fraternidade, porque somos povos bolivarianos unidos pela liberdade, justiça e unidade.

A vigência da luta armada

JEB: O que responde o Mono Jojoy àqueles que afirmam que o tempo das armas já passou?

MJ: Todo mundo tem sua maneira de pensar. Se se está presidindo um Estado, se é senador de uma república, se está no poder, cada um tem uma maneira de pensar. Nós, que estamos na luta popular, pensamos que a luta armada revolucionária tem plena vigência e, por isso, os documentos das FARC não devem ser revistos, porque tem a ver com as oligarquias e com os imperialistas. O dia em que cessar a agressão contra os povos do mundo, que a oligarquia deixe de matar os colombianos, então haverá mudanças nessa ordem.

JEB: Alexandra, a moça holandesa que ingressou nas FARC em 2002, serve numa de suas unidades. Qual é sua opinião sobre ela? Como o senhor interpreta que uma moça como ela esteja nas fileiras da guerrilha colombiana?

MJ: Ela é uma mulher que chegou à Colômbia por necessidades de trabalho, com o desejo de conhecer o mundo e tomou conhecimento das FARC porque houvia falar mal delas, porque lhe diziam qua as FARC não existiam e que eramos o pior, e foi-nós conhecendo e se apaixonou pela luta revolucionária a partir das FARC. Assim, ela na vida guerrilheira é uma aluna extraordinária que faz tudo o que corresponde a um guerrilheiro. Fez os cursos básicos, os médios, os gerais, tem desempenho muito bom e a gente gosta dela. Além disso, já começa a dirigir, porque tem capacidade. É uma mulher sobre a qual tem se especulado muito, mas ela é uma revolucionária europeia, é uma internacionalista e, através dela, muitos mais podem chegar, pois a exploração é mundial.

JEB: Quando ela ingressou nas FARC e o senhor a conheceu, pensou que conseguiria ser uma guerrilheira ou teve duvidas?

MJ: No início, quando nos encontramos pela primeira vez, pela experiência que temos, dizemos “ela não vai aguentar”, pelo comportamento que se deve ter nas montanhas, por sua condição física, mas eu me enganei e agora ela anda mais do que eu.

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