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El Che nos céus da Bolívia

29.12.2007
 
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"Deixaram-nos continuar depois de verificar, seriamente, alguns documentos cujo conteúdo com toda certeza não podiam decifrar. Meditávamos sobre o feito dramático do povo em armas quando, numa curva do caminho, um anúncio em néon e o som da música vinda do interior nos puseram diante de El Gallo de Oro, o cabaré da moda da burocracia governamental. O carro diminuiu a marcha ao passar em frente, já que não valia a pena repetir a experiência de momentos antes. Mas do El Gallo de Oro ninguém atirou nos pneus, ninguém pensou que a sorte da revolução estava em jogo. Nisso pensavam apenas os índios transidos de frio, de Obrajes. Guevara piscou o olho e, com voz taciturna, disse: 'O MNR se diverte...'"

Vale lembrar que o Movimento Nacionalista Revolucionário proibia, sob pena de destituição dos cargos e expulsão do partido, que seus membros freqüentassem night-clubs e lugares de diversão noturna; pelo menos naqueles momentos mais tensos da revolução. A ordem era manter-se em estado de permanente vigilância, prontidão. Mas os burocratas do partido entendiam que aquilo só valia para índios, como, por exemplo, os pais de Evo Morales.

Creio que o presidente Hugo Chávez acertou: El Che dançou e cantou nos céus da Bolívia durante a posse do presidente Evo Morales. Agora esperamos que o povo boliviano lute inspirado no exemplo do Che e não se deixe enganar por aqueles que querem apenas garantir privilégios.

Fernando Soares Campos

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