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Bolívia: O MAS e um triunfo arrasador

29.10.2020
 
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Bolívia: O MAS e um triunfo arrasador

 

Pablo Jofré Leal - Segundo Paso

Apesar da intervenção desavergonhada da OEA, do Departamento de Estado norte-americano, de uma ultra direita submetida às ordens de forças externas.

Apesar disso, o MAS e seu binômio composto por Luis Arce Cataroa como presidente e David Choquehuanca à vice-presidência, conseguiram uma vitória espetacular e indiscutível nas eleições às quais foram convocados 7.3 milhões de bolivianos.

Uns 53% por cento e uma diferença de 20 pontos sobre Carlos Mesa Gisbert [31,2%] e quarenta pontos sobre Luis Fernando Camacho [14,1%], são cifras extraordinárias, que representam ar fresco para a luta dos povos. Com isto se confirma, tal como se sustentou, que houve uma operação destinada a impedir o triunfo do MAS, por parte da direita nas eleições do ano de 2011, avalizada pelos governos direitistas latino-americanos, o silêncio cúmplice de organismos internacionais. Houve um golpe de estado orquestrado por Washington e seus aliados incondicionais. O triunfo deste 18 de outubro permite ao povo boliviano voltar ao Palácio Quemado e, ademais, controlando as duas câmaras do parlamento. Uma vitória que trará consigo um tremendo impacto regional e internacional, que dá novos ares ao progressismo na América Latina e que recupera a democracia para a Bolívia e seu povo, que sabiamente volta a confiar naqueles que o dignificaram, que diz não ao racismo, ao roubo, à submissão a Washington e diz não à corrupção.

Quanto mais a direita golpista prorrogava a convocação das eleições, com uma estratégia política errada do governo de facto presidido por Jeanine Añez, mais fraquejavam suas opções. Isto, ante a política supremacista, racista, de tipo fascista, de insulto ao povo indígena a seu símbolos e sua cultura. Nesse contexto, mais e mais a sociedade boliviana, os mais humildes, tinham mais tempo de comparar o que havia sido um processo revolucionário, que durante 14 anos mudou a cara e o organismo inteiro desta Bolívia. Uma revolução que nacionalizou os recursos naturais, que levou os indígenas a ocuparem o Palácio Quemado e dizer ao mundo que a Bolívia existia, que tinha uma dignidade que necessitava aflorar após centenas de anos de submissão e abusos. A cada dia que passava, o povo mais punha na balança aos golpistas com o MAS.

O ministro de governo da ditadura, o empresário Arturo Murillo, esteve na noite do dia 18 por longas horas pressionando aos meios de comunicação, ao Tribunal Supremo Eleitoral e aos institutos de pesquisas para que não divulgassem o que já se sabia às 20:00 horas e que demorou quatro horas em visibilizar: o triunfo do MAS era inquestionável, triunfando com uma maioria esmagadora. Uma manobra que começou a se cozinhar na visita que Murillo fez à sede da OEA em fins de setembro e ao Departamento de Estado dirigido por Mike Pompeo, que deram as ordens e os apoios necessários para impedir que o MAS voltasse a presidir o governo. Um plano que mostrou seu fracasso absoluto, uma derrota do império e dos governos direitistas latino-americanos coordenados por Almagro

O resultado da contagem foi claro e planejadamente adiado. O próprio ex-presidente Evo Morales, em conferência de imprensa dada na Argentina, afirmou: "As empresas pesquisadoras se negam a publicar o resultado da boca de urna. Se suspeita que alto estão ocultando".

Por sua parte, Sebastián Michel, porta-voz do MAS, assinalou que existiu uma estratégia do governo de facto para não deixar que se entregasse informação e assim gerar um clima de violência com o objetivo final de anular as eleições. A enorme diferença de pontos entre Arce e Mesa tornou impossível levar a cabo o que o Departamento de Estado norte-americano, junto com a OEA, haviam forjado em conchavo com o ultra direitista ministro de Governo Arturo Murillo.

A parte mais difícil vem agora para recuperar uma vida transtornada por uma ditadura que violou os direitos humanos em todos os âmbitos nos quais podem ser violados: sanitários, integridade física, no acesso ao trabalho, à educação, em direitos civis e políticos.

Agora vem justiça pelos mortos, pelos humilhados, cicatrizar as feridas propiciadas por um governo de facto que cometeu arbitrariedades contra os direitos de milhões de bolivianos e bolivianas.

Numa interessante análise de Mario Rodríguez, jornalista e educador popular boliviano com especialidade em inter-culturalidade, ele afirma que os resultados destas eleições de 18 de outubro "foram uma vitória no território do inimigo, num campo conservador onde se aglutinou o mais fascista que a política pode ter. Articulado nos setores mais retrógrados que um país pode ter. um triunfo sobre o dinheiro, o poder midiático, os poderes hegemônicos. O referido marco permite evidenciar que: em primeiro lugar é evidente que se trata de uma vitória do povo boliviano, que supera a composição partidária e mergulha a sociedade na busca de seu futuro.

Em segundo lugar, para a análise interna do que tem sido uma fortaleza no masismo, se constituiu o sujeito do plurinacional, com um leque amplo de possibilidades, que há que fortalecer. Um triunfo que se dá contra vento e maré, que permite pensar em transformações profundas. Um terceiro elemento é que se necessita de uma profunda reflexão e uma crítica a propósito do que foram os governos do MAS, para recompor elementos que foram erodidos e que necessitam ser reconstituídos na capacidade de participação popular. E em quarto lugar este triunfo é um tremendo impulso para as lutas populares na América Latina, da Pátria Grande".

Claramente este é um laurel obtido pelo MAS, uma conquista enorme, que representa a justeza de três lustros de governo transformador na Bolívia, que calou fundo, que na hora da comparação superou por centenas de milhares de votos a essa direita recalcitrante. Uma derrota do fascismo que vai doer na direita, no grupo de Lima, no convertido Luis Almagro que deverá responder por esta derrota ante seus amos estadunidenses, que gastaram centenas de milhões de dólares para tratar de consolidar um governo de facto e dar possibilidades à direita boliviana, para tratar de voltar a exercer seus governos nefastos, fracassando estrepitosamente nesta missão que os visibiliza como o que são: oportunistas, racistas, arrogantes e escassos de visão, para calar em plenitude o pensamento e os anseios de um povo que aprendeu a defender sua dignidade.

Para o triunfador destas eleições de 18 de outubro, Luis Arce Catacora, o desafio é claro: "Recuperamos a democracia e a esperança, como também estamos recuperando a certeza para beneficiar a pequena, média, grande empresa, ao setor público e às famílias bolivianas. Governarei para todos os bolivianos e trabalharei para reencaminhar, sobretudo, a estabilidade econômica do país". Luis Arce agradeceu a confiança do povo boliviano, dos militantes do MAS, da comunidade internacional e aos observadores que chegaram para supervisionar as eleições.

O MAS conseguiu uma vitória irrecorrível, apesar do Covid-19, das ameaças do governo e dos intentos de impedir que se votasse. O triunfo amplo distancia o perigo que a direita utilize argumentos espúrios para tentar dar um golpe de estado. É tão marcante a diferença entre Arce e Mesa e por extensão com Luis Fernando Camacho que não se vislumbra razão legal alguma que se possa esgrimir para questionar o triunfo do MAS. Um Movimento Ao Socialismo que arrasou na maioria das grandes cidades e no mundo rural. Não houve lugar na Bolívia onde o mundo masista não tenha conseguido fazer morder o pó da derrota a Carlos Mesa, Luis Fernando Camacho e os seus [comparsas], com a exceção do feudo de Camacho no Estado de Santa Cruz, onde o dirigente direitista tampouco pôde exibir cifras muito folgadas. Se bem que é certo que não se pode confiar nesta direita golpista boliviana, o reconhecimento do triunfo por parte de Añez, Tuto Quiroga e do próprio presidente do Tribunal Supremo Eleitoral eliminou pressão a essa ideia que circulou a poucas horas do triunfo, a propósito de que se estivesse forjando um golpe de estado.

O MAS triunfou apesar da empreitada de desestabilização da OEA e do títere Luis Almagro, secretário-geral desta organização, definida como Ministério de colônias dos Estados Unidos. O MAS triunfou apesar de forças poderosas contra ele, porque [pra deter] a marcha justa não tem freio possível. O MAS triunfou porque o povo sábio da Bolívia entendeu que, apesar de todas as críticas que a seu movimento lhe podiam fazer, fez um trabalho que tinha como centro aos mais desassistidos da Bolívia, pela defesa de seus direitos e a construção daqueles negados, aos que por centenas de anos foram humilhados, ultrajados e que com o MAS começaram a andar com sua marcha de gigantes. Não há freio possível quando um povo defende o [que é] seu.

 

  

Tomado de: https://www.segundopaso.es/news/1082/El-Mas-Y-Un-Triunfo-Arrollador

 

Tradução > Joaquim Lisboa Neto

 

www.partidofarc.com.co

 

 

 

Foto: By Carwil - Own work, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=14733724

 


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