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Efeitos colaterais de uma crise anunciada

29.09.2008
 
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O argumento usado pelo Presidente Bush, por seu Secretário do Tesouto, Henry Paulson, e pelo Presidente do Fed, Ben Bernanke, para defender um pacote de ajuda da ordem de USD 700 bilhões é de que é melhor assim do que deixar ocorrer a eclosão de uma crise generalizada do sistema financeiro americano com todas as suas conseqüências danosas à economia americana e, porque não dizer, à economia mundial. Assim, o mesmo Estado que é induzido a se retirar do processo e conclamado a deixar os mercados atuarem livremente, agora é chamado a intervir para socorrer esses mesmos agentes, utilizando recursos de toda a sociedade nessa operação de salvamento.

Ao socorrer porém essas instituições, incorre-se em um elevado risco moral, já que a certeza do socorro do Estado nesses casos poderá sinalizar a garantia de que essas (as que vierem a sobreviver à crise) e outras instituições poderão, no futuro, continuar a agir sempre da mesma forma, pois caso venham a ter problemas de solvência novamente, poderão sempre contar com a condescendência do Estado.

Talvez, diante da atual crise, o socorro do governo americano, constitua-se mesmo na última saída para a crise. Porém, cabe aqui indagar: A situação precisaria ter chegado a esse ponto? Será que essa crise não era mesmo uma crise anunciada? Será que o contribuinte médio americano precisaria arcar com esses elevados custos? Não se faz necessário pensar talvez numa nova ordem mundial que caminhe para um processo de maior regulamentação dos mercados financeiros?

O certo é que não se pode ignorar as causas da atual crise e esperar que toda vez que elas venham a ocorrer, os bancos centrais dos países, atuando de forma isolada, ou mesmo de forma conjunta, consigam fazer frente a esse capital. Acreditar nisso é no mínimo sinal de ingenuidade, dadas as dimensões que esse capital tomou ao longo desses anos e que poderá continuar tomando, como sugere o relatório Mckinsey, diante da desregulamentação e liberalização financeira no mundo atual.
1- MCKINSEY GLOBAL INSTITUTE (2005). $118 Trillion and Counting: Taking Stock World’s Capital Market. San Francisco: Mckinsey & Company.
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(*) Professor de Economia da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo (ESPM/SP) e da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1560&Itemid=1

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