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Joe Biden, ‘falcão antidéficit’, sabotou as ajudas emergenciais

28.12.2020
 
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Joe Biden, 'falcão antidéficit', sabotou as ajudas emergenciais 

23/12/2020, Moon of Alabama


As negociações recentes sobre os socorros emergenciais em tempos de Convid-19 são prévias do que será a presidência de Joe Biden.

O presidente Donald Trump pediu um cheque de $2.000 para cada cidadão norte-americano. Os "moderados' rejeitaram a ideia de enviar cheques. Alguns, à esquerda e à direita, insistiram no envio de cheques.

Washington Post, 9 de dezembro


Privadamente, Trump mostrou disposição de distribuir outra rodada de cheques de estímulos, de $2.000
, segundo fonte que tem comunicação direta com o presidente. Em março, o Congresso aprovou uma rodada de cheques de estímulos de $1.200, que o Departamento do Tesouro desembolsou, para mais de 100 milhões de famílias norte-americanas, em questão de semanas.

Uma segunda rodada de cheques de estímulos permaneceu de fora do quadro bipartidário de $908 bilhões revelado semana passada por um grupo de deputados e senadores moderados na esperança de romper o impasse que se arrasta por meses, nas negociações sobre os estímulos. Os senadores Josh Hawley (R-Mo.) e Bernie Sanders (I-Vt.) têm insistido em que os cheques sejam incluídos no pacote final, e Sanders chegou a dizer que votará contra a lei dos estímulos, a menos que se aprove a inclusão dos cheques.

"Enquanto o total permanece indefinido, pagamentos diretos aos trabalhadores norte-americanos continuam a ser alta prioridade do presidente" - disse em declaração um porta-voz da Casa Branca.


O Congresso conseguiu acordo em torno de um cheque de $600, valor 'verificado'.

USA Today, 20 de dezembro


A medida incluiu um pagamento direto de $600 aos norte-americanos que ganharam até $75 mil, em 2019. É menos que os cheques de $1,200 aprovados na Lei de Ajuda na Pandemia, Alívio e Seguridade Econômica (ing. Coronavirus Aid, Relief and Economic Security Act) em Março.

Prevê $600 por criança, além de $500 na primavera. A lei também inclui $1.200 para casais que ganhem até $150 mil por ano.


Deputados e senadores de esquerda e de direita estão furiosos com esse resultado miserável.

Newsweek, 22 de dezembro


Tulsi Gabbard, deputada Democrata pelo Hawaii, criticou a lei de estímulo econômico anti-Covid-19 aprovada na Câmara de Deputados na 2ª-feira, declarando "uma bofetada" o valor dos pagamentos da ajuda direta.

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"Essa lei 'lava' centenas de bilhões de dólares desviados para interesses militares, para o complexo industrial-militar, para países estrangeiros, ao mesmo tempo em que nos diz: 'Eis o que sobrou para vocês: só esses 600'" - disse Gabbard, em vídeo.

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Em discurso da tribuna no Domingo, o senador Josh Hawley, do Missouri, disse que os cheques de $600 são "absolutamente inadequados, e não devemos fingir que seja diferente". Hawley forçou uma votação no Domingo para aumentar o valor do auxílio direto para $1.200, valor dos pagamentos diretos alocados pela Lei de Ajuda anti-Coronavírus, Alívio e Segurança Econômica [ing. Coronavirus Aid, Relief, and Economic Security, CARES], aprovada em março, mas a tentativa fracassou.


Acontece que o presidente eleito Joe Biden alinhou-se com os 'moderados' contrários à distribuição de qualquer cheque. Ao assim proceder, sabotou, com sucesso, os Democratas que lutavam por ajuda mais substancial.


New York Times
, 21 de dezembro


O acordo para um novo pacote de ajuda contra a pandemia mostrou a ascensão dos moderados como nova força num Senado dividido e validou a crença do presidente eleito Joseph R. Biden Jr. de que ainda é possível conseguir acordos no Capitólio.

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"Acho bom que tenhamos forçado uma decisão" - disse a senadora Susan Collins, Republicana do Maine, a qual, com o senador Joe Manchin III, Democrata de West Virginia, liderou esforço de meses para romper o impasse que paralisava a ajuda antipandemia, apesar de o vírus cobrar ao país custos cada vez maiores na economia e em vidas.

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Mr. Biden aplaudiu no domingo a disposição dos deputados e senadores para "saltar por cima dos obstáculos"; disse que o esforço teria sido "modelo para o trabalho desafiador que nossa nação tem pela frente." O presidente eleito tampouco se manteve alheio às negociações.

Com líderes Republicanos e Democratas na Câmara e no Senado muito distanciados em termos de o quanto estavam dispostos a aceitar em novos gastos 'pandêmicos', Mr. Biden, dia 2 de dezembro jogou seu peso a favor do plano de $900 bilhões, promovido pelo grupo centrista. O total era inferior à metade dos $2 trilhões nos quais insistiam a presidente da Câmara Nancy Pelosi e o senador Chuck Schumer, Democrata de New York.

O movimento de Mr. Biden não é isento de riscos. Se não conseguisse influir nas discussões, havia o risco de o presidente eleito aparecer sem força para agir sobre o Congresso, já antes de assumir o governo. Mas membros dos dois partidos consideraram construtiva sua intervenção, que deu aos Democratas confiança suficiente para recuar em suas exigências.


Biden e a liderança Democrata conseguiram acordo, agora, pela metade do que lhes fora proposto há três meses.

Matt Taibbi, 15 de dezembro


Em setembro, com o tempo correndo rumo ao dia da eleição, o grupo bipartidário dos "Resolvedores de Problemas" distribuiu plano de ajuda de $1,5 trilhão, apresentado como resultante de um suposto acordo entre Democratas e Republicanos. Mas, embora o grupo incluísse alguns Democratas, a liderança do partido rejeitou o plano.


Trump continua a exigir os cheques de $2.000.

NBC, 22 de dezembro


O presidente Donald Trump está exigindo que os deputados e senadores elevem o valor dos cheques de estímulo da segunda rodada, dos atuais $600, para $2.000 por pessoa.

"Estou pedindo que o Congresso aprove emenda a essa lei, e aumente esse valor ridiculamente baixo de $600, para $2.000, ou $4.000 por casal", disse Trump em vídeo postado em Twitter, na noite de 3ª-feira.

Embora o presidente não tenha ameaçado diretamente vetar a lei de alívio, de $900 bilhões, declarou que a lei seria "desgraça" inadmissível."


Há três anos, os Republicanos aprovaram corte de $1,5 trilhão em impostos sobre os ricos. Agora, pressionados pelo poder presidencial, voltam a ser 'falcões antidéficit'. E, nisso, o 'moderado' Joe Biden e a liderança 'moderada' do Partido Democrata apoiarão os Republicanos.