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James Petras: FARC-EP - Bando terrorista ou movimento de resistência?

28.11.2006
 
Pages: 12345

O sindicato usamericano AFL-CIO [1] documenta mais de 4.000 sindicalistas assassinados entre 1986 e 2002; o governo colombiano só investigou 376 casos, dos quais só cinco terminaram com a condenação do assassino. Segundo os grupos colombianos de direitos humanos, entre os anos 2003 e 2006 o exército de Uribe e seus aliados paramilitares assassinaram a quase mil sindicalistas mais. Durante os últimos cinco anos, 30.000 campesinos, professores rurais e líderes indígenas e campesinos foram assassinados com impunidade.

O estado de repressão (“[Plano] Segurança Democrática”) se centrou no enfraquecimento dos sindicatos contra o Acordo de Livre Comércio usamericano-colombiano, não no enfraquecimento das guerrilhas armadas. Com ao redor de 68% da população colombiana que vive abaixo da linha de pobreza de dois dólares ao dia, e com as expropriações de terra em mãos dos dirigentes paramilitares, com os magnatas do gado e dos comandos militares que concentram a propriedade da terra numa escala sem precedentes, não é de estranhar que a resistência guerrilheira está recrutando voluntários e se enfrente com êxito às campanhas militares apoiadas pelo governo, cada uma das quais leva um título triunfalista e todas terminam num estrepitoso fracasso.

Sem algumas profundas reformas sociais e políticas e a falta de um modelo econômico que integre aos milhões de deslocados, aterrorizados e excluídos, não há estrategista ou estratégia militar – por muito financiada e bem dirigida que esteja – que possa acabar com esta conflito civil.

O primeiro passo para a resolução deste conflito de meio século é o reconhecimento de que a Colômbia está afundada numa guerra civil, não em uma “guerra contra o terrorismo”. O segundo é a posta em liberdade dos protagonistas do processo de paz, Simón Trinidad e sua companheira Sonia, como um passo concreto para um intercâmbio humanitário de prisioneiros e a instauração de medidas confiáveis, que abram a via de umas negociações de paz em grande escala.

Paradoxalmente, o final do derramamento de sangue colombiano poderia começar em Washington, num tribunal federal, ou possivelmente no Congresso dos Eua, com o reconhecimento de que os EUA é uma parte armada na guerra civil da Colômbia, de que seus combatentes são prisioneiros de guerra e de que sua posta em liberdade final depende do reconhecimento dos limites do poder militar usamericano (e de seu cliente colombiano) e de que um acordo diplomático negociado é a única alternativa real.

Espero reunir-me com artistas e intelectuais como Denzel Washington, Oliver Stone, Michael Moore, Noam Chomsky e Ângela Davis, mencionados no chamamento das FARC, num esforço comum para pressionar o governo dos EUA com a finalidade de chegar a um acordo de intercâmbio de prisioneiros (tanto nos EUA como na Colômbia), o que inclui os combatentes usamericanos..

Notas dos tradutores:

[1] Chabolas na Espanha, favelas no Brasil, tugurios na Colômbia, ranchitos ou villamiserias em outras zonas da América Latina.

[2] American Federation of Labor-Congress of Industrial Organizations.

James Petras é sociólogo e escritor usamericano, autor de numerosos textos sobre América Latina

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