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O Golpe em Honduras: Em defesa da Alternativa Bolivariana

26.07.2009
 
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Os Estados Unidos, de um lado, sem retirar o embaixador e mantendo a base militar no território hondurenho, oferece como alternativa a negociação com o governo golpista, enquanto, do outro lado, os países bolivarianos, liderados por Chávez, não aceitam a negociação com o grupo golpista. Enquanto a primeira alternativa coloca Costa Rica, o eterno "pacificador" da América Central na figura de Óscar Arias, para mediar as negociações e envia dois assessores de Bill Clinton, Bennet Ratcliff e Lanny J. Davis a Micheletti, Chávez e os demais países do ALBA dão apoio incondicional a Zelaya, além de noticiar através da Telesur as manifestações populares, prisões e assassinatos realizados pelo governo golpista, conhecido como "Pinocheletti", que declarou Estado de Sítio e fim das liberdades civis na tentativa de conter os movimentos sociais naquele país.

Essa postura demonstra uma nova política imperialista para América Latina que vem sendo aplicada pelo governo de Barack Obama, de dominação não mais através do porrete, mas pela negociação. Nesse cenário, o Brasil do governo de Lula passa a ser o modelo a ser seguido, ou seja, a política do pacto de classes e das boas relações com os EUA. Com as preocupações voltadas para a Ásia e o Oriente Médio, os norte-americanos apresentam o modelo brasileiro em contraposição ao bolivariano para, assim, tentar conter os movimentos insurgentes que despontam neste continente.

Dentro desta conjuntura incerta dois desfechos parecem possíveis ao processo Hondurenho: o primeiro, é que negociações entre os golpistas e Zelaya resultem em um pacto com a elite golpista, o que levaria à fragilidade do governo quando de sua volta ou um ilegítimo processo eleitoral que não resolveria a fratura social criada nesse país. O segundo, um processo de resistência popular cada vez maior, que abre um período sem estabilidade no país e na região, e no qual a volta de Zelaya ao poder se coloca como uma tarefa da mobilização de massas que hoje já se inicia, e se espalha para outros grandes setores sociais da América Latina.

Se esta variante triunfa, Honduras se soma à Alternativa Bolivariana a fim de construir um país independente para um próximo período e incendiar a região, pois será o terceiro golpe derrotado pelo levante popular nesta década. A mobilização da população nas ruas no dia em que Zelaya tentou, sem sucesso, retornar ao seu país, mostrou que o segundo desfecho é possível, e a resposta foi dada por Zelaya: "a insurreição é a única alternativa que restou como medida de expressão do povo", além de reafirmar que esta é um direito constitucional e que "as greves, as manifestações, as ocupações, a desobediência civil são um processo necessário quando se violenta a ordem democrática de um país".

Nossa posição deve ser de solidariedade internacional ao povo hondurenho, com apoio incondicional ao movimento popular desse país. Devemos fazer uma crítica contundente à elite golpista que governa a 500 anos aquele Estado e condena o povo à pobreza e à repressão, e a crítica àqueles que, embora condenem o golpe publicamente, aplicam uma política de frear os movimentos populares em curso na América Latina atualmente. É importante nos posicionarmos ao lado de governos progressistas como o da Venezuela, o da Bolívia, o do Equador e de outros que se contraponham ao processo de negociação com a oligarquia hondurenha, pois nessa nova aliança latino-americana se demonstra a principal alternativa do movimento anti-liberal e anti-capitalista em nosso continente. Assim , a bancada parlamentar do PSOL e seus militantes espalhados por todo o país deverão denunciar o regime opressor imposto em Honduras, ao mesmo tempo que se colocar ao lado da Alternativa Bolivariana a fim de destruir os golpistas sem ceder às negociações com o imperialismo e a oligarquia local.

Por fim reiteramos a declaração do Seminário Internacional "Crise do capitalismo, recolonização e alternativas populares" em La Paz , Bolívia: "NOSSO CHAMADO É A SOLIDARIEDADE INTERNACIONALISTA MUNDIAL COM NOSSO IRMÃO, O POVO HONDURENHO. TODOS E TODAS SOMOS HONDURENHOS. ESTAMOS EM PÉ DE GUERRA. NOS DECLARAMOS EM ESTADO DE MOBILIZAÇÃO PERMANENTE."

Fred Henriques e Mariana Riscali são militantes do PSOL e colaboradores da Secretaria de Relações Internacionais do partido

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