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O colapso financeiro dos EUA acabará com a Guerra do Iraque

23.04.2008
 
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De acordo com um inquérito publicado na revista médica britânica Lancet, mais de um milhão de iraquianos foram mortos na guerra. Outros quatro milhões foram deslocados internamente ou abandonaram o país. Mas os números nada nos dizem acerca da magnitude do desastre que Bush provocou ao atacar o Iraque. A invasão é a maior catástrofe humana no Médio Oriente desde a Nabka em 1948. Os padrões de vida declinaram abruptamente em toda a área – mortalidade infantil, água limpa, alimentação, segurança, fornecimentos médicos, educação, energia eléctrica, emprego, etc. Mesmo a produção de petróleo ainda está abaixo dos níveis anteriores à guerra. A invasão é o mais abrangente fracasso político desde o Vietnam, tudo deu errado. O coração do mundo árabe caiu no caos. O sofrimento é incalculável.

O problema principal é a ocupação; é o catalizador primário para a violência e um obstáculo para a arrumação política. Enquanto a ocupação persistir perdurará o combate. As afirmações que o chamado aumento repentino [de tropas] mudaram a paisagem política são altamente exageradas. O tenente-general reformado William Odom comentou acerca deste ponto numa entrevista no Jim Lehrer News Hour:

"O aumento repentino (surge) manteve a instabilidade militar e nada alcançou em termos de consolidação política. As coisas estão muito pior agora. E não as vejo a ficarem melhores. Isto era previsível um ano e meio atrás. E continuar a apresentar o verniz cozinhado das meias verdades confortáveis é enganar o público americano e faze-los pensar que não é a charada que realmente é... Quando se diz que está a ter lugar a libanização do Iraque, sim, mas não por causa do Irão e sim porque os EUA entraram e tornaram esta espécie de fragmentação possível. E ela verificou-se ao longo dos últimos cinco anos... O governo al-Maliki está agora em pior estado... A noção de que há alguma espécie de progresso é absurda. O governo al-Maliki utilizar o seu Ministério do Interior como uma milícia de esquadrão da morte. Assim, chamar Sadr de extremista e Maliki de bom rapaz é simplesmente não perceber a realidade de que não há bons rapazes". (Jim Lehrer News Hour)

A guerra do Iraque estava perdida antes de o primeiro tiro ser disparado. O conflito nunca teve o apoio do povo americano e o Iraque nunca representou uma ameaça para a segurança nacional dos EUA. Todos os pretextos para a guerra eram baseados em mentiras; foi um golpe orquestrado pelas elites e os media para executar uma agenda da extrema-direita. Agora a missão fracassou, mas ninguém quer admitir seus erros através da retirada; assim a carnificina continua sem interrupção.

Como acabará

A administração Bush decidiu adoptar uma estratégia que não tem precedentes na história americana. Decidiu perseverar numa guerra que já foi perdida moralmente, estrategicamente e militarmente. Mas combater uma guerra perdida tem os seus custos. A América está muito mais fraca agora do que quando Bush tomou posse para o seu primeiro mandato em 2000, política, económica e militarmente. O poder e o prestígio americanos continuarão a deteriorar-se por todo o mundo até que as tropas sejam retiradas do Iraque.

Mas é improvável que isto aconteça até que todas as outras opções tenham sido esgotadas. As condições económicas em deterioração nos mercados financeiros estão a colocar enorme pressão baixista sobre o dólar. Os mercados de acções e títulos corporativos estão em desordem; o sistema bancário está a entrar em colapso, os gastos do consumidor estão baixos, as receitas fiscais estão em queda, e o país a caminho de uma penosa e prolongada recessão. Os EUA deixarão o Iraque mais cedo do que muitos acreditam, mas não o farão num momento escolhido por si. Ao invés disso, o conflito finalizará quando os Estados Unidos não tiverem mais capacidade para travar a guerra. Esse momento não está muito longe.

A Guerra do Iraque assinala o fim do intervencionismo estado-unidense durante pelo menos uma geração; talvez mais ainda. O fundamento ideológico para a guerra (apropriação/mudança de regime) revelou-se como uma justificação sem base para agressão não provocada. Alguém terá de ser responsabilizado. Terá de haver tribunais internacionais para determinar quem é responsável pelas mortes de mais de um milhão de iraquianos.

18/Abril/2008

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=8730

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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