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Estado Policialesco: Guerra Interna dos EUA contra os Negros

21.07.2020
 
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Estado Policialesco: Guerra Interna dos EUA contra os Negros

 

Os EUA foram fundados sobre a cultura da violência, que não pode ser dissociada do racismo. "Um país raro, em guerra quase todos os anos desde o primeiro dia da fundação", diz Chomsky em entrevista exclusiva a Edu Montesanti

 

 

Edu Montesanti, originalmente em inglês em Pravda Report

 

As mais ferozes guerras dos Estados Unidos começam, historicamente, contra a sociedade local. Especialmente índios e negros. Guerras sangrentas que nem os livros de história nem a mídia contam ao público. Contudo, são anteriores à fundação dos Estados Unidos da América: o genocídio norte-americano remonta aos dias das Treze Colônias Britânicas.

 

Segundo o analista renomado mundialmente, ativista anti-guerra e dissidente político Noam Chomsky, em entrevista exclusiva a este jornalista, o denominado excepcionalismo americano está profundamente enraizado na cultura nacional, o que explica a violência e o racismo cada vez mais excessivos nos EUA.

 

"O excepcionalismo americano, invariavelmente, causa impacto na cultura americana", observa o sociólogo, filósofo, cientista cognitivo americano, "pai da linguística moderna".

 

Nos Estados Unidos da América os pobres e os negros, inimigos a serem combatidos. Quanto aos índios, mal são mencionados mesmo como vítimas, pois não resta quase mais nada deles na "Terra da Igualdade". 

 

"Genocídio de nativos americanos, escravização e brutalização de milhões de pessoas de ascendência africana, exploração de centenas de milhões de trabalhadores de todas as raças e etnias, discriminação contra mulheres e não-brancos de todos os sexos... mesmo assim, os americanos se apegaram obstinadamente à crença de que nossa sociedade é 'excepcional', aponta para este relatório o historiador americano Peter Kuznick.

 

"Os americanos sempre se orgulharam de ser 'excepcionais'", diz ele.

 

Exportando Violência para Estados 'Vassalos'

 

Discriminação e violência institucionalizadas, "política" exportada aos "estados-satélites" dos EUA declara especialmente em seu "quintal", isto é, a América Latina. Bem-vinda pelas elites locais, fantoches históricas de Tio Sam.

Tais catadores de migalhas do regime de Washington, em troca da "política" vassala dos EUA para a região exportam diretamente drogas para a sociedade mais viciada do mundo - exatamente, os americanos. O negócio mais lucrativo do mundo, entre outros favores.

Jeanine Añez, atual pesadelo da Bolívia, branca e loira presidente de fato de um histórico narco-Estado - em estreita parceria com a C.I.A. e a DEA - que substituiu o primeiro presidente indígena da história boliviana em um golpe arquitetado e financiado pelos EUA em novembro do ano passado, apenas para jogar a nação sul-americana de volta o lixo, é o exemplo final por essa. Onde profunda discriminação e violência estão na ordem do dia boliviano, novamente.


Para nem mencionar a besta neonazista brasileira, Jair Bolsonaro.

 

Velho Filme 'Made in USA'

De atrocidade em atrocidade, a cultura de violência dos EUA diante do vergonhoso e conivente silêncio das "autoridades democráticas" globais: os decadentes chefes de Estado das grandes potências, e organizações de direitos humanos.

 

Mais recentemente, relacionado ao brutal assassinato do cidadão negro George Floyd por quatro policiais brancos em Minneapolis (Minnesota), em 25 de maio, filmado por uma das câmeras acopladas aos policiais envolvidos, que girou - e escandalizou - o mundo todo. Racismo estrutural, violência institucionalizada, silêncio estrondoso e conivente. Velho filme made in USA.

 

"Quando toda a humanidade pode olhar para aquele vídeo e dizer: 'Isso é repugnante, isso é inaceitável', e, de alguma forma, o fato termos quatro oficiais no vídeo que - três dos quais sentados lá ajudarando a manter o senhor Floyd abaixado, ou ficaram de guarda no incidente enquanto aquilo acontecia, trata-se de um insulto incrível à humanidade", disse Melvin Carter, prefeito de St. Paul, Minnesota ao The New York Times.

 

"Quando você tem quatro policiais no vídeo, todos responsáveis pela morte de George Floyd, isso aponta para uma cultura normalizada, uma cultura que é aceita", disse o prefeito Carter, cujo pai é policial aposentado de St. Paul, rejeitando o conceito de que a morte de Floyd foi um incidente isolado, ou obra de um oficial desonesto.

 

Kuznick observa que mesmo antes do que ele qualifica de "doentia e insensível execução policial de George Floyd, em plena luz do dia diante de uma multidão de espectadores frenéticos", a sociedade americana era uma caixa de estopa pronta para explodir. 

 

"Bem mais de 100 mil pessoas já haviam morrido de Covid-19. Mais de 40 milhões haviam perdido o emprego nas últimas semanas. Desespero e frustração estavam aumentando. E então, a ocorrência de Minneapolis acendeu a chama e Donald Trump, com seus pedidos insanos de violência, lei e ordem, derramou gasolina sobre o fogo", lamenta o diretor de Estudos Nucleares da Universidade Americana de Washington D.C.

 

A pandemia causada pelo novo coronavírus tem sido catastrofica para os afro-americanos. Os negros são muito mais propensos do que os brancos a não ter seguro de saúde: 12,2% sem seguro contra 7,8% em 2018. Acima de tudo, porque eles têm mais problemas crônicos de saúde que tornam as pessoas vulneráveis à doença. 

 

Recente estudo da Health Affairs concluiu que os pacientes negros têm sido hospitalizados quase três vezes acima da taxa de pacientes brancos e hispânicos. Somente na cidade de Nova York, o coronavírus está matando negros e latinos o dobro da taxa comparada a cidadãos brancos, segundo dados divulgados pela cidade em abril.

 

Embora os negros constituam seis por cento da população adulta dos EUA, são aproximadamente 35 por cento da população prisional, e os réus negros em casos criminais federais recebem sentenças de prisão muito mais longas que homens brancos, de acordo com um estudo da Universidade de Michigan de 2014 intitulado Racial Disparity in Federal Criminal Sentences (Desigualdade Racial em Sentenças Penais Federais).

 

"Um em cada cinco americanos interage com a polícia anualmente. Desses encontros, um milhão resulta no uso da força. E se você é negro, tem duas a quatro vezes mais chances de ser abordado pelo uso da força que se for branco", diz um estudo do Center for Policing Equity.

 

De acordo com a Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (National Association for the Advancement of Colored People, NAACP),o s americanos negros são:

 

  • Presos cinco vezes mais que os americanos brancos;


• Condenados por delitos de drogas seis vezes mais, geralmente apesar das taxas iguais de uso de drogas;


• Cinco vezes mais passíveis de serem abordados sem justa causa, que uma pessoa branca; e,


• 65% dos adultos negros se sentiram alvo por causa da raça.

Um estudo de Pew Research de 2019 descobriu que:


• A maioria dos americanos negros e brancos diz que os negros são tratados com menos justiça do que os brancos no trato com a polícia e pelo sistema de justiça criminal como um todo;

• 84% dos adultos negros disseram que, ao lidar com a polícia, geralmente os negros são tratados com menos justiça do que os brancos; 63% dos brancos disseram o mesmo. Da mesma forma, 87% dos negros e 61% dos brancos disseram que o sistema de justiça criminal dos EUA trata os negros de forma menos justa;


• Os adultos negros têm uma probabilidade cinco vezes maior do que os brancos de dizer que foram injustamente impedidos pela polícia por causa de sua raça ou etnia (44% vs. 9%).

 

Tudo isso, à medida que a polícia dos EUA continua reprimindo ferozmente os manifestantes em todo o país: desde o assassinato de Floyd sob custódia policial, há dois meses, os manifestantes pacíficos foram gravemente feridos, presos e mortos injustificadamente. Outrossim, antigo movimento autoritário das forças do Estado americano.

 

'Excepcionalismo' Americano 

 

Em entrevista exclusiva a esta reportagem, Chomsky aponta o "excepcionalismo" como marca da sociedade americana, que criou e agrava um círculo vicioso de racismo e violência em todo o país norte-americano.

 

"Apesar de livre e progressiva em muitos aspectos, a cultura e a sociedade americanas não apagaram essas manchas profundas, como é óbvio no comportamento internacional e nos assuntos domésticos", diz Chomsky, a principal figura da filosofia analítica da história mundial.

 

"É claro que não é assim que a história e a sociedade norte-americanas costumam ser retratadas no sistema educacional, na mídia e nas instituições culturais", afirma o professor de Linguística da Universidade do Arizona na cidade de Tucson, onde mora com a esposa brasileira Valéria, desfazendo assim o mito dos EUA como um país fundado nos princípios de liberdade e justiça para todos.

 

"O povo americano aprende que os EUA são excepcionais desde o momento em que são capazes de caminhar e conversar", diz Kuznick. 

 

"Eles aprendem isso nas escolas. Eles veem isso na televisão e nos filmes. Isso é inquestionável no discurso político americano. Cega-os de ver o mundo da mesma maneira que outros cidadãos do planeta Terra" acrescenta o historiador, co-autor com o cineasta Oliver Stone de A História Não Contada dos Estados Unidos, e co-líder de Covid-19 Global Solidarity Coalition.  

 

Kuznick também aponta para a dessensibilização em relação a outros povos que a noção de ser "excepcional" provoca na sociedade americana.

 

"O fato, por exemplo, de que os EUA estão bombardeando pelo menos sete países de maioria muçulmana quase não causa alvoroço. Os EUA têm um império de aproximadamente 800 bases militares no exterior, enquanto o resto do mundo combinado, amigos e inimigos, tem menos de 100 pela definição mais abrangente, não é questionado," lamenta um dos historiadores mais renomados do mundo.

 

O historiador com residência na cidade de Bethesda, estado de Maryland, remonta a cerca de 400 anos atrás para explicar as origens do "excepcionalismo" americano:


"Vimos isso pela primeira vez no sermão de John Winthrop a bordo do Arbella, na baía de Massachusetts em 1630, quando ele disse aos futuros colonos que eles seriam como uma 'cidade sobre uma colina', e seu exemplo levaria o mundo cristão à salvação".

 

O pesquisador da Universidade Americana observa que o "excepcionalismo" americano expressa-se na noção de que os Estados Unidos não são apenas diferentes de outras nações: "São melhores do que outras nações". 

 

"Enquanto outros países são motivados pela ganância, pelo engrandecimento territorial ou pelo domínio geopolítico, os EUA, eles acreditam, é benevolente e altruísta apenas almejando espalhar liberdade e democracia", acrescenta Kuznick, apontando também que essa visão prevaleceu por séculos "ganhando ainda mais adeptos durante a Guerra Fria, e nos anos subsequentes," conclui o pesquisador.

 

Imbecis Graduados


educação americana, na opinião de Chomsky, é parte do que está "destruindo a sociedade [dos EUA] de várias maneiras", disse ele em uma entrevista em 2013 concedida a Daniel Falcone do sítio norte-americano de notícias e análises Truth Out.


"As escolas são projetadas para ensinar o que deve cair na prova. Você não precisa se preocupar com os alunos pensando por si mesmos, desafiando, questionando", observou o autor de mais de cem livros. "Uma maneira de transformar a população em um monte de imbecis.

 

Em relação aos sofrimentos dos afro-americanos, bem como sobre o genocídio dos nativos americanos, Chomsky também apontou o que chama de "ignorância intencional" a fim de evitar "verdades inconvenientes", em entrevista concedida a George Yancy para The New York Times, em 2015.

 

Fundação dos EUA

 

Chomsky, na entrevista a Yancy, apontou que em 1629 a Colônia da Baía de Massachusetts praticou o primeiro caso de "intervenção humanitária" no mundo, declarando que a conversão dos índios ao cristianismo era "o principal objetivo desta plantação".

 

A religião seria usada, desde então, como ferramenta para manipular a opinião pública e justificativa para exportar o imperialismo dos EUA, do século XIX até os dias de hoje. 

 

William Branham (1909-1965), teólogo protestante que inspirou o "presidente da guerra" George W. Bush - como ele se denominava -, foi o idealista da imposição dos valores dos EUA em todo o mundo "através do poder da espada" para, de acordo com sua "doutrina", salvar o planeta do mal com o American Way of Life (Estilo de Vida Americano). Eis o fundamento do "excepcionalismo" americano.

 

A organização americana de extrema-direita Ku Klux Klan, que prega a supremacia branca, também baseia-se na religião - sob premissas evangélicas - para realizar seu "terrorismo cristão", especialmente contra os negros.


Na entrevista de Chomsky a esta reportagem, ele aponta que a Revolução Americana foi um recurso que os colonos encontraram para combater os britânicos, que haviam barrado a invasão do "País Indígena".


O governo britânico tentava, então, estabelecer um "Estado de barreira indígena" na parte da reserva a oeste das montanhas Apalaches, terra natal de muitas nações nativas.


"Os colonos queriam conquistar e estabelecer-se nesses territórios, assim como grandes especuladores de terras tais como George Washington", diz Chomsky.

"Assim que a barreira britânica foi removida, as invasões começaram, configurando-se, praticamente, guerras de extermínio conforme a liderança mesmo reconheceu ", observa o analista, acrescentando que aquelas guerras persistiram durante todo o século XIX, e além.

"E, ao longo do caminho, os EUA conquistaram metade do México. A partir daí, quase sem interrupções. Lamentações sobre as 'guerras sem fim' de Washington neste milênio são mentirosas."

 

'Escravidão com Outro Nome'

 

Peter Kuznick remonta às Colônias Britânicas na América para explicar o racismo e a violência resultante contra os negros, "desde que os primeiros escravos foram trazidos para a América". 

 

"Pode-se até rastrear o comércio de escravos americano de volta a Columbus e as origens dos brutais Conquista européia das Américas".


"Ao mesmo tempo, os EUA instituíram o sistema mais cruel da escravidão na história da humanidade. Era, crucialmente, a escravidão baseada em raça, ao contrário da maioria das outras, por isso a marca da escravidão persiste", diz Noam Chomsky.

 

A mensagem de igualdade "entre os homens (...), com certos direitos inalienáveis, entre os quais a vida, a liberdade e a busca da felicidade" contida na Declaração de Independência dos EUA de 1787, trata-se de um conjunto de letras mortas utilizada nada mais que como negação ideológica radical de suas estruturas raciais. Um dos vários mitos americanos criados ao longo da historia. Neste caso, base (de areia) da "América livre". Fato claramente visto através da violência policial racista - racismo inerente à instituição do policiamento nos EUA.

 

Uma amarga ironia relacionada à Declaração, é que ela protegia diretamente a escravidão proibindo a abolição do tráfico de escravos antes de 1808.


"Formalmente, a escravidão terminou após a guerra civil e, de fato, os negros tiveram uma década de liberdade, que eles usaram de maneira muito eficaz", observa o professor de linguística, apenas para lembrar que o curto período de esperança negra na América logo "terminou com um Compacto Norte-Sul em 1877, que permitiu aos antigos estados escravos fazer o que quisessem ".

Segundo Chomsky, o que as elites americanas fizeram foi introduzir "escravidão com outro nome".

"O dispositivo era criminalizar a vida negra. A população negra encarcerada tornou-se uma força de trabalho maravilhosa para o agronegócio e a revolução industrial no Sul - não se preocupa com disciplina, salários, direitos dos trabalhadores. As quadrilhas são um símbolo familiar".

"Isso durou praticamente até a Segunda Guerra Mundial, junto com uma discriminação severa no norte. Depois, seguiu-se um período de liberdade formal", diz Chomsky. Na pós-Segunda Guerra Mundial, o mundo precisava de trabalho livre para a indústria da guerra, o que favoreceu os negros.


Mas essa liberdade era muito limitada, segundo o analista. "Por exemplo, Federal Housing e apoio ao ensino superior foram negados aos negros". 

 

Chomsky acrescenta: "Em 1980, com Reagan, um novo programa de criminalização começou, chegando ao presente".

De acordo com um estudo do US Census Bureau de 2018, revisado em junho de 2020, a renda mediana real de 2018 de famílias brancas não hispânicas era de 70.642 dólares, enquanto as famílias negras atingiam 41.361 dólares (página 4).


Como a taxa de pobreza para brancos não hispânicos, o estudo concluiu, era de 8,1% em 2018, a taxa de pobreza para negros era de 20,8% em 2018 (página 20).

Uma pesquisa de Pew Research Center de 2019 constatou que mais de oito em cada 10 adultos negros dizem que o legado da escravidão ainda afeta a posição dos negros americanos hoje. Metade diz que é improvável que os EUA atinjam a verdadeira igualdade racial.

 

Guerra contra a Pobreza

A discriminação contra negros é fortemente alimentada pelas classes dominantes, a fim de usar o "excedente" social, através da massa de pessoas desempregadas, como força de trabalho barata.

Isso nada mais é que a lógica perversa do sistema capitalista desenvolvida, especialmente, a partir da Revolução Industrial que atingiu o pico na primeira metade do século XIX.

No imaginário coletivo, trata-se do bem conhecido "saneamento público", uma limpeza pública para separar as pessoas "úteis" do "excedente" social, algo inerente ao capitalismo se justifica para aqueles considerados "cidadãos de segunda classe". (Em muitos países da América Latina, como Bolívia e Brasil, "animais").


Vale notar, também, que o sistema capitalista, especialmente seus impérios, precisa de inimigos para justificar políticas rígidas e guerra, dentro das respectivas nações e no exterior.

Criminalizar a pobreza é, obviamente, a alma do negócio. Pobreza cujo icone sao, exatamente, os negros. Índios, ícones de um mundo não civilizado.

 

País da Guerra

As bombas atômicas lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945, e crimes como a prisão de Abu Ghraib, no Iraque, em 2003, e o assassinato de inúmeros inocentes no Afeganistão pelas forças armadas dos EUA, são sem dúvida o subproduto do auto-imaginado excepcionalismo americano.


Tanto quanto sao conseqüências naturais da raça "excepcional americana o Destino Manifesto, que abre caminho para guerras de" extermínio " como suas figuras mais proeminentes reconheceram, notadamente seu arquiteto John Quincy Adams (Chomsky, "Worship of Markets" Is Threatening Human Civilization, C.J. Polychroniou, 2019, em Truth Out), e a Doutrina Monroe, declaração de hegemonia e direito de intervenção unilateral sobre as Américas segundo Chomsky, seguida pela "política" do Big Stick (Grande Porrete) do presidente Theodore Roosevelt (1901-1909), que permitiu aos EUA militarmente invadir países latino-americanos 47 vezes entre 1846 e 2000, desde a invasão do México até a intervenção na Colômbia.


"Os Estados Unidos são um país raro, em guerra quase todos os anos desde o primeiro dia de sua fundação", aponta Noam Chomsky para esta reportagem, "sem dúvida o intelectual mais importante que existe hoje", segundo The New York Times.

 

Dada a violência doméstica estimulada pela mídia, aliada aos terríveis exemplos de truculência e autoritarismo de política externa americana que impõe seus interesses através do uso da força sem limites por todo o planeta, conclui-se naturalmente que a polícia americana e a sociedade em geral não poderiam ser diferentes do que o mundo assiste, cada vez, mais dramaticamente: tiroteios sem fim, e um genocídio histórico institucionalizado contra pessoas não brancas no "País da Liberdade".

 

'Bandido na Casa Branca'

Embora os protestos pacíficos na América após o assassinato de Floyd, fortemente reprimidos por policiais e militares sob um enfurecido Donald Trump, tenham sido os mais significativos desde a agitação popular de 1968 após o assassinato de Martin Luther King Jr., eles levantam duas questões fundamentais neste período histórico dos EUA:

Como a atual pressão popular poderia realmente transformar a cultura americana de violência e racismo;

E, a curto prazo, os protestos podem enfraquecer o presidente Trump, especialmente nas próximas eleições presidenciais de novembro, um racista autodeclarado e presidente excesivamente elitista que se atreve a agir ilimitadamente acima da lei?

Segundo Chomsky em entrevista recente a Amy Goodman da rede de noticias de TV Democracy Now!, o presidente "sociopata" Trump se comporta como autocrata e ditador. 

 

"Bandido na Casa Branca", disse abertamente a Amy o analista que representa "uma das 10 fontes mais citadas nas ciências humanas - junto com Shakespeare e a Bíblia", segundo o jornal britânico The Guardian.

 

Bandido-chefe que siplesmente alimenta as chamas do fogo nacional que se seguiu ao assassinato de Floyd.

 

Ventos da mudança?

"Os ventos estão soprando; a grande mudança está por vir" (John Lewis)


"Sem justiça, não há paz" e "Precisamos de justiça, precisamos de amor", manifestantes majoritariamente pacíficos têm gritado nas ruas dos Estados Unidos desde que George Floyd foi morto em Minneapolis.

 

Eric Wood disse à BBC: "Estou aqui porque não podia mesmo dar-me ao luxo de não estar presente. O racismo faz parte dos EUA há muito tempo".

Crystal Ballinger, 46, disse que se sentiu esperançosa com o movimento desta vez. "Sinto algo diferente nesre protesto... Espero que a mensagem de solidariedade e igualdade estejam sendo divulgadas".


Enquanto Donald Trump e a Fox News fazem coro sobre o que vêem como "uma conspiração de esquerda"A ser duramente reprimida, o que tem efetivamente ocorrido. O presidente dos EUA e a rede de TV americana de extrema direita justificam a repressão especialmente sobre as práticas de violência do movimento de esquerda Antifa.

 

Questionado por esta reportagem se acredita que os protestos atuais são realmente pela violência policial contra afro-americanos, o agente denunciatnte da C.I.A. John Kiriakou acredita firmemente que sim. 

 

"A polícia não vê vidas negras da mesma meneira que enxerga aos brancos. A polícia usa táticas ilegais e fascistas, matando pessoas negras o tempo todo impunemente. Isso tem que acabar", observa o denunciante, amplamente premiado nos EUA pelo corajoso ativismo como oficial de inteligência em prol da transparência, justiça e democracia.

 

Sobre a Antifa, Kiriakou afirma que o movimento praticamente não existe. "É apenas um grupo de indivíduos sem liderança, sem estrutura e sem ideologia. Foi a direita que transformou isso em um grande negócio."

 

Envolvido diretamente na conversa com esta reportagem, Kuznick concorda com Kiriakou. "Trump e os direitistas inventaram a Antifa para levantar o receio de uma anarquia, a fim de justificar a repressão. O que está ocorrendo aqui [protestos] é notavelmente positivo. Não se pode enganar a mídia de direita".

 

"Donald Trump, fanático impenitente e candidato a durão, fez tudo o que pôde para semear divisões na sociedade sobre as linhas raciais e explorou esta crise atual a fim de melhorar as chances de reeleição", diz o historiador americano de renome mundial.

 

Questionado se as atuais revoltas nos EUA vão enfraquecer Donald Trump para a eleição presidencial de novembro, Chomsky diz que espera, mas não é óbvio. 

 

"Ele pode, de fato, usar os protestos atuais sobre o assassinato policial de George Floyd a seu favor, jogando a carta de ordem e lei que é uma segunda natureza para os autoritários brutais", considera o intelectual.

 

"Ele mantém o apoio de seu círculo eleitoral primário, a extrema riqueza e o poder corporativo a quem serviu lealmente. Também, o apoio de um enorme bloco de votos de cristãos evangélicos, junto com brancos rurais e suburbanos relativamente ricos, supremacistas brancos e alguns outros setores com quem ele lidou com o brilho de um homem de confiança qualificado - apunhalando-os pelas costas com seus programas legislativos, enquanto se apresenta como seu fiel salvador."


Kuznick acredita firmemente que os protestos são altamente promissores, especialmente porque os Estados Unidos, agora, testemunham mais ativismo branco do que tem sido visto em décadas:

"Uma das coisas de que mais gosto é o grande número de brancos que participam. Isso me lembra os melhores dias do Movimento dos Direitos Civis, que foi um movimento inter-racial".


Chomsky concorda com Kuznick, comparando especialmente os levantes atuais aos protestos de Los Angeles em 1992 pelo assassinato de Rodney King por policiais brancos:

"A reação desta vez é muito diferente. Isso reflete a crescente conscientização da patologia racista entre, pelo menos, partes da população."

"Na verdade, vemos algumas pequenas sementes da solução na reação ao brutal assassinato de Floyd", diz o ativista anti-guerra mais famoso do mundo.

"Há um longo caminho a percorrer, mas o principal desafio é continuar e escalar este processo - enquanto se afasta dos esforços inevitáveis de Trump e seus parceiros para restaurar uma versão ainda mais severa do que nos precede", conclui Noam Chomsky.
 

Um caminho rumo ao pagamento da grande dívida dos EUA com os negros. Afinal, não pode existir democracia em um país que não enfrenta racismo, violência policial e um sistema de justiça tendencioso.


Além da questão racial, estão em jogo os problemas sociais e econômicos muito sérios dos problemas dos EUA que a ditadura bipartidária americana historicamente se recusou a enfrentar.

 

 

"A semente do racismo está fortemente arraigada ao coração da maioria dos brancos americanos desde o início do País. Essa semente do racismo enraizou-se tão profundamente no subconsciente de muitos brancos americanos, que eles próprios nem sequer sabem da sua existência que podem, contudo, ser facilmente detectados em seus pensamentos, palavras e ações.

 

"A consciência dos EUA está falida. O País perdeu toda a consciência há muito tempo. Tio Sam não tem consciência. Eles não sabem o que é moral. Eles não tentam eliminar um mal porque é mau, ou porque é ilegal, ou porque é imoral; eles o eliminam apenas quando isso ameaça sua existência. Assim, perde-se tempo apelando para a consciência moral de um homem falido como Tio Sam. Se ele tivesse consciência, endireitaria essa situacaoção   sem exercer mais pressão sobre ela." Malcolm X

 

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