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O Novo Presidente da Colombia é um Criminoso Milionário

19.08.2010
 
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Em Março de 1984 as FARC aceitaram a proposta do presidente Belisario Bettencourt para lutarem no quadro das instituições ditas democráticas, renunciando à luta armada. E que aconteceu?

Fundou-se um partido progressista, a União Patriótica, que participou em eleições. A UP elegeu muitos senadores, deputados, autarcas (vereadores e prefeitos). A resposta do Poder foi uma repressão politica bárbara. Em três anos foram assassinados mais de 3000 parlamentares, juízes, autarcas, dirigentes sindicais, supostamente ligados às FARC, num genocídio político sem precedentes.

Para sobreviverem, as FARC retomaram a luta armada.

Até a questão dos prisioneiros é colocada capciosamente por Santos. Reclama tudo sem oferecer nada em troca.

Pessoalmente, desaprovo os sequestros. Mas não posso ignorar que o governo mantém nos seus presídios, em condições sub humanas, milhares de guerrilheiros. E recusa-se ao intercâmbio humanitário, isto é, a libertação de uma parte desses presos, trocando-os por «reféns» – a maioria dos quais militares capturados em combate – em poder das FARC-EP.

Nas fossas de La Macarena, na Amazónia, recentemente descobertas, foram encontradas as ossadas de milhares de cidadãos assassinados pelo Exército da oligarquia durante as perseguições contra pessoas suspeitas de ligações com a União Patriótica e as FARC-EP.

Como confiar na palavra de Juan Manuel Santos, o responsável pela chacina de Sucumbios?

Estou certo de que Chavez não tardará a arrepender-se de haver acreditado na promessa de uma relação «transparente, democrática e respeitosa» feita por um politico corrupto e criminoso que, inevitavelmente, vai dar continuidade à estratégia agressiva e de ultra direita imposta por uma oligarquia de cujos interesses é o representante na Casa de Nariño.

Surpreende também que, sendo hoje Hugo Chavez na América Latina o pioneiro, quase o motor, da contestação ao imperialismo – pelo que merece o apoio e admiração das forças progressistas do Continente – não tenha levantado em Santa Marta o tema da instalação de 7 novas bases militares dos EUA na Colômbia. Esquecendo que na UNASUL afirmou que essas bases configuram uma ameaça inadmissível à independência dos povos da América Latina, afirmou que cada país tem o direito soberano de decidir sobre problemas como esse.

HERÓIS DA AMÉRICA LATINA

Inspira-me repugnância a terminologia utilizada pelo governo e o Exercito da Colômbia para designar as FARC-EP, terminologia aliás perfilhada pela ONU, pela União Europeia e os media dos EUA e da Europa.

Alem de terroristas é lhes colado o anátema de narcotraficantes.

O slogan «guerrilha do narcotráfico» – expressão forjada por um ex embaixador dos EUA, Louis Stamb, ligado ao Pentágono e à CIA – para desacreditar as FARC, difundido urbi et orbi atingiu o seu objectivo tão amplamente que inclusive intelectuais comunistas assimilaram a calunia. A campanha é de tal intensidade que canais de televisão e jornais se referem rotineiramente a «fábricas de cocaína» instaladas pelas FARC na selva amazónica.

Tivessem as FARC acumulado milhões com o narcotráfico e disporiam de mísseis terra – ar como as organizações de resistentes no Afeganistão e no Iraque. Ora o próprio governo de Bogotá reconhece que elas não dispõem de armamento desse tipo. Mas somente aqueles que conhecem as condições de pobreza em que vivem na clandestinidade os representantes das FARC no exterior – é o meu caso - sabem que o folhetim da «guerrilha do narcotráfico» é uma perversa invenção do imperialismo.

A vida abriu-me a oportunidade de passar semanas num acampamento das FARC, no Departamento amazónico do Meta. Nesses dias conheci combatentes maravilhosos como Simon Trinidad, entregue por Uribe aos EUA e actualmente preso ali após três julgamentos de farsa (dois foram anulados). Condenaram-no finalmente por narcotraficante.

Foi também então que construí uma relação de respeito e admiração que evoluiu para a amizade com o comandante Raul Reyes. Mantivemos contacto até que o assassinaram em Sucumbios, a sul do Putumayo, no bombardeamento pirata concebido por Juan Manuel Santos.

Com Manuel Marulanda, o fundador das FARC, falei uma única vez por breves minutos. Mas guardo desse revolucionário, comunista exemplar e estratego militar talvez sem par na Historia da América, uma lembrança inesquecível.

Quando leio acusações infames contra os combatentes das FARC recordo sobretudo Rodrigo Granda, aliás Ricardo Gonzalez, amigo fraternal e um dos revolucionários mais puros e autênticos que a vida me permitiu conhecer.

Recordando combatentes das FARC-EP, mortos, presos ou lutando nas montanhas e selvas do seu pais, é natural, repito, que me inspirem repugnância os elogios hipócritas a um criminoso como Juan Manuel Santos.

É a esse ser abjecto que a burguesia internacional rende nestes dias homenagens enquanto despeja calunias sobre os comandantes das FARC que se batem por uma Colômbia livre e democrática.

Uma certeza: os nomes de Uribe e Santos e da escoria humana que os apoia serão esquecidos pelas futuras gerações.

Não os de Manuel Marulanda, Jacobo Arenas, e Raul Reyes. Com o passar dos anos, a calúnia deixará de os atingir. Eles contribuíram para a construção da História profunda, na fidelidade a valores permanentes da condição humana. Assumiram os ideais pelos quais viveram e se bateram heróis tutelares da América Latina como Bolívar, Artigas, Marti.

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