Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Escudo anti-míssil: Desafiando toda a lógica

Lisa Karpova, correspondente da PRAVDA.Ru nos EUA/Canadá, faz uma análise da questão do escudo anti-míssil: biliões de dólares que custaram muito aos cidadãos ganharem serão gastos num plano ineficaz para tornar os EUA invulneráveis, segundo plano de Bush. Entretanto, milhões de norte-americanos não têm acesso a qualquer plano de saúde!

A proposta de Bush visa desperdiçar biliões de dólares, que custaram muito a ganhar pelos contribuintes num plano ultrajante de tornar os EUA invulneráveis, enquanto milhões de norte-americanos carecem de qualquer plano de saúde! O escudo anti-míssil não é necessário, desafia toda a lógica e a maioria dos peritos questionam o raciocínio da Administração de Presidente Bush. O plano está sendo patrocinado pelos neoconservadores pró-guerra (lobby das armas) na administração de Bush que quiseram sempre aumentar as tensões com a Rússia.

De acordo com a Administração de Bush, o escudo é suposto prevenir um ataque oriundo da R.I. Irão ou RDP Coréia. Tal plano ignora o fato que nenhuma destas nações é capaz de lançar tal ataque num futuro previsível. E alem disso, nenhum dos dois atacou seus vizinhos na hisória recente.

Uma análise deve ser feita acerca da verdadeira razão atrás deste plano para um escudo anti-míssil. Uma possibilidade é que os EUA planejam um ataque contra o Irão. A segundo razão, mais plausível, seria usar o escudo para ganhar uma vantagem estratégica sobre a Rússia, estendendo até aos Urais a capacidade dos EUA investirem no coração da Federação Russa. Vladimir Putin advertiu que o escudo "tornará Europa num paiol".

A maioria dos cidadãos da República Checa e na Polónia se opõem ao plano de colocar o escudo anti-missil no seu solo e tentam organizar um plebiscito. Cientes de que um plebiscito mataria o negócio, os governos da Polônia e da República checa tentam angariar meios para negar aos seus cidadãos qualquer palavra na questão.

Como um jogador de xadrez, com grande astúcia, Vladimir Putin fez propostas alternativas, que os Estados Unidos usassem um radar russo em Azerbaijão, perto da fronteira iraniana, em vez de colocar um escudo na Europa. Ele também ofereceu o uso de outro radar em Armavir no sul da Rússia. Moscou propôs criar um sistema unificado de defesa anti-míssil até 2020 com acesso aos controlos do sistema por todos os interessados. Estas propostas pegaram a Administração de Bush desprevenida até que conseguisse inventar desculpas para rejeitar a proposta.

História

Desde a dissolução em 1991 da União Soviética e o Pacto de Varsóvia Pacto, OTAN ainda não se apercebeu que a sua missão falhou rotundamente. A OTAN serviu apenas para ser um fator importante de destabilização na Europa. Infelizmente, instituições tal como OTAN têm de tentar perpetuar-se e encontrar novas razões para existir, ainda que signifique transgredir a sua própria Carta, por exemplo a agressão recente contra Jugoslávia. Os EUA continuam a manter uma presença militar permanente em Europa: 300.000 soldados em Ramstein, Alemanha, e Aviano, Itália.

Nos anos 60, houve a crise dos mísseis na Cuba e Turquia. Os Estados Unidos sentiram-se justificados para ameaçar guerra nuclear se os mísseis não fossem retirados imediatamente da região (a por sua vez, mísseis dos EUA foram retirados da Turquia) mas hoje, a administração dos EUA pretende instalar tecnologia de mísseis nas portas da Rússia.

Conclusão

Será que alguém pode explicar por que razão a Rússia deve aceitar esse plano sem lógica da Administração de Bush de posicionar um escudo anti-balístico nas suas fronteiras? Estrategicamente, o escudo não tem qualquer sentido. Até analistas norte-americanos acham-no extremamente provocante por ser um sistema com duvidosa validade defensiva contra uma ameaça que simplesmente não existe. Como pode não ser interpretado como uma acção hostil para a Federação Russa?

O Ocidente quebrou todas as promessas de não colocar a infra-estrutura da OTAN no Leste da Europa. Porém, face a uma ausência de ameaça – a U.R.S.S. e o Pacto de Varsóvia já não constituem factor de desestabilização – a OTAN continua a expandir. Esta expansão absurda acontece ainda por cima numa altura em que a União Europeia faz os primeiros passos para constituir a sua própria aliança militar para a segurança coletiva.

O antigo Vice-Presidente Al Gore disse sobre esse assunto, "A busca de "domínio" em política externa fez com que a administração de Bush ignorasse a ONU, colocasse tensões nas nossas alianças mais importantes, transgredisse a lei internacional, e cultivasse o ódio e desprezo de muitos cidadãos no resto do mundo. O apelo sedutor de exercitar o poder unilateral fez com que este presidente interpretasse os seus poderes sob a constituição, de uma maneira que teria sido rotulado de pesadelo pelos Fundadores da Nação. Qualquer política baseada em dominar o resto do mundo só cria inimigos para os EUA e recrutas para al-Qaeda, mas também subverte a cooperação internacional que é essencial para derrotar os terroristas, que desejam prejudicar e intimidar a América".

Para Al Gore, "em vez de 'domínio ', devemos procurar supremacia num mundo onde as nações respeitam-nos, procuram seguir a nossa liderança e adotar nossos valores…Com o fracasso claro deste governo em respeitar a regra da lei, nós encaramos um grande desafio agora para restaurar a autoridade moral dos EUA na comunidade internacional. Nossa autoridade moral é nossa maior fonte de força. É nossa autoridade moral que descuidadamente foi colocada em risco pelos cálculos erróneos deste presidente teimoso".

Há que perguntar por que as palavras sábias do Sr. Gore passam despercebidas. A oferta de Moscou para formar um escudo para uso colectivo foi recusada. Isto confirmou que os norte-americanos pretendem prosseguir com os seus próprios planos para estabelecer um sistema de "defesa" na Europa Oriental e prova que são determinados a excluir e obstruir a Rússia de qualquer envolvimento neste plano.

"Penso que os russos, depois de um período de dizer somente não, não, não relativamente a aquilo que nós pretendemos fazer em termos de defesa anti-mísseis, decidiu apresentar algumas ideias," disse Condoleeza Rice numa entrevista com CNBC no sábado. "Agora, nós não concordamos; acreditamos que nós ainda necessitamos continuar a prosseguir com o plano na República Checa e Polônia". Senhora Rice acrescentou que a defesa anti-míssil ainda podia ser uma área onde a cooperação “EUA-Rússia poderia fazer um pulo gigantesco". Que tipo de cooperação poderia ela estar referindo, dado a intransigência da Administração de Bush e a sua rejeição das propostas do Presidente Putin?

O Vice-Primeiro-Ministro russo, Sergey Ivanov, disse que um escudo anti-míssil na Europa seria uma ameaça à segurança da Rússia porque radares dos EUA seriam apontados contra a Rússia, controlando seu território até as Montanhas Urais. As propostas constituem "uma ameaça evidente" para a Rússia e "traça uma nova linha divisora – como uma nova Muralha de Berlim," Ivanov disse numa entrevista na canal de TV Rossiya. "Se nossa proposta não for aceite, tomaremos medidas adequadas. Uma resposta assimétrica e eficiente será lançada. Sabemos que faremos isto," Ivanov disse ao Interfax. Adiantou que se as ofertas russas não forem aceites, o Kremlin consideraria novas unidades instalando foguetes na parte europeia do país, incluindo na região mais ocidental, Kaliningrad.

Ação

É a altura para grupos de paz empenharem-se em acções de diplomacia de cidadão para prevenir uma plena escalada de tensões e retorno à Guerra Fria. Também se propõe que os países participando nos planos da Washington sejam sujeitos a sanções pelos cidadãos do mundo que amam a paz. Mensagens de protesto devem ser enviadas a funcionários desses países (República Checa e Polónia) informando-os que haverá conseqüências se participam. A incompetência da administração de Bush coloca os cidadãos do mundo em mais perigo do que qualquer terrorista os “estado paria” poderia efectuar.

Os norte-americanos e cidadãos da União Europeia devem levantar as suas vozes sobre o escudo anti-míssil, que não só ameaça a segurança e estabilidade na Europa, mas também em toda a comunidade internacional.

Lisa KARPOVA

PRAVDA.Ru

EUA/CANADÁ