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Supressão dos eleitores de Trump não criará estabilidade duradoura

15.01.2021
 
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Supressão dos eleitores de Trump não criará estabilidade duradoura 

14/1/2021, Moon of Alabama


Alguém na CNN recebeu a tarefa de escrever matéria dramática sobre um bravo congressista democrático que não fugiu e confrontou os invasores do Capitólio.


Como um rápido impeachment nasceu em território sitiado

Agitadores ainda saqueavam os salões do Capitólio dos EUA quando dois Democratas isolados juntos em lockdown no prédio dos gabinetes da Câmara de Representantes, no outro lado da rua, começaram a rascunhar a resolução de impeachment que levou a um segundo e sem precedentes impeachment do presidente Donald Trump quase exatamente uma semana depois.

Ted Lieu, Representante da California, foi forçado a evacuar seu gabinete no Cannon Office Building, com insurrecionistas convergindo sobre o Capitólio. Com um pé-de-cabra que encontrou no gabinete, Lieu disse que ele e seu chefe de gabinete chamaram o principal assessor do Representante de Rhode Island, David Cicilline, enquanto andavam pelas salas, e perguntaram se podiam abrigar-se no gabinete de Cicilline, no Rayburn House Office Building. ...


Imediatamente depois que a história foi publicada, alguém (verificando se seria verdade? O próprio Lieu?) deve ter lembrado à CNN que pé-de-cabra é instrumento pouco provável, num gabinete de representante do povo.

A história era implausível e teve de ser modificada. Reapareceu com uma correção: "Versão anterior informava, erroneamente, que o Rep. Ted Lieu teria apanhado um pé-de-cabra antes de deixar seu gabinete. Lieu apanhou uma barra de cereais ProBar."



amplie, para ler melhor


O pé-de-cabra (ing. crowbar) foi substituído por publicidade 'inserida em cena': "barra de cereais ProBar".

É apenas um exemplo do jornalismo repugnante sobre o impeachment de Trump, distribuído pela mídia que Trump chamava de "librul" (liberal, palavra que, em inglês dos Republicanos significa "de esquerda". NTs).

Entenderam absolutamente nada, coisa alguma:


Michael Tracey @mtracey - 6:14 UTC · Jan 14, 2021
Virtualmente ninguém em toda a cobertura feita pela mídia-comercial sequer se deu o trabalho de anotar a violência e o radicalismo do que houve hoje. Impeachment "a jato", com não mais de duas horas de debate, que decidiu que seria "alto crime" que o presidente praticasse discursos políticos.


A campanha anti-Trump, de Russiagate e Ucraniagate até a loucura dessa dita 'insurreição', fez provavelmente mais mal aos EUA que tudo que Trump tenha conseguido fazer em seus quatro anos de governo. A hostilidade que os Democratas manifestaram gerará revide monumental. Será que realmente creem que possam suprimir os 74 milhões de eleitores de Trump?

Como diagnostica M.K. Bhadrakumar:


Para o mundo externo, o Impeachment 2.0 de Trump só pode ser definido como 'julgamento de beira-de-estrada'.

...

O projeto em curso, para 'aprovar' um segundo impeachment contra o presidente Donald Trump em pouco mais de um ano, é farsa (...).

De modo algum, em nenhum momento, o que aconteceu em Washington, DC, dia 6 de janeiro, foi "insurreição". Claro, havia cidadãos norte-americanos por trás do sítio ao prédio do Capitólio. Mas aí terminam as semelhanças. De modo algum aquelas pessoas poderiam ter usurpado o poder nos EUA na 4ª-feira passada. De fato, até o vandalismo foi efeito, integralmente, da inépcia do pessoal de segurança ali presente.

...

O que garante que outro Trump não brotará de dentro das gangues que comandam a política nos EUA, e vá em busca do povo, diretamente? O fato relevante é que a base de apoio de Trump ainda é motivo de feroz inveja de todos os políticos nos EUA. 70 milhões de norte-americanos votaram em Trump em novembro passado. Essa base massiva de apoio sentir-se-á alijada, descartada ou desempoderada por isso que, agora, as velhas raposas 'políticas' de sempre estão perpetrando na Colina do Capitólio.

O paradoxo real é que as gangues que sitiaram o prédio do Capitólio eram constituídas em vasta maioria de norte-americanos das classes médias - pequena burguesia, ou "classes em transição", como Karl Marx descreveu-as.

...

Que ninguém se engane. Essa classe está aí, chegada para ficar nos EUA. E se a recuperação econômica pós-pandemia não acontecer estupendamente bem, ou se for mal gerida, essas fileiras engrossarão mais e mais. Esse será o verdadeiro desafio à espera de Biden, ainda que Pelosi consiga despachar Trump para as trevas políticas mais distantes e selvagens.


A volta do cipó de aroeira sobre o lombo de quem mandou bater, nesse impeachment de Trump, será terrível. Pode assumir a forma de raros eventos de real terrorismo doméstico. Mas o mais provável é que cresça e engrosse, como onda, mediante atos menores, de desobediência civil. Há muita coisa que a pequena burguesia pode sabotar. A CIA já escreveu e publicou prateleiras e mais prateleiras de material, dirigido a outros povos, em outros países, sobre o quê fazer e como.


Feisal al-Istrabadi فيصل الاسترابادي @FIstrabadi - 00:03 UTC · 14 Jan 2021
Joy Reid acaba de falar no canal MSNBC sobre a necessidade de "des-Baath-izar" o Partido Republicano, para expurgá-lo das influências trumpistas.


Excelente lembrança! Deu muito certo no Iraque.

Os Democratas não são estúpidos. Sabem que estão provocando mais e mais agitação. Usarão o que vier para conseguir aprovar medidas cada vez mais autoritárias, que agradarão aos poderosos.

É estratégia de supressão que várias vezes funcionou em outros países. OK. Funcionou. Por pouco tempo. E não levou a estabilidade de longo prazo. (Postado dia 14/1/2021, 17:45 UTC) *******