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Cindy Sheehan: Cuba envia médicos ao mundo e os EUA, tropas

14.07.2020
 
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Cindy Sheehan: Cuba envia médicos ao mundo e os EUA, tropas

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Por Deisy Francis Mexidor Havana, (Prensa Latina) A diferença entre Cuba e os Estados Unidos em qualquer crise do mundo é que enquanto vocês enviam médicos, professores e engenheiros, meu país sempre manda tropas, afirmou a ativista Cindy Sheehan.

Ao elogiar a vocação solidária da nação caribenha, Sheehan afirmou, em entrevista exclusiva à Prensa Latina, apoiar plenamente a proposta de indicar as brigadas médicas do contingente internacional Henry Reeve para o prêmio Nobel da Paz 2021.

'Não acho que exista ninguém, nem nenhuma organização que o mereça mais', enfatizou esta mulher ao mesmo tempo enérgica, convicta e doce nascida em Inglewood, uma cidade do condado de Los Angeles, Califórnia, em um dia 10 de julho há exatamente 63 anos.

Penso ? disse ? que também seria 'um prêmio para a Revolução cubana e uma honra para o povo de Cuba, que merece ser recompensado por sua longa dedicação e luta por um país e um mundo melhor'.

A pacifista afirmou ter viajado muitas vezes à maior das Antilhas, onde 'conheci muito bons médicos e outros profissionais da medicina e realmente admiro o empenho de Cuba com a saúde de seu povo'.

Por décadas ? apontou ? Cuba tem sido alvo do imperialismo racista dos Estados Unidos, que a ilha pode combater com a força de sua revolução, sem renunciar aos direitos humanos de seus cidadãos e à solidariedade internacional.

Reconheceu que é um privilégio ter um governo como o de Cuba, em que se pode confiar e que sabemos se ocupará das necessidades da população. 'Vocês têm um sistema de saúde melhor que nós', enfatizou.

Lembro de 2005, quando o furacão Katrina destruiu Nova Orleans ? dimensionou Sheehan ? e que os médicos cubanos estavam prontos para ajudar, mas o governo dos Estados Unidos se negou.

Relatou que desde que seu filho (Casey Sheehan) morreu em 2004 durante a guerra declarada pelos Estados Unidos contra o Iraque, ela pôde viajar a Cuba e foi também à Venezuela. A colaboração entre as duas nações 'sempre me inspirou muito', destacou.

No entanto, a atenção médica aqui nos Estados Unidos é patética e está baseada no lucro em lugar da saúde das pessoas, lamentou Cindy, ao afirmar que 'a maioria das pessoas não confia em nossos governos (estatais ou federais) e com razão porque nunca tiveram o interesse do povo como prioridade'.

Autora do livro ?Peace Mom: A Mother's Journey Through Heartache to Activism' (Mamãe da Paz: A viagem de uma mãe através da angústia ao ativismo) publicado em 2006, atualmente mantém seu podcast Cindy Sheehan's Soapbox, e participa da campanha Justice for Covid-19 Eldercide (www.justiceforcovid19eldercide.com), que tenta proteger pessoas doentes ou deficientes.

'A liderança aqui é lamentável. Não temos atenção médica garantida. Ao redor de 40 milhões de pessoas não têm plano de saúde e milhões mais que não têm um bom plano médico, por isso nem sequer temos uma qualidade de atenção regular', apontou.

No meio da Covid-19 muitos negócios agora são destruídos ? afirmou ? e tem pessoas perdendo seus trabalhos e suas casas, enquanto os multimilionários como Bill Gates e Jeff Bezos estão acumulando trilhões de dólares mais.

É claro que os democratas estão acusando Donald Trump por estragar as coisas, se fosse um democrata, os republicanos o estariam atacando, mas não é sua culpa, é o sistema.

'Os Estados Unidos se fundou sobre a base do colonialismo, do extermínio de nossa população nativa e da escravidão', explicou a ativista que ganhou fama no começo da década de 2000.

Muito conhecida por suas fortes críticas às políticas da Casa Branca, Sheehan manifestou seu cepticismo em relação às eleições do próximo dia 3 de novembro. Quem poderia ganhar, não sei, mas 'como socialista revolucionária, nem Trump nem Biden' são as opções adequadas, disse.

Supõe-se que temos uma 'democracia', mas só os dois partidos mais importantes (Democrata e Republicano) são os que têm a oportunidade de estar no inferno do poder.

Em poucas palavras, é o de sempre nos Estados Unidos e parece que nossas 'eleições' pioram a cada quatro anos, argumentou.

Comentou que devido à Covid-19, 'tudo está como no ar, de modo que quando nos conformamos que temos dois candidatos como esses, nos damos conta de que basicamente na história das eleições dos Estados Unidos o que chamamos a votar é escolher o menor de dois males'.

Um deles ganhará, mas as coisas não vão melhorar, porque a crise política é profunda e muito longa, enfatizou.

Além disso, opinou que 'o cidadão médio dos Estados Unidos não tem voz nem voto em nosso governo' e faltam sindicatos fortes que apoiem os trabalhadores. O que temos é ? argumentou ? um sistema que protege os capitalistas, a propriedade imperialista, e os operários são relegados.

Para Sheehan, é urgente uma forte revolução da classe trabalhadora, 'não importa se é democrata ou republicano ou negro ou branco ou um velho, ou um jovem, o que precisamos é lutar unidos'.

Com respeito aos protestos depois do assassinato do afro-estadunidense George Floyd por um policial branco de Minneapolis no último dia 25 de maio, Cindy Sheehan enfatizou que as mobilizações expuseram o racismo sistêmico e o estado policial em seu país.

Ao mesmo tempo, as mobilizações em massa evidenciaram como estes agentes policiais 'matam nossos cidadãos sem nenhuma provocação, inclusive se matam com provocação está errado que pensem que não acontecerá nada com eles'.

Pode ser que os protestos sejam os maiores jamais vistos nos Estados Unidos e forçaram muitas reformas, o que é bom. As ações devem continuar, expressou. 'Sabemos que em Cuba nada disto aconteceria porque a polícia está lá para ajudar as pessoas e não para oprimi-las'.

 

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