Pravda.ru

Mundo

Bush: Fraude

13.11.2008
 
Pages: 12


Na posse, o “viva o ladrão”
Em decorrência da roubalheira, Bush venceu as eleições de novembro de 2000 somente na Flórida, que é governada por seu irmão e detém 25 votos no Colégio Eleitoral. No restante do país, o democrata Al Gore ficou à frente do republicano tanto na votação popular (539.898 votos a mais), como no próprio Colégio (267 contra 246). Nem mesmo no Texas, então governada por Bush, o expurgo da lista de votantes de 66 mil ex-presidiários, garantiu a sua vitória. Mas no autoritário sistema eleitoral dos EUA, os 537 votos de Bush na Flórida valem mais do que 539.898 de diferença de Gore na votação popular. Baita democracia!


Questionado pelo resultado fraudulento da eleição e conhecido por sua sinistra biografia, George W. Bush tomou posse, em 20 de janeiro de 2001, totalmente desacreditado. A sua limusine blindada não conseguiu abafar os gritos de “viva o ladrão” de mais de 20 mil manifestantes presentes nas ruas de Washington. Ele sequer teve coragem de percorrer a pé os últimos quatro quarteirões antes de chegar ao Capitólio – o que já é tradição no país. Acuado, o início da sua gestão foi marcado pela completa inércia. Nos primeiros seis meses de governo, Bush visitou sete vezes seu rancho no Texas, num total de 54 dias de férias, passou 38 dias na residência de verão Camp Davis e mais quatro dias na casa de praia da família em Kenebunkport.


A salvação do “bobo incompetente”
O desgaste de sua imagem alimentou o humor de inúmeros chargistas e foi motivo de gozação em alguns programas de televisão, como no talk show de Dave Letterman, na CBS. Eles retratavam o novo ocupante da Casa Branca como um “preguiçoso”, um “bobo incompetente” e até como o boneco de ventríloquo do seu vice, Dick Cheney. Os jornais registraram que, até agosto, Bush passou quase metade do mandato de férias. Alguns humoristas insinuaram que “o presidente continuava sendo o mesmo garoto indolente que, na faculdade, preferia a baderna e o álcool (ou coisa mais forte) aos estudos”. Até entre os republicanos surgiram críticas a sua total inépcia; alguns chegaram a insinuar a possibilidade do impeachment.


George W. Bush também gerou fortes desconfianças no mundo. Num gesto abrupto, seu governo retirou o apoio ao Tribunal Criminal Internacional, assinado pelo antecessor Bill Clinton. Pouco depois, anunciou sua recusa em assinar o Protocolo de Kyoto, sobre controle dos gases poluentes, e investiu contra Robert Watson, presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, por pressão direta, segundo memorando vazado na imprensa, de uma das financiadoras de sua campanha, a Exxon. Ainda abandonou o tratado dos mísseis antibalísticos (ABM), voltou atrás na política de dez anos de eliminação das minas terrestres e iniciou a sabotagem ao tratado de proibição dos testes nucleares (CTBT). Ficou patente a sua visão militarista e seu unilateralismo na condução da política externa, o que gerou temores no mundo.


Somente após os suspeitos atentados de 11 de setembro de 2001 é que George W. Bush tomou posse, de fato, na presidência dos EUA. Como afirma o jornalista Argemiro Ferreiro, no excelente livro “O império contra-ataca”, eles ressuscitaram o isolado presidente. “O ex-executivo sem qualificações para dirigir empresas de petróleo de pequeno porte, derrotado na votação popular do país por mais de meio milhão de votos, mas beneficiado pela decisão político-partidária de cinco juízes da Suprema Corte, tornou-se, da noite para o dia – graças às falhas de seu governo, que permitiram o êxito de uma operação terrorista impossível – no mais integro, competente e patriota dos governantes e líderes que a história já conheceu”.

Vade retro Bush, uma fraude no poder (6)

Altamiro BORGES

Pages: 12