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Qual é a nossa posição? A Monthly Review e a crise do crédito

13.10.2008
 
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Para os que se encontram nesta situação precária (embora em proporções diferentes) – e somos obrigados a insistir em repetir que são esses a maioria global – a crise de crédito pode de facto ter algum impacto em determinadas circunstâncias concretas. Os cortes nas despesas sociais já inadequadas vão ter impacto em muitos dos que nada possuem, nos Estados Unidos, e esses são os nossos vizinhos e os nossos amigos e devemos fazer o que pudermos para os ajudar. É verdade que os que trabalham em troco de salários de miséria na China numa indústria que produz bens para exportação para os Estados Unidos também podem estar a enfrentar condições ainda piores. No entanto, de forma geral, a conclusão é nitidamente que esta crise de crédito não fará uma diferença imediata para a maioria global, se é que fará alguma diferença. A sua difícil sobrevivência depende de relações sociais e económicas muito distantes dos circuitos despedaçados da finança global.


Numa perspectiva um pouco mais distante, talvez se possa afirmar que o resultado – que parece indicar que é provável que se siga uma depressão global à crise de crédito – venha a ser favorável. Nalguns dos países mais prósperos, um retorno ao capitalismo racional keynesiano significará um aumento das despesas sociais e beneficiará os que nada possuem, cruelmente atingidos pela imposição das agora desacreditadas "reformas" neoliberais. Mas a principal lição é que a América Latina, sobretudo, está agora bem posicionada para aprender e beneficiar com isso. Por entre a crise, o país menos afectado é e será Cuba; já está para além de qualquer dúvida que o melhor lugar em todo o mundo para confiar na protecção social, em vez de confiar nas migalhas das poupanças individuais, o melhor local para quem nada possui, é Cuba.


E na China, na Índia, e na África do Sul, o caminho a seguir é tema de profundos e agitados debates e lutas, cujo resultado está longe de ser claro. O fim da hegemonia intelectual neoliberal, o descrédito da "reforma" no interesse dos banqueiros e dos ricos, são os sinais mais seguros de esperança para a grande maioria. Na Monthly Review, devemos assumir portanto como principal tarefa enterrar a estaca no coração do neoliberalismo que deverá estar mortalmente ferido. Recolhamos e repitamos os hinos de triunfo cantados por Trevor Manuels e por Chidambarams e Paulsons aos "mercados financeiros abertos, competitivos e liberalizados". Ridicularizemos impiedosamente todos os anos do calão desonesto da "liberdade económica" e da "reforma" vomitado para cima do público por economistas e jornalistas que fazem o papel de prostitutas dos banqueiros. Ajudemos a tornar claro o terreno para um regresso global ao caminho socialista, a única esperança para a maioria da humanidade – os que nada possuem.

[1] Ver The Financialization of Capital and the Crisis, de John Bellamy Foster, em http://monthlyreview.org/080401foster.php
[*] Responsável da Monthly Review Foundation.
O original encontra-se em http://mrzine.monthlyreview.org/mage061008.html . Tradução de Margarida Ferreira.
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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