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Sua Eminência Said Hassan Nasrallah, secretário geral do Hezbollah, sobre a tragédia no Líbano

11.08.2020
 
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Sua Eminência Said Hassan Nasrallah, secretário geral do Hezbollah, sobre a tragédia no Líbano 

8/8/2020, Al-Manar TV, traduzido do ing., resumo de várias versões, trad. automática editada. Todas as correções são bem-vindas.


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"Nada temos a ver com o porto libanês. Como Resistência, nosso dever é saber tudo que acontece no porto de Haifa, não no porto de Beirute."
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[Sua Eminência Said Hassan Nasrallah ofereceu condolências às famílias dos mártires da explosão no porto de Beirute, com votos de rápida recuperação dos feridos.]


Na 4ª-feira, antes desse trágico incidente, eu havia anunciado que falaria de algumas questões relacionadas à situação atual, sobre a fronteira libanesa com a Palestina ocupada, sobre o Tribunal Internacional e a data de sete de agosto (quando o Tribunal anunciaria a sentença) e sobre os infectados e mortos pelo novo coronavírus, cujo número volta a aumentar no Líbano, e a crise de combustível que o país enfrenta, além de problemas regionais.

Mas quando este trágico incidente aconteceu, decidi mudar e só falarei desse tema.

Estamos diante de grande catástrofe humanitária e nacional em todos os níveis. Há mais de 150 mártires, a maioria dos quais libaneses, e há grande número de sírios e cidadãos de outros países.

Há milhares de feridos e dúzias de desaparecidos. Dezenas de milhares de famílias tiveram de abandonar seus lares danificados pela explosão. A vida de milhares foi afetada, e o pânico atormentou o coração de milhões. Os prédios balançaram de tal modo que muitos supuseram que se tratasse de grave terremoto próximo deles.

A explosão em Beirute causará grandes perdas econômicas.

Essa explosão afetou todos os libaneses, das mais diferentes afiliações políticas. Beirute é cidade de todos os libaneses e representa todos os segmentos da sociedade libanesa.

Todos temos de manifestar nossa simpatia, nosso amor e nossa solidariedade uns com os outros.

O Hezbollah temos experiência no trabalho de garantir abrigo e cuidados a todos desde a Guerra de Julho de 2006, e peço que todos recebam com muita seriedade nosso oferecimento.

Todas as instituições do Hezbollah e todas nossas capacidades humanas e materiais estão a serviço das instituições do Estado e de nosso povo. O projeto de abrigo para quem perdeu a casa deve ter prioridade e ser levado a sério e estamos totalmente preparados para ajudar as famílias que perderam suas casas a encontrar abrigo e acomodação.

Diversas instituições do Estado libanês foram às ruas, mas o mais cativante foi o entusiasmo popular. Organizações civis, jovens, cidadãos desceram para varrer as ruas e tirar entulhos, além das campanhas de doação de sangue. Muitas famílias ofereceram as próprias casas para abrigar as vítimas do desastre.

Preferiríamos que os EUA atacassem só o Hezbollah, não toda a população libanesa.

Mas quem abriu uma guerra contra nós, contra a Resistência e o Eixo da Resistência, sabe que seus esforços não terão os resultados desejados. Essa Resistência graças à confiança do povo, às suas posições nacionais e regionais é certamente maior do que supõem os que tentam negar-nos justiça, sempre os mentirosos despóticos que incitam a guerra civil e deformam a realidade.

Imediatamente depois da explosão, alguns canais de TV locais e árabes e várias páginas da mídia social aceitaram um suposto cenário, pelo qual o armazém do porto de Beirute que explodiu conteria mísseis ou munição para o Hezbollah. Embora fontes oficiais tenham negado a presença de mísseis no porto e confirmado que o nitrato é usado para fins industriais e da agricultura, aqueles canais de TV árabes e locais insistiram em que o nitrato de amônio teria sido armazenado pelo Hezbollah durante seis anos.

Essa 'explicação' visa a culpar o partido pela explosão. Repitam a mentira até convencer muita gente, e a mentira converte-se em verdade.

Nego categoricamente que o Hezbollah mantivesse armas, munição ou qualquer coisa no porto.

Nada temos a ver com o porto libanês. Como Resistência, nosso dever é saber tudo que acontece no porto de Haifa, não no porto de Beirute.

Embora o governo dos EUA e a mídia ocidental tenham parado de repetir e de promover a fantasia injusta e mentirosa de que haveria armas ou munição do Hezbollah no porto, alguns canais libaneses e árabes continuam a repetir a mesma fantasia.

As investigações prosseguem e podem revelar sem demora a verdade sobre a explosão e substâncias armazenadas. Cabe ao povo libanês boicotar os veículos de mídia empenhados em falsificar a verdade.

Agora é momento para simpatia e solidariedade, não para disputas políticas com partidos que tentam servir-se da explosão. Nesse ponto não estou interessado em responder a acusações políticas. Não é hora disso. Os países precisam de compaixão. Adiante, cuidaremos das disputas políticas.

A verdade e a justiça devem prevalecer. Entendo que caiba ao Exército Libanês investigar, identificar os culpados, julgá-los e puni-los, dado que todos os partidos e todo o povo confia em seu Exército.

Se as autoridades competentes fracassarem no cumprimento desse dever essencial, jamais será possível estabelecer e manter o Estado no Líbano [Outra versão em inglês diz "essa é a prova radical de que o Governo Libanês realmente existe ou de que há esperança de que possa existir"].

Mesmo que o incidente tenha sido acidental ou premeditado, esta catástrofe reflete o problema de corrupção e negligência. Se não pudermos elucidar o que aconteceu e julgar os responsáveis, significará que não há Estado. E significará que estamos diante de uma crise do sistema do Estado.

A segunda cena que se apresenta vem de fora: as posições de muitos estados do mundo, referências religiosas, cristãs e muçulmanas, sunitas e xiitas, forças políticas e outras fizeram parte de um grande movimento de compaixão e solidariedade. Só podemos cumprimentá-los e agradecer a todos.

São as várias delegações que vieram ao Líbano, incluindo a visita do Presidente francês, a quem damos as boas-vindas. Todos os apelos por ajuda do Líbano e para reunir os libaneses são bem-vindos. Queremos enfatizar os aspectos positivos, embora alguns desses devem ser tratados com cautela. Isso tudo abre uma nova oportunidade para o Líbano sair do embargo.

Os que ainda insistem em combater contra o Hezbollah, tentando aproveitar-se da explosão em Beirute, não terão sucesso.

A situação internacional e regional mudou. O Hezbollah é maior, tem mais grandeza e mais nobreza, e não se deixará derrubar por gangues de mentirosos, provocadores, e esses que insistem em criar uma guerra civil. Eles já fracassaram antes e fracassarão novamente.

Concluo reafirmando dois pontos:

Os dias de desastre são dias de sacrifício e encargos e responsabilidades adicionais, mas também devem oferecer novas oportunidades. A reação de diferentes países e os estados comoção e de compaixão pelo desastre se apresentam como oportunidade e devemos aproveitá-la.

Os poderes nacionais e regionais da nossa Resistência e todo o Eixo da Resistência, além de terem a confiança do povo, são maiores do que qualquer injustiça ou qualquer sentença declarada por autoridades injustas e despóticas que novamente incitam a guerra civil. Não nos derrotarão.*******

Foto: By Unknown author - http://farsi.khamenei.ir/photo-album?id=1771#i, CC BY 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=51001995

 


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