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A luta entre Bolsonaro e o Mercado

09.03.2021
 
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A luta entre Bolsonaro e o Mercado



por Arialdo Pacello(*)

 


Jair Bolsonaro já percebeu que o Mercado desregulado, defendido por Paulo Guedes, pela FIESP de Paulo Skaff, pela FEBRABAN dos banqueiros criminosos e insaciáveis pelo lucro, pelos latifundiários ambiciosos e por João Dória, outro milionário, é comandado por Wall Street e pelo Consenso de Washington, que cuidam apenas dos interesses do império do Norte e de seus monopólios empresariais privados.

A política privatizante que vem sendo imposta pelo ministro Paulo Guedes, que nada mais é do que um fantoche do Mercado neoliberal, e que só defende interesses de grupos gananciosos, se continuada, levará o País para o buraco, e Bolsonaro cairá junto.

 
Creio que Bolsonaro já se deu conta disso, e agora deve estar pendendo mais para as ideias de seu ministro do Desenvolvimento Regional - Rogério Marinho, nordestino de Natal - do que para seu ministro da Economia - o banqueiro Paulo Guedes, privatista ferrenho, seguidor do Consenso de Washington, egresso da Escola de Chicago.


Rogério Marinho não é dos melhores, é também golpista. Como deputado, votou a favor do impeachment de Dilma. Votou a favor da PEC do Teto de Gastos Públicos. Votou contra o processo que pedia a abertura de investigação contra Michel Temer. Ou seja, é golpista mesmo!

Entretanto, Marinho, apesar de golpista, não é burro. Percebeu que os Programas de Dilma Rousseff aceleraram e mantiveram o crescimento do Brasil. (A intervenção do Estado na Economia é absolutamente INEVITÁVEL e indispensável.

 

O Mercado desregulado e privado só cria desigualdades, só cria lucros exponenciais para poucos e miséria e fome para milhões!). O Estado precisa intervir para minorar as mazelas do capitalismo selvagem - o neoliberalismo!


Os desentendimentos de Marinho com Paulo Guedes são grandes e profundos. Isso ficou claro tempos atrás, quando os "bombeiros" do governo andaram colocando panos quentes sobre o assunto, que só ficou superado na aparência.

 

"Rogério Marinho, junto com outros ministros, formularam um programa de recuperação econômica chamado 'Pró Brasil', que levaria a um aumento dos gastos públicos do governo. O plano foi criticado por Paulo Guedes, por considerá-lo 'fiscalmente irresponsável', comparando ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em janeiro de 2007 durante o segundo mandato do Governo Lula e continuado no Governo Dilma. Segundo Guedes, o PAC teria 'afundado o Brasil', com desperdício de recursos públicos em obras que não foram concluídas. Para ele, seria necessário investimento privado para executar o programa proposto por Marinho." (fonte: Wikipédia)


Creio que um ou outro militar, entre os generais mais inteligentes e esclarecidos, ou menos ignorantes e estúpidos, estão com Rogério Marinho. O Estado deve intervir na Economia. O Mercado (desregulado e privado) só pensa nos lucros de poucos; jamais se preocupa com a fome, a doença e a miséria dos milhões de marginalizados!


Resumo: As recentes manifestações de Jair Bolsonaro:


(1) Contra a decisão do atual presidente do BANCO DO BRASIL de fechar agências, demitir funcionários, vender setores rentáveis do Banco a empresas privadas cujo único interesse é o luro ilimitado;

(2) Demitir o presidente da PETROBRAS, que está privatizando os setores mais lucrativos da petroleira, que é o maior orgulho da nação brasileira, entregando-os de mão beijada aos especuladores privados; aumentando os preços dos combustíveis só para atender às exigências do Mercado; e com total desprezo aos interesses da coletividade brasileira;

(3) Interferir no setor de ENERGIA, opondo-se ao abusivo aumento dos preços, sem se preocupar com as reais necessidades da Nação e de se povo...


("O presidente pressiona equipes econômicas e de energia para baixar as contas de luz".)


...merecem, de minha parte, elogios. Eu sei que Bolsonaro só faz isso por interesses políticos e eleitoreiros. Mas, se isso acarretar melhorias à Nação e ao povo, pouco me importa as motivações eleitoreiras do Presidente. Se os interesses do povo forem resguardados e se as empresas estatais estratégicas forem protegidas, pouco me importa se isso acontece pela força da Bic de Bolsonaro ou pelo PT ou pelo PSOL, pois este é um princípio fundamental e inalienável do PT e do PSOL, não tenho dúvida, mas jamais será tolerado pelo Mercado. A maior prova disso é que a mídia golpista, privatista, subserviente ao Consenso de Washington, e todos os economistas neoliberais, defensores do Mercado desregulado, estão contra Bolsonaro. E pensar que foram exatamente essas forças que depuseram Dilma e colocaram Lula na cadeia!


Claro que as bolsas de valores, que hoje nada mais são do que um antro de especuladores, tanto em SP como em Nova York,  farão baixar o preço das ações do BANCO DO BRASIL e da PETROBRAS, como forma de pressão. Mas que ninguém se iluda: a perda é meramente virtual, não é real. O Mercado manipula as Bolsas conforme seus interesses. A mídia golpista quer dar a impressão de que a perda é real. Mas não é. Isso já aconteceu com Lula e com Dilma. O Mercado é ganancioso e traiçoeiro. Logo, o valor das ações voltará ao preço normal.


Não sou defensor de pessoas ou de partidos. Tenho minhas preferências, tanto com relação a pessoas como a partidos, mas sou, sobretudo, defensor de ideias. Ideias do cristianismo primitivo, hoje recuperadas pelo Papa Francisco; e ideias socialistas, como as de Karl Marx (exceto a "ditadura do proletariado") que Albert Einstein enalteceu e democratizou.


Não sou contra o Mercado. Não sou contra a liberdade e a iniciativa individual, mas sou radicalmente contra o Mercado desregulado. O Estado deve intervir, deve regulamentar, deve conter os efeitos destruidores da ganância e da ambição desenfreada, típicas do capitalismo puro.


Mirem-se na China, que, dialeticamente, encontrou o Socialismo de Mercado, onde governo e Mercado estão a serviço da nação.

Sou contra o capitalismo "puro", o neoliberalismo, que está sendo a desgraça do Brasil e de boa parte da humanidade!


Vou aguardar para ver no que dará essa luta entre Bolsonaro e o Mercado...

 

 

(*)Arialdo Pacello, advogado, servidor aposentado do Banco do Brasil. 

 

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