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Mitos da alteração climática

08.10.2007
 
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que esse esquema não corresponde à realidade. Por exemplo, na célula polar diz-se que uma massa de ar frio sai dos pólos, vai aquecendo e sobe na latitude de 60º. Sendo assim, o frio ficava restrito aos paralelos 60º - 90º. Mas eu já senti frio em Miami, por exemplo. Em São Paulo nunca fez frio? Conseqüentemente, o esquema tricelular cai pela base. Mas é ele que está incorporado, com as suas equações matemáticas, nos modelos do IPCC. Podíamos ir por aí e verificar que existem outros fenômenos reais, como os processos dinâmicos no Ártico e no Antártico, que os modelos são incapazes de apreender.


CCA — De que outra forma as mudanças climáticas podem ser explicadas?

 
Rui Moura — A variabilidade do clima é um fenômeno perpétuo da natureza. O nosso planeta não está isolado dentro do espaço astronômico. Os planetas vizinhos, pelas suas posições relativas, exercem influência na trajetória do que habitamos. Como tal, o clima é influenciado por parâmetros astronômicos. A nossa elipse encolhe, aproximando-se do círculo, ou estende-se aumentando a distância relativa sol-Terra. A Terra roda como um pião com um eixo de rotação que tem uma inclinação variável em relação ao plano da elipse. O sérvio Milutin Milankovich – sem computadores, nem sequer uma pequenina máquina de calcular – explicou as glaciações e os períodos interglaciários por meio da modificação dos parâmetros astronômicos.

Claro que existem outros parâmetros que influenciam o clima. Acontece que nos anos 1970, muito provavelmente em 1975/76, verificou-se uma guinada brusca na dinâmica da circulação geral da atmosfera. Esse fenômeno é detectável em índices climáticos como o NAO (Oscilação do Atlântico Norte - ONA, em português) e ENSO (El Niño – Southern Oscilation). A circulação geral da atmosfera, tal como nos é mostrada pelos satélites meteorológicos, é realmente explicada pelos chamados anticiclones móveis polares (AMP).

São massas de ar frio perfeitamente organizadas que saem dos pólos a uma cadência quase diária e se dirigem para os trópicos. O padrão dos AMP (potência - dada pela densidade das massas de ar frio – e freqüência) depende da época do ano em cada hemisfério. No inverno, os AMP são mais freqüentes e mais potentes. No verão, pelo contrário, são menos frequentes e menos potentes. Exatamente, em 1975/76, o que se alterou foi a produção dos AMP nos invernos (os índices NAO e ENSO passaram, bruscamente, de negativos para positivos). A variabilidade do clima foi nitidamente marcada por essa variação brusca. Por quê? A explicação exata a Deus pertence. Isto é, temos de perguntar à natureza. Existem hipóteses não confirmadas, por exemplo: 1) variação da inclinação do eixo de rotação do planeta; 2) aerossóis – poeiras - que arrefeceram os pólos (sim, os pólos arrefeceram, não tenhamos dúvidas); 3) modificação do comportamento do sol - radiação ou raios cósmicos.


CCA — Afinal o mundo está esquentando ou esfriando?


Rui Moura — Está esfriando (esta palavra é menos usada em Portugal, onde se diz que “está arrefecendo”). Anteriormente foi dito que a variação brusca se detectou nos AMP que nasceram nos invernos. O tempo mais agreste significa acentuação do gradiente de temperatura pólos-trópicos. Estamos a observar as premissas de uma primeira fase de entrada numa glaciação. Guardadas as devidas distâncias (não será para amanhã, nada de alarmismo!), dentro de algumas décadas o tempo vai deixar de esquentar e vai, depois, esfriar. Aliás, já deixou mesmo de esquentar. Há pelo menos uma a duas décadas que a designada temperatura média global estacionou. Espero não assustar no sentido inverso do aquecimento global, que é uma falácia. O homem sabe adaptar-se ao clima. Os esquimós e os tuaregues não lutam contra as alterações climáticas.

Adaptam-se ao clima que a natureza lhes proporciona. Os nossos decisores políticos são mal aconselhados e tomam medidas em sentido contrário ao que deviam tomar. Fomos todos apanhados numa tremenda crise da ciência, em geral, e da climatologia em particular. Falta humildade aos cientistas próximos dos decisores políticos para dizer abertamente que não sabem explicar os fenômenos que todos nós observamos. Para entendermos o que se passa, devíamos estudar o que se passou na entrada da última pequena glaciação, designada por Pequena Era de Gelo, que terminou aproximadamente em 1850. No fim desta era, a natureza abriu o frigorífico e daí o descongelamento de alguns glaciares e agora está na eminência de voltar a fechar a porta do frigorífico.


CCA — Se existem hipóteses mais plausíveis para explicar a mudança ocorrida na década de 70, de onde surgiu a “hipótese do CO2”?


Rui Moura — Na década de 1930, os Great Plains [Grandes Planícies] dos EUA sofreram uma seca prolongada, com tempestades de areia designadas Dust Bowl [Prato de Poeira]. Esse fenômeno provocou uma crise socioeconômica bem retratada por John Steinbeck no livro ‘As vinhas da ira’ [ The grapes of wrath ]. A Grande Depressão viu meio milhão de norte-americanos, a maior parte agricultores, abandonar as suas terras e ir para longe dos estados afetados. Os políticos norte-americanos ficaram com o complexo dos dog days , principalmente em decorrência dos problemas sociais do Dust Bowl.

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