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Fidel Castro: Piedad Córdoba e sua luta pela Paz

06.10.2010
 
Pages: 12


O almirante Edgar Cely, talvez embaraçado com a parte da guerra com que a autoridade oficial relatou a notícia e outras versões obscuras, disse: "Jorge Briceño, conhecido como Mono Jojoy, morreu por esmagamento,quando [...] a construção em que ele estava escondido na floresta veio em cima dele." "'O que sabemos é que ele morreu por esmagamento, seu bunker cedeu', [...] 'não é verdade que teve um tiro na cabeça'" Assim disse à Rádio Caracol, de acordo com a agência de notícias americana AP.


À operação deram um nome bíblico, "Sodoma", uma das duas cidades castigadas por seus pecados, e onde choveu fogo e enxofre. O mais grave é o que falta ser contado, o que até o gato já sabe, porque os próprios ianques têm publicado.


O governo dos EUA forneceu ao seu aliado mais de 30 bombas inteligentes. No botas que forneceram ao líder guerrilheiro, instalaram um GPS. Guiadas por esse instrumento, bombas programadas explodiram no acampamento onde estava Jorge Briceño. Por que não explicar ao mundo a verdade? Por que sugerem uma batalha que nunca aconteceu?


Outros fatos embaraçosos assisti na televisão. O presidente dos Estados Unidos recebeu calorosamente Uribe em Washington, e o apoiou a dar aulas sobre "democracia" em uma universidade americana. Uribe foi um dos principais criadores do paramilitarismo, sobre cujos membros cai a responsabilidade pelo aumento do tráfico de drogas e as mortes de dezenas de milhares de pessoas.


Foi com Barack Obama que Uribe assinou a entrega de sete bases militares e, virtualmente, de qualquer parte do território da Colômbia, para a instalação de homens e equipamento do exército ianque. De cemitérios clandestinos está cheio o país. Obama, por meio de Ban Ki-moon, concedeu a Uribe a imunidade, dando a ele nada menos que a vice-presidência da comissão que investiga o ataque à flotinha que levava ajuda para os palestinos sob cerco em Gaza.


Uribe, nos últimos dias de sua presidência, tinha já organizada a operação utilizando o GPS nas botas novas de que precisava o guerrilheiro colombiano. Quando o novo presidente da Colômbia foi aos Estados Unidos para falar na Assembléia Geral, sabia que a operação estava em andamento, e, ao saber da notícia do assassinato do guerrilheiro, Obama abraçou Santos calorosamente.


Me pergunto se, naquela ocasião, se falou algo do acatamento da decisão proferida pelo Senado da Colômbia, declarando ilegal a autorização de Uribe para estabelecer as bases militares ianques. Nelas se apoiou o grosseiro assassinato.


Eu critiquei as Farc. Expressei publicamente em uma reflexão o meu desacordo com a retenção de prisioneiros de guerra e os sacrifícios que estas implicavam as duras condições de vida na selva. Eu expliquei os motivos e a experiência adquirida em nossa luta.


Fui crítico das concepções estratégicas do movimento guerrilheiro colombiano. Mas jamais neguei o caráter revolucionário das Farc. Eu considerei e considero que Marulanda foi um dos guerrilheiros mais importantes da Colômbia e da América Latina. Quando muitos nomes de políticos medíocres forem esquecidos, o de Marulanda será reconhecido como um dos mais dignos e firmes lutadores pelo bem-estar dos agricultores, dos trabalhadores e dos pobres na América Latina.


O prestígio e a autoridade moral de Piedad Córdoba se multiplicaram.


Fidel Castro Ruz.

Fonte: Cuba Debate

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