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Oriente Médio em 2010

03.01.2010
 
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Fala-se, ainda em pequenos círculos, que a discussão sobre a sucessão de Mubarak deve começar a ocorrer em 2010. Ela deve se dar em 2011, em eleições do mesmo estilo que foi até os dias atuais, verdadeiras fraudes e sem liberdade alguma. O “candidato” natural é seu filho Gamal Mubarak;

Lamentavelmente, esse país constroi mais um muro na região. É de aço e vem sendo feito pelo Corpo de Engenheiros dos Estados Unidos na fronteira com a Faixa de Gaza. É lamentável a subserviência aos Estados Unidos e mesmo à Israel. O Egito sistematicamente fecha a sua fronteira com Gaza, impedindo pelo lado Oeste da região, a entrada de comboios internacionais de ajuda humanitária aos palestinos. Isso fez com que estes cavassem túneis para passarem a fronteira – estima-se em mais de 1,5 mil túneis;

Fontes egípcias, que se mantiveram no anonimato, segundo o Al Ahram Weekley do Cairo, disseram que essa decisão do governo é uma clara tentativa de enfraquecer o Hamas e o seu aliado de além fronteira, a Fraternidade Muçulmana. Por isso, sufoca ainda mais os palestinos com relação á ajuda humanitária. Uma situação explosiva na fronteira, que tendo a piorar com os bombardeios da aviação israelense para, supostamente, destruir os túneis palestinos.

Síria – Pequenos comentários.

Segue sendo o país que mais apoia a causa palestina e o que defende a independência e soberania dos países árabes com relação ao Ocidente. Ponto de apoio e referências para patriotas árabes de todos os países;

O governo de Bachar Assad, que sucedeu seu pai na presidência do país, vem sendo habilidoso o suficiente para unir as forças políticas vivas do país, formando um governo de unidade nacional. Até o Partido Comunista participa do governo com dois ministérios;

Registro que todos os grupos de esquerda e de resistências palestina, possuem escritórios políticos de representação na sua capital, Damasco, uma das cidades mais antigas de vida continuada no mundo;

As pressões contra seu governo são imensas. O país é acusado de fomentar o “terrorismo” e encontra-se na lista de países que “apoiam” o terrorismo, elaborada pelo Departamento de Estado dos EUA.

Estado Unidos – Apesar de não fazer parte do OM, teço alguns comentários, pelo papel que desempenha na região.

Uma ampla e generalizada decepção com o governo de Barak Obama. Não retirou tropas do Iraque, cedeu ás pressões do complexo industrial-militar de seu país;

Ampliou tropas no pequenino Afeganistão, de onde acabará saindo derrotado, retirando suas tropas sem ter derrotado as milícias da resistência dos Talibãs. Apoiou a reeleição, por fraude, de seu amigo Ramid Karzai;

Seu indicado para o OM, o experiente ex-senador George Mitchell, que ajudou nas negociações de paz na Irlanda, praticamente ficou desmoralizado na região. Após um giro pelos países mais importantes e ainda que tivesse dado declarações dúbias e polêmicas, a passagem de Hilary Clinton pela região em março passado (alguns a chamam de Hilária...), com declarações desastrosas pró-Israel, as coisas ficaram ainda mais difíceis para a diplomacia estadunidense;

O balanço que se faz é de um completo fracasso na região. O poder da maior potência do planeta continua sendo usado exclusivamente para beneficiar os seus aliados históricos, os judeus e sionistas que governam Israel desde 1948;

Não consegue e não conseguirá parar os assentamentos, as colonizações nas terras palestinas. Adota uma retórica dúbia. Uma fraseologia de aparência, mas na prática, nada faz;

Não esta conseguindo e temos dúvidas se conseguirá, forçar uma volta á mesa de negociação da paz. Não tem força – talvez por não querer – para exigir que Netanyahu ceda aos palestinos nas questões da paz em troca de terras, como defende a ONU e os países centrais;

Não há hoje mediação, negociação, interlocução. O sentimento é de desmoralização do governo e de sua diplomacia. O discurso do Cairo em julho, num aceno aos muçulmanos não causou quase nenhum impacto na região. Na prática, as coisas ficaram como estavam. Sem nenhum avanço. Não vejo como isso se altere em 2010;

Prova da subserviência de Obama à Israel, foi a sua assinatura no orçamento de segurança nacional dos EUA, que destina à Israel em 2010 exatos U$2,77 bilhões de dólares e aos palestinos míseros 500 milhões. Para 2013, o valor de Israel subirá para U$3,1 bilhões!

Cabe aqui, por final, monitorarmos como caminhará a diplomacia do governo Lula para a região. Até o momento, foi extremamente positiva as suas ações. Dois encontros de cúpula dos países árabes e da América do Sul foram realizados (o de 2005 no Brasil tive a honra de participar). A posição do governo brasileiro é a favor da paz na região, a favor do Estado Palestino, da devolução das suas terras, da retiradas das tropas americanas do Iraque imediatamente. Lula deve fazer uma visita à Israel e à Palestina em março próximo e reafirmar as posições históricas do governo brasileiro a favor da paz.

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