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Oriente Médio em 2010

03.01.2010
 
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Fala-se cada vez mais em uma nova Intifada Palestina. Como todos sabem, esse é um movimento basicamente de jovens e adolescentes palestinos que atacam os soldados e tanques israelenses, com suas pedras, paus e fundas e completamente desarmados. Israel e seu exército veem-se na obrigação de responder com extrema violência, matando muitos esses jovens e ampliando ainda mais o desgaste da sua imagem na comunidade internacional. Abbas fala que não apoia uma nova Intifada.

Iraque – Aqui as indefinições são maiores. Vamos aos comentários:

Novas eleições devem ocorrer no final de janeiro. A segunda para o parlamento depois da ocupação militar que os EUA implementaram em 2003. Ocorrerão ainda sob ocupação, sem amplas liberdades políticas como conhecemos no Ocidente e no Brasil. Restrições aos partidos mais avançados e de oposição ao governo serviçal aos Estados Unidos ainda são grandes. O

Partido Baath, do ex-presidente Saddam Hussein continua banido da vida pública;

Não se sabe ainda o destino do atual primeiro Ministro, Nur El-Maliki, xiita. Vai tentar, claro, se reeleger, mas isso dependerá de articulações políticas e da coligação xiita que ele participará.

Poderá não ser reeleito;

Sunitas, em sua maioria, que dão combate à ocupação, devem participar em sua maioria, com seus vários partidos que deverão formar coligações de oposição ao atual governo pró-ocidental. Mas, não devem fazer maioria no parlamento. O PC Iraquiano apoia a resistência, tende a somar com a oposição;

A violência, ainda que em níveis bem menores do que na época da ocupação em 2003, deve continuar, ainda mais depois que as tropas americanas deixaram de patrulhar as cidades iraquianas;

A questão central mesmo será a retirada das tropas americanas do país, jogadas para final de 2011, contrariando as promessas de campanhas de Barak Obama. Fala-se em retirar pelo menos 50 mil soldados ainda este ano, a que duvido que isso ocorra. A ideologia da guerra é forte nos Estados Unidos, uma nação guerreira e calcada do espírito de guerra, belicista. Um em cada cinco americanos vive ou depende de guerras ou tem nelas um meio de vida.

Líbano – Nesta ordem de importância, comento agora as questões do Líbano.

Após meses de negociação, depois dos resultados das eleições legislativas de junho passado, com a vitória da coligação governista e pró-ocidental, o governo formado é de unidade nacional. Tentou-se de todas as formas excluir a oposição e particularmente o Hezbolláh, mas não se conseguiu. Said Hariri, líder da maioria, herdeiro de Rafik, ex-primeiro Ministro e seu pai, acabou cedendo.

Os governistas terão 15 ministérios, a oposição 10 e o presidente cristão, que é progressista, Suleiman, nomeará outros cinco. Um bom equilíbrio. Até o aliado governista de Said, Walid Jumblat, do Partido Socialista Progressista, que detém 11 deputados de 128, deixou a coalizão governista em agosto passado;

Diminuem as resistências mesmo entre governistas, das relações com a Síria, país vizinho e sempre aliado e amigo dos libaneses;

O Hezbolláh, mais uma vez, sai como vitorioso. Consegui manter suas milícias, que serão incorporadas oficialmente ás forças regulares e terão direito de portar armas para defender o Líbano dos constantes ataques por parte de Israel, em especial no Sul do país. As restrições ao sistema de comunicação e telecomunicações do grupo, caíram por terra. Até o ministério das Comunicações ficará com um aliado do Partido de Deus (Hezbolláh em árabe e de orientação xiita e com fortes vinculações com a Síria e Irã e grandes aliados e defensores dos palestinos e da sua causa);

O Líbano terá que fazer uma grande escolha, uma histórica escolha. E esse dia esta chegando. Tal qual a Turquia terá um dia terá que fazer também, para saber se fica com a Europa, que não a aceita ou se fica com a Ásia. Os libaneses e sua elite dirigente terá que optar se ficam com os Estados Unidos e Israel ou se se voltam para os árabes e seu povo. Cresce movimento patriótico e nacional entre libaneses, em favor do mundo árabe e de distanciamento do Ocidente;

Interesses poderosos, grandes contratos bilionários de empresas americanas, desde o fim da guerra civil em 1990, fazem com que parte dessa elite libanesa tenha resistência em voltar-se ao mundo árabe. Muitos interesses em jogo, questões que envolvem a geopolítica mundial e regional e interesses financeiros;

Temos que ficar atentos ao julgamento final pelo tribunal superior encarregado do caso do assassinato do ex-primeiro Ministro Rafik Hariri em 2005. É provável que o tribunal aponte seu dedo em riste para a Síria, para elevar a animosidade no país, interrompendo os contatos positivos que tem sido tomados, inclusive por Said Hariri.

Egito – É um dos grandes enigmas da região, como se fosse a esfinge que tem no seu deserto. Meus comentários:

O ditador Mubarak já esta com 81 anos. Rumores dizem que se encontra muito doente. É chamado de “presidente” pela imprensa ocidental, com raras exceções. Vem sendo “reeleito” com mais de 98% dos votos desde 1979, quando sucedeu Anuar El Sadat. É amigo e preferido dos Estados Unidos no cenário geopolítico do mundo árabe, tal qual a Arábia Saudita;

Seguirá reprimindo duramenteos grupos de oposição, em especial a Irmandade Muçulmana, antigo grupo político e assistencial, com base na religião, que vem adquirindo a cada dia mais prestígio e respeito. Aumentou sua fatia no eleitorado e no parlamento, mas não joga papel ainda na disputa pelo poder. Só se candidata no Egito quem o governo aceitar registrar como candidato;

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