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Homenagem a Manuel Marulanda

01.07.2008
 
Pages: 123
250 mil soldados e seus amigos paramilitares dos esquadrões da morte dizimaram amplas zonas do campo colombiano controladas pelas FARC. Helicópteros proporcionados por Washington bombardearam a selva em missões de busca e destruição (que nada tinham a ver com a produção de coca ou com o envio de cocaína para os EUA). Ao destruir toda a oposição popular e as organizações camponesas e ao deslocar milhões de colombianos, Uribe logrou empurrar as FARC para regiões mais remotas. Assim como havia feito no passado, Marulanda assumiu uma estratégia de retirada táctica defensiva, abandonando território para proteger a capacidade de luta dos guerrilheiros no futuro.


A contrário de outros movimentos guerrilheiros, as FARC não receberam nenhum apoio material do exterior: Fidel Castro repudiou publicamente a luta armada e buscou laços diplomáticos e comerciais com governos de centro-esquerda, inclusive melhores relações com o brutal Uribe. Depois de 2001, a Casa Branca de Bush rotulou as FARC de "organização terrorista", pressionando Equador e Venezuela para que restringissem os movimentos fronteiriços das FARC em busca de abastecimentos. O "centro-direita" da Colômbia dividiu-se entre os que prestavam um "apoio crítico" à guerra total de Uribe contra as FARC e os que protestavam infrutiferamente contra a repressão.


É difícil imaginar que um movimento guerrilheiro possa sobreviver frente a um financiamento tão maciço da contra-insurgência, um 250 mil soldados armados pelo império, milhões de deslocados de suas terras e um presidente psicopata vinculado directamente a uma cadeia de esquadrões da morte com 35 mil membros. No entanto, sereno e resoluto, Marulanda dirigiu a retirada táctica; a ideia de negociar uma capitulação nunca lhe passou pela cabeça, nem a ele nem à direcção das FARC.


As FARC não têm fronteira contígua com um país que as apoie, como o Vietname com a China; tampouco goza, como o Vietname, do fornecimento de armas da URSS e do apoio maciço internacional de grupos ocidentais de solidariedade, como os sandinistas.


Vivemos numa época em que apoiar os movimentos camponeses de libertação nacional não está "na moda"; em que reconhecer que o génio de líderes camponeses revolucionários que constroem e mantêm a autêntica massa dos exércitos populares é tabu nos pretensiosos, loquazes e impotentes Fóruns Sociais Mundiais, cujo "mundo" exclui regularmente os camponeses militantes e para os quais "social" significa o constante intercâmbio de mensagens electrónicas entre fundações financiadas por ONGs.


É neste ambiente tão pouco promissor frente às pírricas vitórias dos presidentes dos EUA e da Colômbia que podemos apreciar o génio político e a integridade pessoal de Manuel Marulanda, o maior camponês revolucionário da América Latina. Sua morte não gerará cartazes ou t-shirts para estudantes universitários de classe média, porém viverá eternamente nos corações e nas mentes de milhões de camponeses da Colômbia.


Se recordará dele sempre como "Tirofijo", um ser legendário ao qual mataram uma dúzia de vezes e, apesar disso, regressou aos povos para compartilhar com os camponeses suas vidas simples. Tirofijo foi o único líder que era realmente "um deles", que durante meio século enfrentou o aparato militar e mercenário ianque e nunca foi capturado ou derrotado.


Os desafiou a todos em suas mansões, seus palácios presidenciais, suas bases militares, suas câmaras de tortura e suas burguesas salas de redacção. Morreu de morte natural, depois de sessenta anos de luta, nos braços de seus queridos companheiros camponeses.


Tirofijo presente!

[*] Sociólogo, nasceu em Boston em 1937. Publicou mais de 60 livros de economia política e quatro colecções de contos.
A versão em castelhano encontra-se em http://www.rebelion.org/noticia.php?id=67973
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

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