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Desporto

Daniel Enriquez – Gerente Esportivo Do Club Nacional De Football De Montevidéu

25.06.2010
 
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envolvido com a sua turma, ele precisa ser palestrante a cada semana de diversos assuntos. Hoje, o balanço do jogo de ontem; amanhã o uso da camisinha, logo pode discursar da alimentação, um outro dia: um jogador faltou no treino sem avisar para ninguém responsável no clube, o respeito pelo treinador, pelos colegas e até por ele próprio. Há sempre um tempo suplementar para falar da vida mas para isso, o próprio treinador precisa ser exemplo. É ele o responsável de abraçar ou até dar um beliscão para o jogador reagir perante um erro. Resumindo, acabo me envolvendo muito mas de jeito específico na moldagem do jogador, o perfil dele. Caso tivermos dois craques no clube mas sem o perfil do clube, peço para o treinador que procure substitutos para esses dois jogadores. É o Nacional que vai moldar aos jogadores e não os jogadores ao clube.

P: Após teus comentários gostaria saber se o zagueiro Diego Lugano não tinha o perfil do clube pois fala-se que saiu para o clube Plaza Colonia e daí para o São Paulo quase de graça.

ENRIQUEZ: Eis aqui a resposta. Esse é um outro assunto no qual precisa se envolver o Gerente Esportivo e eu ainda não estava no Nacional no cargo. Nacional não tinha Gerente Esportivo nessa data. Ele tem que tomar conta das valias do clube; aqui as Diretorias mudam a cada três anos e o treinador a cada ano, 6 meses ou no máximo dois anos. Vou compartilhar mais um comentário contigo. Fui zagueiro e capitão da 6ª, (ainda não tinha 7ª),da 5ª,da 4ª e capitão e artilheiro da 3ª. Sempre conquistamos o título fora na 4ª que alcançamos o vice. Logo campeão Sul-Americano Júnior na Venezuela 1977 vestindo a camisa celeste, Mundial da Tunísia, Campeão de América e do Mundo com o Nacional em 1980 – 1981. No clube aconteceu um problema com dois jogadores veteranos dessa turma, os treinadores Mujica e Gesto saíram do clube pois na hora de voltar da Final de Tóquio o agir em campo do time tinha diminuído bastante e os torcedores continuaram pedindo que o time ficasse lá cima no pódio. Então houve problemas de disciplina com dois dos jogadores famosos dessa turma que foram expulsos, dois titulares dos Campeões do mundo numa viagem. Essa turma sem esses dois jogadores não estava conseguindo resultados ótimos então os torcedores reclamaram e o Mujica e Gesto saíram do clube alguns meses depois de ter conseguido esse caneco. Os dois jogadores voltam (não estou caindo acima dos jogadores, a situação é o importante) e contratam um treinador fora da política do clube (não estou querendo se quer dizer o nome), que nunca jogou no clube e perante a pergunta da Diretoria da época quanto ao futuro do time, ele confirmou que tinha que renovar a turma e nesses que saíram estava eu. Em Fevereiro de 1981 fui Campeão do Mundo com Nacional, estive na cimeira, imagina só e meu grande sonho continuava sendo vestir a camisa do Nacional fora os passes que pudessem me cativar. Janeiro de 1982, fiquei a par da minha situação com o clube lendo um jornal. O Enriquez ficou livre porque houve um treinador que montou uma lista de jogadores sem a minha participação. Se por acaso houvesse alguém num Departamento Esportivo, um Gerente, um Diretor, que tivesse acalmado o treinador confirmando que eu tinha feito a escada toda nas categorias de base, que era capital do clube, que o Nacional teria que vender dizendo que mesmo tendo 6 meses ruinzinhos não dava para deixá-lo livre, pois é uma valia do clube sem sequer falar do segmento financeiro, poderia ter ficado. Com o Lugano aconteceu um situação semelhante. Nacional tinha um treinador que não gostava dele e eu era apenas Coordenador dos Juniores mas ainda não tinha condições para mexer nesses assuntos envolvidos com os adultos. Eu avaliava um jogador das categorias de base para que o treinador dos adultos utilizasse mas se ele não gostava do jogador, voltava nas categorias de base e nada a reclamar. Então se o treinador dos adultos está querendo vencer dos rivais a cada fim de semana, as Diretorias também e você nos juniores está querendo moldar jogadores de olho no melhor futuro do clube, estamos misturando projetos e pior ainda estragando o projeto final.

Quando em 2005 fique com o cargo de Gerente Esportivo, pulamos por cima dessa barreira e agora eu consigo mexer em tudo, naqueles jogadores que sobem na turma dos adultos, os que viajam para um outro time, naquele que a gente contrata e o que não assina contrato, pois marca uma linha esportiva desde o caçulo das categorias de base até o jogador que tentamos contratar no exterior. Eu encaminho essa linha para o treinador da 7ª e também para o dos adultos e se ele me dissesse que ele não gosta do Coates, vou responder que o Coates não vai sair do clube. Coates nem só não vai sair senão que vai jogar no time pois ele é patrimônio da instituição. O treinador precisa potenciar o Coates como todos os que são valia do clube e nem por acaso achar que pode montar uma turma nova a cada temporada. Voltando ao assunto Lugano, ele era destaque júnior mas o treinador dos adultos não gostava dele e todos nós não acreditávamos assim que renovava o passe para um outro time. Todos éramos torcedores do Lugano pois foi produto da gema do clube. Ele era «Gardel» (o máximo) em juniores mas o treinador adulto foi a barreira para ele continuar no clube.

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