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Desporto

Daniel Enriquez – Gerente Esportivo Do Club Nacional De Football De Montevidéu

25.06.2010
 
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ENRIQUEZ: No meu caso, acho que tenho condições para administrar as pessoas, habilidade na hora de tirar benefício dos próprios erros, «capacidade» procurando a valia dos outros, neste caso dos jogadores, treinadores, colegas nessa tarefa que encaminhamos juntos no dia-a-dia no clube, como também é o caso dos membros das diretorias. Acho que tenho olho clínico, tentando sempre tirar benefício do melhor de todos para colocá-lo ao dispor do clube. Na hora que a gente consegue esse aprimoramento para um time, falando de jeito específico do Club Nacional de Football, da instituição em si própria, que fica sob a minha vistoria. Eu não estou apenas cuidando da tarefa dos treinadores e jogadores, também compartilho a cada semana as sessões da diretoria num intercâmbio constante de comentários tentando a cada instante interação pura e abraçando tudo quanto a gente pode abraçar.

P: Numa oportunidade alguém falou para mim que fosse amigo dos Secretários Executivos das associações e não dos Presidentes pois os Secretários ficam e as Diretorias mudam. Acha que o Gerente Esportivo de um clube teria que ficar para conquistar alvos fora as mudanças das Diretorias? Na maioria das oportunidades ficar nesse cargo, gera boas gestões e resultados.

ENRIQUEZ: Sem dúvida. Caso mudar a cada três anos aos funcionários de confiança do clube, é recomeçar mesmo e acho que não tem senso nenhum. Mais ainda, posso acrescentar o seguinte: a minha opinião também abrange os treinadores do clube, e não estou falando do caso do treinador do time adulto pois esse rende exame a cada fim de semana além de sofrer estrago que na maioria dos casos abraça um período de um ano e meio ou dois anos no máximo, seja campeão ou não. Estou me referindo aos treinadores das categorias de base pois tendo um esqueleto firme, a gente poupa tempo. No meu caso específico, acho que a minha firmeza no cargo vá de mãos dadas com o tempo que levo dentro da instituição. Cheguei no clube no ano 1999 como treinador da 3ª e 4ª Divisões. Já no ano 2000, ganhei carimbo de Coordenador Esportivo das categorias de base até 2005. São etapas que vamos completando gradativamente e acho que em 2005, estava pronto para «pular em campo» e aí fui confirmado como Gerente Esportivo, porém já são cinco anos nesse posicionamento no clube. Por enquanto, essa experiência ganha desde o início no clube, desde treinador na 4ª Divisão até hoje Gerente Esportivo tem me tornado um «homenzarrão» para desenvolver os projetos. Vamos aprofundar mais ainda, confira que em 1999, comecei com o ex Presidente, Dom Dante Iocco, logo foram 6 anos junto com o Economista Eduardo Ache (duas etapas) e agora junto com o Ricardo Alarcón mais uma etapa e meia. Com antecedência a todos eles e antes de ir a trabalho como treinador para o Japão tinha trabalhando dois anos do lado do Ceferino Rodríguez, fui para o Japão e assim que voltei o Iocco estava na Presidência. Então, acho que tem me adaptado ao esquema do clube e agora não vou falar de mim mas sim do cargo Gerente Esportivo; trata-se de um ferramental que o clube precisa tanto quanto o Gerente Administrativo, o de Marketing, o de Logística e todos quanto a estrutura do clube precisar. Todos eles teriam que ficar como parte do estafe do clube sem mudanças no decorrer do tempo além das alterações que houver nas Diretorias pois o presidente entrante precisa usar o ferramental que o clube dispõe, que no final somos todos nós, tentando desenvolver uma gestão melhor.

P: Acabou de morrer o ex zagueiro internacional Emilio «Cococho» Álvarez, jogador com mais participações em campo vestindo a camisa do Nacional, 511 oportunidades. ¿Reflita quanto ao assunto?

ENRIQUEZ: O «Cococho» foi demais, pode ter certeza disso. Homem recorde, sem dúvida. É uma peninha mesmo que pessoas como ele tivessem aberto os olhos á luz faz setenta anos e não hoje. Percebe? Esses grandes jogadores que foram glórias, acabam morrendo numa situação econômico-social que todos aqueles que os apreciamos gostaríamos tivesse sido absolutamente diferente. Na atualidade, um jogador estréia no time e logo após 6 meses ele já foi embora do clube, como poderia acontecer daqui a pouco com o zagueiro Sebastián Coates (1,96 m) pois o ambiente esportivo uruguaio já fica pequeno para ele, a cabeça voa muito alto, os agentes estão fazendo uma forcinha tentando a venda e até porque o clube precisa dessa verba do passe para continuar respirando. São inúmeros motivos que impedem ter o Coates no time adulto do Nacional no decorrer de três anos. Aliás, na hora de dar uma repassada no histórico do «Cococho» no clube, um cara humilde e tanto, tendo reduzido as chances de concretizar passes que tivessem refletido na conta corrente dele, sendo um grande jogador da gema e ficando os últimos anos da vida dele sem sufoco financeiro, da para ficar triste. Ele jogou nos decênios de 1960 e 1970, época difícil para poupar uma verba de olho no futuro após ter pendurado as chuteiras. Na maioria dos casos não tinham se preparado para a aposentadoria. Tem glórias com o «Cococho» que não alongaram os olhos planejando o dia depois da despedida do gramado, tentando ficar envolvidos no ambiente do futebol ou seja qual for mas com sucesso.

P: Nacional e você estiveram na liderança quanto ao cargo de Gerente Esportivo no Uruguai. Quais são as funções? Mexe no assunto de imprensa, trabalhade forma coordenada com a Diretoria? Com os jogadores? Com o treinador e sua turma?

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