Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Alberto Pedro Spencer

Como uma grande idéia do uruguaio Washington Cataldi (Ex-Presidente do Peñarol de Montevidéu) nasceu a Taça Libertadores à partir do 1960, ano que foi ganha pelo Peñarol que até hoje continua sendo o clube americano com mais participações.

Peñarol tem ganho três das cinco Libertadores com o equatoriano Alberto Spencer vestindo a camisa 9 além de duas finais Intercontinentais perante duas grandes equipas européias como o Benfica de Portugal e o Real Madrid da Espanha.

Porém é porção importante dos 115 anos de vida do clube uruguaio das onze estrelas.

Foi descoberto no Equador pelo treinador uruguaio Hugo Bagnulo (Campeão da Libertadores 1982) no 1959 com apenas 18 anos.

Ele passou ótimas referências para o Peñarol que acabou comprando-o por apenas 10 mil dólares americanos logo ter viajado para fechar negócio o Presidente dessa década Cdor. Gastón Güelfi (hoje o nome oficial do Palácio Peñarol).

Alguns meses depois o Spencer já mostrava seu primeiro caneco com a camisa preta e amarela vencendo o Club Atlético Cerro de Montevidéu na final do Campeonato Uruguaio de 1960.

Esse foi o primeiro de muitos canecos ganhos pelo “Cabeça Mágica“ até pendurar as chuteiras.

Com duas poderosas e contornadas “molas” em forma de perna começou pular nas pequenas áreas dos estádios do mundo dando as cabeçadas mais precisas da década de 60 que provocaram o pranto das torcidas contrárias.

Durante essa década gloriosa sofreu apenas em quatro partidas perante a outra equipa uruguaia com historia mundial (só à partir do 1971 com o goleiro mundial brasileiro Ayrton Correia de Arruda “Manga”).

Após 46 anos do início da Libertadores continua sendo o maior artilheiro histórico com 54 gols ( 48 Peñarol de Montevidéu. – 6 Barcelona de Guaiaquil ).

Conseguiu um romance ideal com as redes perfurando-as cada final de semana, sendo referência para jogadores mais novos ou dos moleques nos bate-bola das ruas ou “campitos” do país inteiro que tentavam xerocar aqueles movimentos únicos do herói do relvado.

Marcou 326 gols no Campeonato Uruguaio e acima de 500 no global.

Perdeu e ganhou “batalhas” nessas Libertadores dos 60 perante grandes equipas sul-americanas como o Palmeiras y Santos ( do Rei Pelé ) do Brasil e Independiente e River Plate da Argentina, que foram esqueletos das Seleções dos Mundiais do Chile 1962, Inglaterra 1966 e México 1970.

A novidade da morte do Spencer aconteceu durante a XVI Cimeira de Presidentes de Montevidéu porém o presidente equatoriano Dr. Alfredo Palacio junto com toda a imprensa equatoriana e uruguaia visitaram o Museu do Peñarol aonde o Spencer é múltiplo-destaque nas paredes e vitrines.

Spencer tinha sido transportado desde Montevidéu até Cleveland-Ohio-EUA num avião com equipamento especial fretado pelo governo equatoriano tentando aumentar as possibilidades de sucesso numa cirurgia cardíaca.

Logo o aparente sucesso uma infecção apitou o final da partida do “Boneco Elétrico”, nomeação que ganhou do narrador uruguaio Carlos Sole na hora de concretizar o terceiro gol perante o River Plate argentino na final da Libertadores 1966.

O PRAVDA de Moscovo em português conversou com o amigo do Spencer e camisa 4 do Peñarol 66, Pablo Forlán ( pai do Diego Forlán – Pichichi 2005 e dono da camisa 5 no Villarreal da Espanha ).

Segundo o Forlán, Alberto foi um dos dez destaques da história do Peñarol pois além do grande respeito que sente por ele, reconhece que a história do clube é muito importante.

Continuou dizendo que a história do futebol charrúa visualiza vários jogadores destaques do mundo, do Peñarol e Nacional de Montevidéu (até 2006 continuam com o raro privilégio de serem as únicas equipas junto com o Milão e Boca Juniors que conseguiram três Intercontinentais).

Pablo confirmou que a experiência que ganhou sendo o “caçulo” do time do lado dos mais velhos “chefiados” pelo Tito Gonçalves e Alberto Spencer foi intransferível.

O goleiro Ladislao “chiquito” Mazurkiewicz, quase “gêmeo” com o Pablo também foi fundamental nesse Peñarol 66 com apenas 20 anos (Inglaterra 66, México 70 e Alemanha 74).

Voltando ao alvo de hoje, Pablo disse que Alberto jogou junto com ele duas partidas com a camisa celeste perante seu país Equador em Guaiaquil no 1968, para logo jogar mais duas perante o Peru.

Pablo lembrou-se daquela partida no Estádio Nacional de Santiago de Chile o 20 de maio de 1966 no qual Peñarol conseguiu uma façanha dando uma virada do resultado do início 0 x 2 pelo 4 x 2 final.

Especial lembrança do terceiro gol no tempo suplementar com a cabeçada do Alberto após uma bola que colocou com precisão subindo pela faixa direita da quadra.

Pablo acredita que tanto esta partida quanto o Maracanaço naquele 16 de julho de 1950 com o Uruguai também dando uma virada no resultado perante o Brasil de 2 x 1 foram partidas marcantes para o futebol uruguaio.

Com a humildade de sempre o Pablo salienta que houveram muitas outras mas essas duas foram inesquecíveis até para aqueles que nessa data ainda não respiravam o ar deste mundo.

Sempre como eixo o Spencer é bom falar do respeito que até os jogadores do Nacional tiveram pelo grande artilheiro por fora de perder apenas uma das 21 partidas “clássicas” do Campeonato Uruguaio perante o “tricolor”.

Essa condição de grande dentro e fora do gramado fez com que o governo equatoriano distinguisse com a nomeação de Cônsul no Uruguai.

O corpo do Spencer vindo desde EUA com destino final Montevidéu fez conexão para ficar algumas horas na cidade de Guaiaquil no Equador aonde mais uma vez o Presidente Alfredo Palacio fez merecida homenagem no Coliséu Voltaire Paladines Pólo.

Na madrugada desta terça 7 de novembro chegou no Aeroporto Internacional de Carrasco ( Montevidéu ) sendo recebido pelos amigos do Peñarol 1966 como Pablo Forlán, Héctor “Lito” Silva e Nestor “Tito” Gonçalves ( o grande capitão ).

O Tito falou que os amigos como Alberto nunca morrem...ele está aí., como estão os Campeões do Mundo do 1950, Oscar Omar “Cotorra” Miguez, Obdulio Jacinto “Negro Jefe” Varela e o goleiro Roque Gastón Máspoli.

O Lito disse que continua com orgulho de ter participado nesse time que é um dos mais lembrados pelos torcedores do futebol uruguaio.

O Pablo, lembra com orgulho sendo o caçulo da “turma” ter tido participação nesse terceiro gol que começou marcar o final do jogo perante o River argentino.

Às 8:20 da manhã entrou no Palácio Peñarol ( Estádio de Basquete com lotação para 8 mil pessoas ) o corpo do Alberto Spencer para essa última homenagem do povo uruguaio, sem importar a cor da camisa.

O jornalista esportivo Enrique Yanuzzi disse que segundo ele foi o mais grande de todos na históra do Peñarol pois nunca fez gols em cachoeira mas sempre estava presente nas grandes partidas com gols simples.Também salientou a atitude duma filha do Spencer pedindo um bate-palmas para o pai e ninguém chorando-o.

Comentários do Dr. Hernán Navascuéz do Club Nacional de Football falou que por um assunto de idade, ele “sofreu” o Spencer mas tratou-se sempre de um Senhor do esporte porém sentiu que tinha que participar dessa homenagem.

O Dr. (advogado) Julio Maria Sanguinetti, Ex.-Presidente Uruguaio (1985– 1990 e 1995-2000) além de presidente honorário do Peñarol foi quem falou do Spencer na despedida desse “ preto de Ouro “ que ele conheceu nestes 47 anos e tudo quanto “compartilhou” com ele.

O Estádio Modelo da cidade de Guaiaquil – Equador vai levar o nome do Alberto Pedro Spencer e felizmente ele soube antes de morrer.

Faz um ano ele brincou com os jornalistas que confirmaram que iam colocar o nome dele ao Estádio Modelo.

Falou assim...pois é...achei que estavam esperando a gente morrer para colocar o nome!!

Spencer participou pelo Equador nas Classificatórias para as Copas do Mundo 62 e 66 sem conseguir o objetivo.

Naturalizou-se uruguaio jogando 7 partidas com a celeste sendo o primeiro “uruguaio” em furar as redes do mítico Estádio de Wembley numa partida que ganharam os ingleses de 2 x 1.

Spencer integrou aquela equipa que ganhou a primeira Taça Intercontinental com Peñarol 1961 vencendo o Benfica de Portugal do moçambiquenho (português) Eusébio, mais logo destaque no Mundial da Inglaterra sendo até 2006 da mão do Felipão a melhor credencial dos lusos.

Participou daquela partida inesquecível do 1966 perante o River Plate aonde o goleiro Amadeo Carrizo na hora do 0 x 2, parou uma bola simples com um dos mamilos provocando a raiva dos jogadores do Peñarol que multiplicaram-se até conseguir a façanha.

Nessa mesma partida que fez com que o torcedores de Boca Juniors apelidaram de “galinhas” a tudo quanto tem a ver com o River Plate pela vergonha dessa virada histórica.

Participou dessa vitória 2 x 0 do Peñarol 1966 no Estádio Santiago Bernabéu de Madri perante Real Madrid, sendo essa a primeira partida internacional perdida pelos “galácticos” creme dos 60 no Bernabéu.

O Jornal PRAVDA de Moscovo edição em português agradece o apoio do Pablo Forlán como amigo do Spencer e da Alejandra Forlán ( filha do Pablo e exemplo de vida ) que fez parte importante na montagem desta matéria.

Ao grande Alberto Pedro Spencer..um pedido do PRAVDA em português

Continua furando redes lá cima !!!

Até mais CAMPEÃO !!!

CORRESPONDENTE JORNAL PRAVDA de MOSCOVO

EDIÇÃO em PORTUGUÊS.

GUSTAVO ESPIÑEIRA

Montevidéu - Uruguai

7 de Novembro de 2006