Pravda.ru

CPLP » Portugal

Portugal: 2 anos após Gisberta, a transfobia volta a matar

18.03.2008
 
Pages: 12

Falando – dependendo da tentativa (ou não) de não parecerem transfóbicos – de transexual com o corpo de homem (para pudicamente dizer "com pénis"), de homem vestido com roupas de mulher, ou de travesti com seios. Alguns chegam mesmo a falar de homofobia.

A imagem emergente deste tipo de artigos faz da vítima uma monstruosidade apresentada para gáudio da curiosidade pública, sem qualquer respeito pelo seu género ou pela intimidade do seu corpo e dando a impressão de que é quase (ou mesmo absolutamente) normal que este tipo de pessoas sejam assassinadas.


A outra imagem veiculada desta forma é a de que ser trans é querer enganar "o mundo" usando um disfarce particularmente bem arranjado que dá a aparência enganosa de homens e mulheres... e se enganam o mundo é evidentemente natural que as pessoas enganadas reajam.

Este tipo de discurso feito pelos media está, infelizmente, longe de ser o caso apenas no que respeita ao homicídio; é o caso de quase todas as emissões, artigos e entrevistas sobre o tema trans.

Os media portugueses, no seu conjunto, satisfazem-se na descrição da precariedade das vidas das pessoas trans – seja a prostituição, o uso de drogas, o estado de seropositividade, de se estar ou não legalizad@ como imigrante em Portugal, de se ter ou não uma Habitação – como se fosse uma escolha das vítimas viver assim, ocultando que a transfobia determina essa mesma precariedade, e apresentando como escandalosa não apenas a "escolha" de se ser trans, como a deste estilo de vida, apresentando as vítimas como pessoas imorais e chocantes, continuando desta outra forma a promover a transfobia, a precariedade das vidas trans e o facto de estas pessoas estarem entre as que mais provavelmente arriscam uma agressão.

-----------------

Convocatória de acção internacional: entre 24, 25 e 26 de Março

Que se faça uma vigília, com velas, em especial memória de Luna e de tod@s @s trans vítimas da transfobia.

A iniciativa partirá de numerosos pequenos e grandes grupos no maior número de cidades possível.

Com cartazes, frente à embaixada ou consulado de Portugal nas cidades onde estes existam, ou em praças frente a ministérios europeus, frente a hospitais psquiátricos ou onde quer que a homofobia se construia.

Sugerimos estas frases:

Luna trans 42 anos brasileira, prostituta assassinada em Lisboa.

Estatisticamente quão maior é o risco de um(a) trans ser agredido comparativamente a ti? E assassinado?

Conforme o país, propomos a frase:

Stop às leis transfóbicas e para quando uma lei contra a transfobia?

Ou para os países que ainda não legislaram transfobia:

Para quando uma lei contra a transfobia?

Este caso não é específico a Portugal, é internacional e a luta deve ser feita em conjunto.

(A nível prático, organizar em pequenos grupos em lugares distintos será mais simples que pedir às pessoas que se mobilizem às embaixadas portuguesas que estão concentradas nas capitais)

Pedimos que difundam esta acção, que a façam participada e que nos façam chegar testemunhos, fotos, artigos, etc. a panteras.lisboa@gmail.com

Pages: 12