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Fazer a discussão sempre adiada: os 50 anos do Relatório Kruschev

07.11.2006
 
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Confrontado com dificuldades económicas, Krushchev recorreu empiricamente a algumas soluções bukarinistas, de restauro das relações mercantis, de reapropriação das mais-valias pelas empresas estatais e um vasto programa de incentivos ao campesinato. Sem que estivesse contudo apetrechado de teoria suficiente para empreender uma remodelação da estratégia de transição. Ameaçou ainda assim de tal forma a elite administrativa e burocrática que acabou por ser por ela derrotado em 1964 a favor de Brejznev.

Qual a pertinência de retomar hoje as velhas discussões bolcheviques? É que a extensão do crescimento da economia estatal na URSS foi um resultado inesperado em relação ao pensamento clássico de Marx e Lenine, fruto da imaturidade do programa bolchevique. Antecipou porém, em muitos aspectos, a evolução económica mundial, sobretudo na Europa ocidental, onde o Estado cresceu como formação económica de relevo, apesar dos ataques neoliberais. Perante o qual, precisam os trabalhadores e os comunistas de debater o sentido da sua intervenção. Para que as oportunidades de alcançarem posições de governo e na administração, sirvam para a transformação em direcção socialista.

Que linha adoptar então face ás formações económicas estatais que hoje proliferam, apesar de defrontarem em muitos casos a oposição dos políticos capitalistas? Irá a esquerda limitar-se a administrar a economia estatal, tal qual a herdem dos capitalistas, ou vão partir dessa plataforma para empreender uma efectiva remodelação?

Vão continuar a favorecer uma apropriação estatal da riqueza, com perpetuação do assalariamento, naquilo que é um pensamento da esquerda, ou vão empreender, pelo contrário, uma transformação das relações de produção que dêem aos trabalhadores mais poder e controlo sobre a riqueza de que são os principais criadores, no que pode ser olhado como um argumento à maneira de Bukharine?

O programa de alternativa que os comunistas irão empunhar carece portanto de uma superação dos bloqueios sobretudo ao nível da teoria económica que degeneraram no Estalinismo, e que acabaram por derrotar as sucessivas tentativas de o corrigir. De acordo com o historiador (Eric Hobsbawn, um historiador marxista maior do século XX) a história não serve para resolver problemas, mas identifica os problemas que temos que resolver.

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