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Portugal: Erros crassos dos serviços públicos

05.06.2006
 
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Não podendo pagar por multibanco, pois o prazo tinha terminado e quem viajar nem sempre está à porta para receber o correio, a companhia EDP nem sequer providenciou um código alternativo para pagamento em atraso (como fazem outros serviços) e nem tomou em conta o facto que a situação era provocada por uma avaria nos serviços públicos.

No atendimento telefónico, informaram que “Não é a nossa culpa. Terá de pagar na segunda-feira numa das nossas lojas de atendimento”. Mas não é a minha culpa também, e por quê é que devo perder uma manhã inteira numa fila interminável para pagar uma conta atrasada porque não chegou a factura a tempo?

Telefonei antes de ir pagar no Marquês de Pombal em Lisboa, perguntando se poderia pagar com multibanco (tendo explicado bem a situação), pois em Portugal ainda há serviços que exigem o pagamento com dinheiro ou em cheque. “No Marquês de Pombal? Pode pagar por multibanco”. “Mas tem a certeza?” “Certeza absoluta. Há mais uma coisa em que posso ser útil?”. “Não, se posso pagar por multibanco, então foi só isso que queria saber”.

Desloco-me para o Marquês de Pombal (porque gosto de viver estas experiências pessoalmente), tendo cancelado uma reunião com agência de publicidade, tendo rearranjado uma entrevista com um jornalista e tendo adiado a reunião da redacção. Entro no edifício da EDP, onde encontro duas funcionárias, que apontam para o “pay shop” no centro comercial ao lado, onde me informam, depois de ter estado na fila há imenso tempo, que “Pagamento só com Eurocheque”.

Nestes casos, os que controlam os serviços são incompetentes. Que se coloquem a par das novas tecnologias e arranjarem soluções mais fáceis aos utentes, como códigos alternativos de multibanco para pagamento em atraso, como juntar a quantia na factura seguinte (renderia mais dinheiro ao Estado) e que tratem os cidadãos de uma forma civilizada, e não com a tamanha arrogância que se encontra quer na carta, quer nos serviços de atendimento da EDP, onde dizem “Não é a nossa culpa”.

Pois, nunca ninguém tem a culpa de nada em Portugal. Onde ninguém assume a culpa, ninguém assume a responsabilidade e quem paga a irresponsabilidade e falta de culpabilidade dos outros é o peão, o povo, o palhaço em que o sistema me tornou hoje. Por isso o país anda a cair a pique na classificação económico e em termos de indicadores sociais. Por isso o cidadão é tratado a chuto. Por isso sou hipertenso. Por isso o país inteiro está a falar de cerveja e futebol e por isso temos situações absurdas como aquela que vivi hoje. Mais uma.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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