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A falta que nos faz um Leonel Brizola

31.07.2020
 
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A falta que nos faz um Leonel Brizola

Estou cada vez mais convencido que a última grande oportunidade que o Brasil teve ser um país moderno e socialmente mais justo com seus filhos, foi na Legalidade de 1961. Leonel Brizola, muito menos pela sua visão política, mas mais pelas circunstâncias históricas que o empurraram para um confronto com o imperialismo americano, era o homem certo, no lugar certo para tentar construir um país com forte espírito nacionalista e com viés até socialista.

Na ocasião foi Tancredo Neves, com seu impróprio espírito de conciliação, o mesmo que não teve em 54, quando foi um dos poucos ministros a ficar com Getúlio Vargas.quem induziu o vacilante João Goulart a um acordo com os militares.

Em 1964, Jango pagou caro por isso, sendo derrubado pelos mesmos milicos com os quais fizera um acordo. O golpe de 64 encerrou definitivamente a possibilidade de se construir a grande potência sul-americana com que todos sonhávamos. Mas Tancredo Neves continuou ativo durante todos os anos de ditadura. Quando ela quebrou definitivamente. no governo Figueiredo, foi novamente chamado para negociar a tal transição para a democracia, nada mais do que um acordo entre as elites políticas e econômicas do País, com os militares para fazer o que Tancredi Falconeri,do livro Il Gattopardo, recomendava - mudar, para continuar tudo igual .
A democratização trouxe os governos do Sarney, do Collor e do Itamar, mas trouxe também a esperança de uma mudança de rumos com o surgimento do Partido dos Trabalhadores. Inicialmente, ao lado dos sindicalistas paulistas de Lula, também se reuniram sob a bandeira do PT, pessoas oriundas da juventude católica de esquerda e dos movimentos de resistência armada.

O PT repetia o que nos dizia no passado o PCB, o da possibilidade de uma transição pacífica para o socialismo. Embora essa mensagem nunca fosse clara para os dirigentes do partido, especialmente o Lula, era perceptível nos sonhos dos seus ativistas, principalmente os mais intelectualizados..
Depois de três derrotas eleitorais (para Collor e duas para FHC) o partido, sob a orientação de Lula, marchou firmepara a direita, ganhando finalmente a eleição de 2002.
Foram 14 anos de governos petistas, onde os acordos de convivência pacífica com a alta burguesia e o imperialismo, para que eles permitissem algumas conquistas sociais, trouxeram melhorias reais de vida para o povo brasileiro.
Mas era mais uma ilusão para a população pobre. A crise geral do capitalismo foi uma onda devastadora que atingiu os trabalhadores do mundo inteiro. E não foi diferente no Brasil, apesar do Lula achar que era apenas uma marolinha. O projeto petista esboroou como um castelo de cartas, porque se viu que ele fora incapaz de construir uma aliança forte com os trabalhadores e o Brasil mergulhou nesse pesadelo em que vive hoje.
Pensar em recomeçar esse processo por via eleitoral em 2022, com os mesmos argumentos e projetos do Lula e companhia é querer repetir o erro.

Quem sabe possamos começar a pensar em outro projeto, nacionalista e popular como propôs Brizola em 62?
O problema é saber quem poderia fazer hoje o papel do Brizola?

Marino Boeira é jornalista, formado em História, pela UFRGS

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