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Cultura nas propostas dos candidatos

22.10.2020
 
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Cultura nas propostas dos candidatos

 

Adilson Roberto Gonçalves

 

            No Brasil haverá eleições municipais no próximo dia 15 de novembro. A partir de um comentário de grupo de Whatsapp, analisei a presença da Cultura nas propostas de governo dos candidatos à Prefeitura de Campinas-SP, cidade sede de região metropolina, que possui mais de 1,2 milhão de habitantes. Das 14 candidaturas registradas no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma não possibilita a consulta por apresentar um link quebrado, conforme consulta realizada em 21/10/2020, a de Edson Dorta (PCO). Em análise anterior realizada em 2/10/2020, não publicada em jornal dessa cidade, o site do TSE não apresentava o texto referente à proposta de governo de Rogerio Menezes (PV), que foi juntado em 5/10/2020.

 

            Os tamanhos dos textos das propostas variam de 3 a 176 pg, totalizando 465 pg de extensa leitura. A presença da palavra cultura e seu cognato cultural não foi identificada em apenas um dos textos registrados: nas 6 pg do plano de Laura Leal (PSTU). O formato do plano do Dr. Hélio (PDT) não permite a contagem de palavras, mas contém um tópico específico referente à Cultura de 1 pg e foi considerado na análise.

 

            O Prof. Ahmed Tarique Agio (PMN) não introduziu a Cultura como elemento de destaque em sua proposta. De forma semelhante, as propostas da Delegada Teresinha (PTB) e de Dario Saadi (Republicanos) contêm um item sobre Cultura, mas que está junto com esportes e/ou turismo.

            As propostas foram dividas em dois grupos, em função de a) colocar a Cultura como tópico específico na proposta; e b) o número de citações em função da dimensão do texto total. Presumindo-se que os textos não foram redigidos com o propósito de incorporar mais ou menos palavras, é razoável concluir que a proposta resultante é próxima ao pensamento do candidato ou de sua equipe que a elaborou.

 

            Assim, no grupo de candidaturas que dá maior importância à Cultura temos as que possuem tópico específico e possuem um índice de citações/página maior que 1,0: Alessandra (PCdoB), André Von Zuben (Cidadania), Artur Orsi (PSD), Dr. Helio (PDT), Pedro Tourinho (PT), Rafa Zimbaldi (PL) e Rogerio Menezes (PV).

 

            As que dão menor importância, com índice de citações/páginas menor que 0,6, são: Dario Saadi (Republicanos), Laura Leal (PSTU), Prof. Ahmed Tarique Agio (PMN), Rogerio Parada (PRTB) e Wilson Matos (Patriota). Ressalta-se que em números absolutos o texto de Rogerio Parada (PRTB) é o recordista em citações, fruto da extensão de sua proposta (176 pg), que apresenta em detalhes a situação cultural ora existente.

 

            A proposta da Delegada Teresinha (PTB) é intermediária por ter índice de citações/página maior que 1,0, mas apresentar a Cultura como tópico atrelado aos esportes.

 

            Os nomes e partidos são aqui abertamente citados porque é o que consta no site oficial do TSE.

 

            Não foi objeto desta análise o conteúdo e a qualidade das propostas, nem outros aspectos que não fosse a presença da palavra cultura. Porém, a análise serve de alerta para correções, modificações e melhor comunicação com o setor cultural de Campinas. Lembrando que há instituições culturais devidamente reconhecidas, além de dezenas de grupos, associações, coletivos e um longo etc com forte presença na cultura campineira.

 

            Por fim, cabe esclarecer que apenas nas propostas do Dr. Hélio (PDT) e de Rogerio Menezes (PV) consta a construção de um novo Teatro Municipal, sendo que a do candidato do PV diz respeito explicitamente a um teatro de ópera. O texto do Prof. Ahmed Tarique Agio (PMN) critica a atual gestão por não ter construído um teatro nos oito anos de governo, mas não apresenta como proposta fazê-lo. Nas demais propostas não há menção à necessidade da reconstrução de um teatro de ópera na terra de Carlos Gomes!

 

            Já sabendo que haverá críticas, antes de fazê-las, se for o caso, corrijam o que está no site do TSE porque o eleitor não é obrigado a consultar páginas pessoais, pois o importante é a informação oficial, não a oficiosa que pode não se distinguir das fakenews.

 

 

Adilson Roberto Gonçalves, membro da Academia Campineira de Letras e Artes, do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas e da Seção Campinas da União Brasileira de Trovadores.

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_municipais_no_Brasil_em_2020#/media/Ficheiro:Brasil_Municipalties.svg

 


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