Pravda.ru

CPLP » Brasil

O perigo da radicalização política

18.10.2010
 
Pages: 12
discutia o tema em sala de aula e disse ter feito aborto ela mesma, fato confirmado por outras alunas do Instituto de Artes da UNICAMP), José Serra prestou um grande serviço ao atraso. Dificilmente o Brasil estaria preparado para a adoção do aborto como política pública de saúde, até porque não se consegue oferecer a contento nem mesmo serviço dentário. Oferecer esta “liberdade” para a mulher em relação ao próprio corpo, num país onde a violência doméstica ainda é endêmica, é um retrato da hipocrisia nacional no trato do tema. Certamente Dilma Roussef, como mulher sabe disso, e ao invés de criar clínicas abortivas, apoiará uma política de educação e valorização da mulher, seja ela ou não pessoalmente favorável ao aborto.


Ao renegar todas as conquistas democráticas daqueles que fizeram resistência tenaz ao regime militar e pagaram preço elevado pela liberdade do povo brasileiro, tachando injustamente Dilma Roussef de terrorista, Serra assume o mesmo discurso daqueles que o obrigaram ao exílio. Isso mancha sua própria biografia, expondo um traço de caráter (ou falta dele) que predispõe seu grupo político-midiático ao vale-tudo, à polarização de ódio.


O empresariado médio americano entendeu que é perigoso se colocar nas mãos de um grupo de fanáticos obscurantistas, que usam a religião, o medo, a ignorância e a desinformação como armas políticas.


Não estará na hora de toda a sociedade brasileira começar fazer o mesmo?


*Rodrigo Alves Correia

————————————
Cientista político,

Professor do Curso de Relações Internacionais da UNESP Campus de Marília SP
Pages: 12

Fotos popular