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Latinidade

17.06.2009
 
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[...] Também é possível presumir que este nome de América tenha ido se espalhando pouco a pouco até se generalizar na Europa, e que não se conhecendo outra relação impressa descritiva dessas regiões, que a de Albericus Vespuccius, publicada em latim em 1505 e em alemão em 1506 e 1508, acreditassem ver no prenome Albericus a origem, um tanto alterada, do nome da América.

Na Europa, América não era nome de batismo de homem ou mulher, e chamando-se Vespuccio Albérico, fica claro que se fosse ele a dar nome ao Novo Mundo, este deveria ter-se chamado Alberícia, por exemplo, e não América.

Segundo o historiador visconde de Santarém, o florentino Vespuccio veio pela primeira vez ao Novo Mundo em 1499, na expedição de Cabral, e a descrição que escreveu destas regiões foi publicada por Waldseemuller, em Lorena em 1508. Foi Waldseemuller então que teve a injustificável idéia de sobrepor o nome do descritor ao do descobridor.

Quem era, afinal, este Vepuccio? Albérico ou Albérigo – não Amérigo nem Almerigo – Vespuccio nasceu em Florença em 18 de março de 1452; até 1496 foi diretor do escritório bancário dos Medici em Sevilha. Faleceu nesta cidade em 1512.

O historiador Francisco de Arce diz: Foi simples desenhista a serviço de Juan de la Cosa, piloto de Santonha e, aproveitando-se da exagerada modéstia – muito própria da raça – do piloto de la Cosa, assinou as cópias que fazia dos seus mapas, acabando por se apropriar delas, assim como das observações e narrações de viagens do seu patrão, e talvez das de outros navegantes hoje esquecidos.

[...] A idéia de dar o nome de América ao então chamado Novo Mundo, deve-se à proposta do cosmógrafo Martin Waltzemüller, em sua obra Cosmographie Introductio (Saint-Dié, 25 de abril de 1507), e aceita tácitamente por geógrafos e historiadores contemporâneos.

O tempo fez esquecer estes detalhes, e os partidários e discípulos do florentino Albérigo Vespuccio batizam-no Américo, pela assinatura de alguns dos seus mapas, apócrifos, como temos dito, trouxeram o erro muito divulgado de que América deve seu nome ao cartógrafo Vespuccio.

E o continente, mais uma vez, teve o seu nome espoliado.

Inversamente, porém com as mesmas intenções dos antigos romanos, o habitante das ex-colônias britânicas na América se apropria, em pleno século XIX (1845-48), de territórios do México como já havia feito com o nome do continente para se identificar como nação. Para compensar, um século mais tarde Hollywood, localizada em ex-território mexicano (Los Angeles, Califórnia) criará o latin lover, encarnado, segundo acreditamos, primeiro pelo italiano Rodolfo Valentino e depois pelo mexicano César Romero (3), entre outros.

O latino hoje ainda fala castelhano e português, o americano, inglês, por assim dizer. No Brasil, a língua portuguesa está sendo substituída paulatinamente por um dialeto composto de inglês ignorado com português esquecido, devidamente complementado por uma gestualidade simiótica (sic). Dia chegará em que falaremos uma mixórdia incompreensível, a julgar pela contaminação das culturas praticada pelos meios de comunicação de massa. A tal de globalização. O latino agora tem o tipo físico do maputche, do tcharrua, do quechua, do aimará, do maia... E às vezes é congo, mandinga, carabali. O americano é loiro. Operou-se a substituição de identidade sem prejuízos para o dominador de turno, pois é ele o administrador da língua.

Concluindo: aceitar nossa latinidade é admitir a necessidade, no século XXI, do xerife convocar os cruzados para defender nossa (!) ideologia, nosso (!) mercado e nossos (!) hábitos de consumo do fanatismo da raça portadora de turbante, alfanje de plástico e bactérias.

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1 – Provavelmente o autor alemão se refere ao seguinte trecho da Mundus Novus, pretensa carta de Vespuccio a Lorenzo de Medici em 1503 (?): Lá aquela terra soubemos não ser ilha mas continente, porque em longuíssimas praias se estende não circundantes a ela e de infinitos habitantes está repleta. Cumpre salientar que não se tem notícia do original deste documento.

2- Por respeito às fontes, mantemos as divergências de datas e grafias dos nomes próprios.

3- O nome espelha o texto: césar, este cargo sintetiza Roma; Romero (romeiro) é quem vai a Roma.

Bibliografia:

Rojas, Ricardo; Eurindia, Editorial Losada, Buenos Aires, 1951

Herrmann, Paul, Historia de los descubrimientos geográficos, vol. 2; Editorial Labor, Barcelona, 1967.

Vespuccio, Américo (sic) Novo Mundo, Cartas de viagens e descobertas; L&PM, Porto Alegre, 1984

Uslar-Pietri, Arturo, Valores Humanos, vol. 2; Editorial Mediterraneo, Madri, 1976.

Palma, Ricardo, Tradiciones Peruanas, Ediciones Troquel, Buenos Aires, 1959.

Arce, Francisco de, El nombre de América, in América y el vi

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