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Brasil: Araraquara (SP) tornou-se uma ilha de referência no combate à Covid-19

12.04.2021
 
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Brasil: Araraquara (SP) tornou-se uma ilha de referência no combate à Covid-19

 

  

por Fernando Soares Campos(*)

 

 

Na quarta-feira, 7/4, Bolsonaro foi a Chapecó (SC) com o único objetivo de apresentar a cidade catarinense como exemplo de combate à Covid-19. "É uma cidade para ser olhada pelos demais prefeitos do Brasil", garantiu Bolsonaro, logo negando a eficácia do lockdown e insistindo no "tratamento precoce" à base de cloroquina e outras drogas sem eficácia contra o coronavírus.

 

Na transmissão de sua live em 8/4, Bolsonaro afirmou que o tratamento precoce teria influenciado a queda no registro de óbitos e a recuperação de pacientes em Chapecó (SC).

 

No entanto Chapecó apresenta taxa de mortalidade por Covid-19 superior à média nacional, conforme indicam os dados oficiais do município e do próprio Ministério da Saúde. Desde o início da pandemia até a última terça-feira, 6, Chapecó somou 541 óbitos por Covid-19. 

 

Chapecó tem 224.013 habitantes. 

 

Araraquara(SP): 238.339 habitantes. 335 mortes por Covid-19, também contando a partir do início da pandemia (206 a menos que em Chapecó). 

 

Em fevereiro, o prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), decretou rigoroso lockdown, suspendendo todos os serviços que não têm relação direta com a área da saúde, incluindo transporte público e supermercados.


Nos seis primeiros dias de março, o município de Araraquara registrou 35 mortes por Covid-19, consequência, ainda, das aglomerações de fim de ano e outras antes do lockdown em fevereiro. Já em abril, no mesmo período (os seis primeiros dias do mês), foram registradas apenas 5 mortes, seguido de alguns dias sem óbito em decorrência da mesma enfermidade. 

 

Araraquara também registrou considerável queda dos casos de infecção por Covid-19 identificados diariamente. Em 21 de fevereiro (início do lockdown) verificou-se, no município, 217 novos casos, contra 113 em 6 de abril. Quanto aos internamentos, naquela data havia 180 pacientes internados, já em 6 de abril Araraquara contava com apenas 80 internações. 

 

Do dia 6 a 9 de abril, não foi registrado nenhum caso de morte por Covid-19 em Araraquara. Tal fato, de acordo com acompanhamento de pesquisadores  da Universidade Federal de São Carlos, tem relação direta com o rigoroso lockdown decretado pelo prefeito petista. 

 

Araraquara atende pacientes residentes em outros municípios paulistas e até mesmo em estados vizinhos: 

 

Americana (242.018 hab.), Américo Brasiliense ( 41.032 hab.), Araras (132.934), Borborema (16.164 hab.), Gavião Peixoto (4.789 hab.), Ibaté (33.178 hab.), Ibitinga (60.600 hab.), Jaboticabal (76.196 hab.), Jaciara-MT (26.519 hab.), Jardinópolis (44.970 hab.), Leme (103.391 hab.), Macatuba (16.961 hab.), Maracaí (13.344 hab. - Censo 2010), Motuca (4 642 hab.), Naviraí-MS (53.188 hab.), Nova Europa (11.355 hab.), Parisi (2.032 hab.- Censo 2010), Piracicaba (407.252 hab.), Pitangueiras (40.080 hab,), Rincão (10 823 hab.), Santa Bárbara do Oeste (194.390 hab.), Santa Ernestina (5.568 hab. - Censo 2010), Santa Lúcia (5.568 hab. - Censo 2010), Santa Rita do Passa Quatro ( 27.557 hab.), São Carlos (254.484 hab.), Tabatinga (15.881 hab.), São José do Rio Preto (464.983 hab.), Taquaritinga (56.645 hab.), Valentim Gentil (11.036 hab.) e Viradouro (18.428 hab.).

 

Apesar dos pesares, Bolsonaro prefere ter como referência no combate à pandemia a cidade de Chapecó, em Santa Catarina, o segundo Estado do Brasil com mais grupos neonazistas ativos na internet (69 células, que são grupos de 3 a 40 pessoas com ideais e comportamento nazifascista), atrás apenas de São Paulo, onde foram identificados 99 grupos. Tal revelação foi feita em pesquisa realizada por Adriana Dias, doutora em Antropologia Social pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Isso talvez explique a preferência de Bolsonaro por Chapecó.

 


(*)Fernando Soares Campos é escritor, autor de "Saudades do Apocalipse  ̶  8 contos e um esquete", CBJE, Câmara Brasileira de Jovens Escritores, Rio de Janeiro, 2003; e "Fronteiras da Realidade  ̶  contos para meditar e rir... ou chorar", Chiado Editora, Portugal, 2018.