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Saqueio da Amazônia

11.10.2007
 
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Essas são características de países em vias de subdesenvolvimento, fenômeno muito repetido na história mundial: quanto maior a inserção no comércio exterior (hoje, globalização) subordinada aos centros financeiros mundiais, maior é o subdesenvolvimento, como mostrou André Gunder Frank.

5. Mercado e soberania

Em suma, a entrega do mercado implica a entrega da soberania.A ascendência de empresas e bancos transnacionais sobre as decisões governamentais tornou-se cada vez mais escandalosa. Seu poder estende-se à mídia, às universidades e a outros formadores de opinião. As eleições dependem em, no mínimo, 80% de dinheiro e 20% de mídia. Que sobra?

Os danos não se medem apenas pelas colossais cifras do saqueio. Eles derivam de cada medida governamental, de cada lei aprovada. Por exemplo, a liberação de sementes transgênicas, suscetível de causar desastres ecológicos, extorquir os brasileiros por meio do monopólio, e acarretar fome generalizada com o fim das abelhas e da polinização.

6. Contas do saqueio

Estimativa de perdas anuais:

1) descaminho e perdas na exportação de minérios (R$ 800 bilhões);

2) transferências das transnacionais para o exterior, excluídas as compreendidas no item 1, (R$ 400 bilhões) [5] ;

3) sua capitalização real interna (R$ 100 bilhões); 4) fugas de capital (R$ 100 bilhões);

4) “serviço da dívida” pública (R$ 200 bilhões) [6] ;

5) lucros cessantes com a entrega graciosa das estatais (R$ 150 bilhões) e a desnacionalização de bancos e empresas privadas (R$ 150 bilhões).

Total: R$ 1,9 trilhão por ano.

Acrescentando R$ 300 bilhões por ano dos juros, pagos e capitalizados, que pesam sobre pessoas físicas e jurídicas privadas, a sangria sobe para R$ 2,2 trilhões por ano. Essa quantia corresponde a:

5 vezes o total de investimentos anuais no País;

6 vezes a receita corrente líquida da União;

100 vezes os investimentos da União.

E ainda há desinformados que crêem na lenda perversa, segundo a qual temos necessidade de capital estrangeiro, o agente sugador por excelência.

As privatizações e a desnacionalização de empresas e bancos privados:

1) custaram centenas de bilhões de reais ao Tesouro Nacional, como aconteceu com o dinheiro derramado no PROES e no PROES, programas para doar bancos;

2) não lhe renderam um centavo líquido;

3) fizeram-lhe perder lucros de R$ 150 bilhões por ano; [7]

4) acarretaram a perda para o País de patrimônio incomensurável, em relação ao qual falar em muitas dezenas de trilhões de dólares proporciona uma idéia extremamente limitada em seu horizonte temporal. [8]

Além disso, os valores monetários terão de ser revistos em breve, diante da débâcle das moedas internacionais hiperinflacionadas.

Deve ser notado que os derivativos em dólares e em euros, somados, passam de 300 trilhões de dólares.

Esse valor nominal é 7 vezes o PIB mundial, que foi US$ 48,2 trilhões em 2006.

Não há nem como contar esses títulos senão por meio dos impulsos eletrônicos da informática, de resto, sujeitos a manipulação.

Grande parte dos derivativos refere-se a índices de taxas de juros ou de câmbio, sem qualquer base real.

Outra parte substancial está vinculada direta ou indiretamente a contratos hipotecários ou a títulos emitidos para financiar fusões e aquisições alavancadas. [9]

Urge, portanto, entender e ter presente que as principais moedas internacionais valem muito menos do que se pensa, e que o contrário se dá em relação a patrimônios reais fabulosos, como o da Vale do Rio Doce.

Essa, como outras estatais, foi fraudulentamente “privatizada”, na maior negociata da história mundial.

7. O que se desenha

O fato de se vir tolerando abusos de inimaginável magnitude, como os acima apontados, deixa claro que, sem mobilização e organização da resistência, serão implantadas novas violações aos direitos dos brasileiros.

Essas se anunciam:

na legislação trabalhista;

nos tributos;

na previdência;

no aumento das extorsões financeiras previsível com a aquisição da SERASA por um grupo britânico;

na espionagem das pessoas;

na repressão judiciária e policial;

e no mais que seja requerido pelos concentradores do poder mundial.



[1] Medeiros, João Alfredo: artigo de 17 de junho de 2007.

[2] Vide: http://paginas/terra.com.br/educacao/adrianobenayon/fraudeac.html . Essa e outras defraudações, além das emendas à Constituição votadas, sobre tudo depois de 1995, sob a pressão de interesses concentradores e estrangeiros, põem em questão a legitimidade da presente “ordem jurídica”.

[3] Não procede a declaração "devo, não nego", feita por críticos da dívida, pois sua quase totalidade decorre da capitalização de juros a taxas absurdas, mediante a ascendência política de concentradores mundiais estrangeiros .

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