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Vultos e invultos da Pátria

05.08.2020
 
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Vultos e invultos da Pátria

Adilson Roberto Gonçalves

 

Algumas figuras passaram a ter destaque por meio de entrevistas, candidaturas cogitadas ou simples manifestação de entes públicos que são. Vultos ou 'invultos' da pátria? Resposta que talvez nem o tempo saiba. Ou o vento, lembrando um desses vultos, Eduardo Suplicy, que se mantém lúcido em sua proposta de renda mínima, mas sabe que é jogar pérolas aos porcos com o atual governo instalado em Brasília Se nos governos progressistas tal feito não foi obtido, não será agora que obterá sucesso.

O termo 'salvador da pátria' voltou a ser propalado e alguns articulistas apresentam um conceito paradoxalmente amplo e excludente de sua definição, por exemplo, ao incluir Lula nesse rol, mas não FHC. Os problemas do país apontados são de viés reformista e a pergunta que resta é: reforma para quem? Para o povo nunca foi. Para qual segmento dos grupos dominantes? Como mostraram outras reportagens recentes, a questão da escravidão e da posse da terra são aqueles que realmente moldam a injustiça sociedade em que vivemos.

Como eterno possível candidato à Presidência do país, Luciano Huck, mais uma vez, junta pensamentos alheios e frases de efeito para compor um texto no qual posa de defensor do meio-ambiente, mas tem contra si a vergonhosa condenação pelos crimes ambientais em Angra dos Reis e Fernando de Noronha. Se quer ocupar espaço de raposa para cuidar das galinhas, saiba que o posto no atual governo já é do Ricardo Salles. Se quiser avançar com esse populismo neo-mentiroso, planeje detonar uma bomba em algum sistema de abastecimento de água. Aliás, o apresentador juntamente com João Dória e Ciro Gomes têm sido mencionados pelo Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, como fortes candidatos da centro-direita.

Eis um outro personagem lembrado em entrevista recente. Há que se lembrar que muita gente votou em Lula quase vinte anos atrás pela confiança em José Dirceu, dado seu passado revolucionário. O destino levou a outras perseguições e famigeradas ações penais com provas frágeis, exercício do que seria praticado contra Dilma Rousseff. Dirceu ainda teve de engolir uma famigerada suposta biografia feita por alguém que desconhecia totalmente sua trajetória. Continuemos a seguir a paixão de José Dirceu, um verdadeiro vulto deste país.

Não menos importante que esses outros vultos, o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel, em seu aniversário, nos presenteou com um artigo assinado conjuntamente com o professor Alcir Pécora para explicar e defender o árduo e tortuoso caminho para formação de um docente pesquisador em nosso país e sua atribulada carreira. Dentre as atribuições do professor universitário, faltou ainda a de comunicador da ciência, especialmente nestes dias sombrios de negacionismo que está ceifando muito mais vidas na pandemia. Infelizmente, a carreira acadêmica acaba por ser opção quase única, pois a indústria nacional não absorve esse profissional altamente qualificado, submetendo-se ao histórico papel de colônia das matrizes estrangeiras.

Restam, assim, as saudades do tempo em que o Brasil era um país no mundo. A recente entrevista com Celso Amorim à revista CartaCapital causa esse sentimento. O problema é que, mesmo com uma improvável mudança de rumos diplomáticos ou quebra do fiozinho de extrema-direita com vitória de Joe Biden nos Estados Unidos, a reconstrução das relações exteriores do Brasil seria um processo árduo e longo. Por fim, é interessante a análise feita pelo ex-chanceler, parecendo que capitalismo e socialismo ocupam estados quânticos que não admitem níveis intermediários. Uma boa analogia com a física de partículas subatômicas.

 

Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp

 

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