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TV Senado nas Sessões Do Parlamento Do Mercosul

02.07.2010
 
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ROMOLO: O número de horas de gravação é variável. Depende muito do que estiver acontecendo e se fazemos uma entrevista exclusiva. Creio que, em média, levamos de quatro a seis horas de gravação a cada viagem. É material bruto que depois de editado rende várias reportagens. Os temas dependem muito do que está na agenda do Parlamento. Mas também escolhemos assuntos que têm a ver com as diversas vertentes dos processos de integração regionais – Mercosul, CAN, Unasul. Normalmente a equipe é composta por um cinegrafista (Josenir Melo, Tony Brown ou Rogério Alves), um auxiliar (Wagner Augusto, João Gil, Diogo André) e um produtor (Sara Reis, Carla Caldas, Bruno de Castro). Na reportagem nos revezamos eu e o Chico Sant’Anna. Todos são da TV Senado. Também temos colegas da Agência Senado, o Marcos Magalhães e a Rita Nardelli, e da Rádio, onde os repórteres sempre se revezam.

P: Fora tudo quanto envolve o convívio com o Parlamento MERCOSUL. Acabam-se montando outras reportagens de interesse na área da Cultura?

ROMOLO: A integração pretendida pelos países do Mercosul não se restringe aos temas econômicos e sempre que aparece uma pauta interessante e temos disponibilidade vamos atrás. O programa Diplomacia tem todo um bloco dedicado à cultura, com colunas de literatura (com Maurício Melo), cinema (com César Mendes) e música (com Deraldo Goulart), além de artes plásticas. Existe uma decisão pela divulgação preferencial das artes dos países vizinhos, dos lusófonos e de todos aqueles que compartilham raízes com o Brasil. Mas acabamos produzindo muita coisa no Brasil, pois, como disse, o tempo disponível aqui é curto para tudo o que pretendemos e, portanto, devemos privilegiar o trabalho legislativo do Parlamento do Mercoul.

P: Falando em Cultura. Qual é o relacionamento com os Departamentos de Cultura das Embaixadas que integram o MERCOSUL?

ROMOLO: Os Departamentos de Cultura podem oferecer boas oportunidades para que os povos do Mercosul se conheçam melhor. Particularmente, acho que começam a haver algumas atividades culturais nesse sentido, mas ainda são muito tímidas. É preciso promover mais. Divulgar mais. Acho que ainda não nos relacionamos tanto quanto poderíamos. No Diplomacia, sempre que há ações por parte das embaixadas dos países do Mercosul, divulgamos.

P: Tem reportagens coordenadas com antecedência à saída do Brasil? Na pior hipótese, pode fazer reportagens aos parlamentares brasileiros voltando no Brasil tendo como alvo o que acabou de acontecer na Sessão do MERCOSUL?

ROMOLO: Algumas ideias já vêm alinhavadas do Brasil. Sempre busco saber as opiniões dos parlamentares do Mercosul a respeito de determinados temas a fim de compor reportagens especiais que vão ao ar no Diplomacia. Outras surgem no decorrer das sessões. Tudo depende do que estiver na agenda de discussão regional e internacional. Pode ser crise na América Central, relação dos países sulamericanos, crise internacional, acordo entre Mercosul e União Europeia, migração, etc. Isso, claro, sem deixar de lado as matérias aprovadas pelos parlamentares.

P: A reportagem marcante até agora? Ainda não houve socos nas Sessões como as vezes acontece nas Câmaras dos diferentes países? Porque? Trata-se de um ambiente bem mais descontraído?

ROMOLO: O ambiente do Parlamento do Mercosul é bastante cordial. Uma única vez houve protestos do Fórum de Advogados da Venezuela em plenário. Eles queriam ser ouvidos pela Comissão de Direitos Humanos, mas como a Venezuela ainda não é membro pleno, não houve possibilidade. Em geral, os parlamentares manifestam suas diferenças e tem havido uma busca pelo nem sempre tão fácil consenso. As culturas parlamentares de nossos países são diferentes e aos poucos nossos representantes começam a se conhecer e a se reconhecer. A língua também representa uma certa barreira que dificulta a aproximação. Agora começam a ser criados os blocos políticos e uma nova configuração do Parlasul pode surgir: menos nacionalista e mais ideológica. A definição da proporcionalidade pelo Conselho do Mercado Comum, que irá possibilitar as eleições diretas em todos os países, também deverá ser um grande passo para o Parlamento do Mercosul.

P: Como está integrado o Parlamento MERCOSUL? Como é o dia-a-dia com os parlamentares? Convívio bom?

ROMOLO: O Parlasul é composto por 18 parlamentares de cada um dos 04 países, com direito a voz e voto. A Venezuela também participa, mas sem direito a voto. O Paraguai é o único país até o momento que elegeu seus representantes pelo voto direto. Os demais foram indicados pelos parlamentos nacionais. Todos eles são políticos bastante reconhecidos em seus países e experimentados nos mais diversos temas. Obviamente, há propensões de parlamentares para temas específicos, como economia, direitos humanos, assuntos internacionais etc. O convívio é sempre cordial e profissional. Os parlamentares conhecem o trabalho de divulgação realizado pela TV Senado e sempre estão dispostos a contribuir para que o cidadão do Mercosul fique a par do processo de integração.

Correspondente PRAVDA.ru

Gustavo Espiñeira

Montevidéu – Uruguai

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