Não, estas não são promessas de campanha eleitoral de nenhum petista nem de qualquer candidato progressista brasileiro. Nem pertencem à cinebiogafia de Jair Bolsonaro bancada com dinheiro público, roubado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
No fórum Rumos do Brasil promovido pela revista Veja nesta segunda-feira (15), o pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro defendeu pilares do governo Lula, historicamente tanto quanto histericamente combatidos pelos bolsonaristas e direitistas em geral: o Bolsa Família, prometendo ampliá-lo, tanto quanto propôs atrativa fórmula de isenção do pagamento do Imposto de Renda aos trabalhadores de baixa renda. Além de ter se manifestado contrário à privatização da Petrobras.
Flávio, quem assiste a um naufrágio de sua campanha nas pesquisas de opinião pública, falou em ampliar o período em que beneficiários do Bolsa Família continuem recebendo o auxílio, depois de conseguir emprego formal ou abrir empresa própria. Argumentando que existe receio entre os beneficiários de perder a assistência ao ingressar no mercado formal de trabalho, o senador surpreendeu ao afirmar:
“Muita gente tem um preconceito com relação a quem está no Bolsa Família, como se não quisesse trabalhar. É um erro isso. Quase 70% das pessoas que recebem o Bolsa Família trabalham informalmente. E não vão para a formalidade porque têm medo de perder o benefício. A gente tem que entender que o Bolsa Família é estabilidade para quem já passou fome. A pessoa pensa o seguinte: ‘Se eu arrumar um trabalho de carteira assinada e eu perder o Bolsa Família, e se eu perder o meu trabalho, como é que eu vou ficar? Vou voltar para aquela época que eu passava fome, que eu tinha que pedir dinheiro no sinaal de trânsito?’.”
Diante disto, o presidenciável considera propor, sem apresentar detalhes de como promoveria este novo programa, “a criação de um programa para garantir que as pessoas permaneçam ganhando o Bolsa Família em caso de passarem para um emprego formal ou abrirem a sua própria empresa por um período mais longo”.
Atualmente, um beneficiário do Bolsa Família que consegue emprego com carteira assinada passa a receber 50 por cento dos valores que recebia anteriormente, por um período de dois anos. Regra válida desde que a renda por pessoa da família não ultrapasse meio salário mínimo.
Defendeu isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com vencimentos de até R$ 5 mil, da seguinte maneira:
¨Sou favorável, era uma promessa de campanha também do presidente Bolsonaro. A única diferença é que, com o Bolsonaro, certamente você teria uma compensação de abrir mão dessa receita, você teria de onde tirar sem precisar aumentar ou criar impostos. O atual governo faz o contrário, esfola o contribuinte brasileiro com elevadíssima carga tributária para poder cumprir essa promessa de campanha.”
Porém, ao enaltecer promessa de campanha de seu pai (jamais cumprida), o parlamentar tampouco especificou, neste caso, seu suposto programa: deixou de detalhar qual seria a fonte de compensação para a renúncia fiscal decorrente da isenção do Imposto de Renda, para quem ganha até R$ 5 mil.
No caso da Petrobras, antiga controvérsia entre espectros políticos opositores no País, o chamado filho 01 do ex-presidente Bolsonaro contrario a desestatização da estatal petroleira, que seria limitada a parcerias público-privadas ou com redução de ações da União através da venda de fatias minoritárias. Ressaltando que se posiciona contra a privatização da Petrobras como um todo.
Será este festival da hipocrisia mais descarada desespero, a fim de livrar o pai da ¨cana¨? Ausência de pensamento – sob eternos e alegres aplausos de sua plateia – e oportunismo apoiando-se na política com fins pessoais, têm tudo a ver com a história do movimento bolsonarista.
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