´Bolsomaster´e a Gargalhada de Flávio Bolsonaro

Desdém inicial com peculiar arrogância e cinismo negando vínculos com Vorcaro, é a marca metafórica mais adequada do que representa o bolsonarismo ao Brasil

Quem (não) diria que o clã Bolsonaro de falso moralismo rancoroso e indignação seletiva estava metido no herege heptágono de amor imoral armado pelo Banco Master, para afirmar-se como grande máfia do Paìs?

Não fossem os vazamentos de The Intercept, o herdeiro ¨antissistêmico¨ 01 do capitão-do-mato estaria até o presente momento e perpetuamente gargalhando, enquanto goza das benesses do poder canalha, nos bastidores da política mais imunda gozando da cara da sociedade

Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deu uma sonora gargalhada quando, no final da manhã do último dia 13 em Brasília, em entrevista coletiva o jornalista Thalys Alcântara do sítio The Intercept perguntou se alguma vez o senador e pré-candidato de extrema-direita à Presidência da República havia negociado com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, para a produção do filme Dark Horse (O Azarão),.

Abordando a biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, o longa-metragem está previsto para estrear às vésperas das eleições de outubro deste ano.

A República de Vorcaro

No âmbito da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF) que, inciada em 2024, investiga crimes cmetidos desde 2018 pelo Banco Master, Vorcaro está preso desde 17 de novembro do ano passado pelo que já representa o maior escândalo de corrupção bancária da história brasileira através de ampla formação de máfia com agentes do Estado, incluindo setores do alto empresariado.

Em seis meses de apuração que aponta conexões de Vorcaro com políticos, criminosos, servidores públicos de alto escalão, diretores do Banco Central e até agentes da própria PF, até 14 de maio a operação executou 21 prisões temporárias ou preventivas, 116 mandados de busca e apreensão, e bloqueios e sequestros de bens próximos a R$ 27,71 bilhões.

Mais recentemente, dois delegados da PF foram presos por terem recebido propinas do banqueiro em troca de informações sobre as investigações que, mais tarde, o levariam à cadeia.

Daniel Vorcaro é acusado de fraudes contra o sistema financeiro, cooptação de servidores públicos do Banco Central e de outras instituições, ocultação patrimonial, lavagem de dinheiro, pagamentos de propina a entes públicos e privados, intimidação, obstrução de justiça, além de crimes cibernéticos e espionagem.

Outros crimes estao sendo investigados, como cooptação de políticos de centro e de direita, e nexos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

´Mentira Comunista´

“De onde você tirou essa informação? É mentira”¨, respondeu Flávio, desdenhando de quem classificou, ali mesmo, de jornalista ¨militante¨. Enquanto abandonava, com aspecto indignado, a entrevista coletiva na capital federal.

Sugerindo, assim, tratar-se de ¨mais uma mentira comunista¨ contra ¨os supostos valores da democracia, liberdade, família, pátria, dos bons constumes e da religião¨, precariamente trombeteados pelo bolsonarismo como bandeira política..

Discurso já há vários anos automático dos bolsonaristas, especialmente quando se veem de alguma maneira encurralados. Em muitos casos aparentando seriamente envolver sintomas da mitomania, ou síndrome de pinóquio.

No início da tarde daquela mesma quarta-feira, tudo mudaria.

´Tua Piscina Está Cheia de Ratos´ (Cazuza)

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”

Poucas horas depois, Flávio Bolsonaro ver-se-ia encurralado pelas próprias mentiras. Logo reconhecidas por ele mesmo como tais – não sem, ao mesmo tempo, justificar-se por elas. Sempre ressaltando: as relações com Vorcaro foram estritamente ¨profissionais¨.

The Intercept revelou em seu sítio na Internet, algumas horas depois da pergunta de seu repórter ao pré-candidato presidencial, que o filho 01 de Jair Bolsonaro havia, sim, negociado diretamente com Daniel Vorcaro um compromisso de 24 milhõesde dólares, cerca de R$ 134 milhões à época, para financiar Dark Horse.

Cotado em valores muito acima do correspondente a filmes nacionais: pelo menos 10,6 milhões de dólares, cerca de R$ 61 milhões considerando a cotação nos períodos das transferências, foram efetivamente pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações bancárias. 

A reportagem afirma que não encontrou evidências de que Vorcaro tenha quitado os demais pagamentos previstos, para completar o compromisso total de 24 milhões do dólares.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”, escreveu por WhatsApp Flávio em 16 de novembro do ano passado. cobrando parte do dinheiro junto a Vorcaro para, alegadamente, quitar parcelas atrasadas da produção do filme.

“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, diz Flávio no áudio divulgado, datado de 16 de novembro de 2015.

Antes destas mensagens virem à tona Flávio Bolsonaro trombeteava, sem nunca apresentar nenhum indício que sustentasse suas alegações, ligação entre as fraudes bilionárias do Banco Master e o Partido dos Trabalhadores (PT) do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Eram também comuns, por parte de bolonaristas, postagens precariamente montadas produzindo notícias falsas em redes sociais, retratando aliança entre o PT, a organização criminosa Primeiro Comando da Capital e o Banco Master.

Hoje, o único fato concreto envolvendo isso tudo é que o principal representante da extrema-direita está, diretamente, envolvido com Daniel Vorcaro. E junto deste fato, os indícios de envolvimento, exatamente, do PCC. E agora?

Sintomático?

As revelações de The Intercept vem a público exatamente dois meses após o senador ter dito publicamente, que se arrependia por ter assinado requerimento para instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar, exatamente, o Banco Master. A alegacão de Flávio foi que a CPI havia sido criada para ¨para me sacanear”.

Dias antes, o mesmo pré-candidato presidencial havia manifestado objecao, com alegações bastante confusas bem distantes da pontualidade e claramente irritado, em se incluir os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli na CPI.

Exatamente em novembro de 2025, época das conversas por celular entre Flávio e Vorcaro reveladas agora por The Intercept, o senador recusou-se a assinar o primeiro pedido de investigação ao Banco master apresentado no Senado. Protocolado por Eduardo Girão (Novo-CE), o requerimento contou com o apoio de outros 53 senadores.

Pânico no Partido

Naquele mesmo dia, houve em Brasília reunião de emergência entre os líderes da pré-campanha presidencial de Flávio, ¨uma tarde de caos, silêncio e improviso na cúpula do PL¨, segundo reportagem de O Globo.

Logo no início do encontro, cujo ambiente foi descrito como “péssimo”, “muito tenso” e “completamente desorganizado” onde ¨ninguém sabia o que fazer¨, Flávio afirmou aos presentes que havia ´risco zero´ de novos vazamentos e sustentou que aquele teria sido o único contato com o banqueiro relacionado ao filme, numa tentativa de acalmar a equipe¨, relatou o jornl carioca.

Segundo relatos de pessoas próximas à pré-campanha ouvidas pelo mesmo O Globo, aliados haviam questionado diretamente Flávio sobre eventual proximidade com o dono do Banco Master, antes mesmo de o senador ser lançado como pré-candidato ao Palácio do Planalto.

Ouviram dele que não havia relação relevante entre ambos, enquanto auxiliares do senador tentavam conter o clima de pânico no partido.

Hoje, paira grande desconfiança a Flávio por parte de seus correligionários. Enquanto alguns deles, céticos com as possibilidades de vitória eleitoral diante deste escândalo, chegam a defender reservadamente outro nome para a candidatura presidencial.

Michele Bolsonaro, esposa do ex-presidente, tem sido a mais cotada enquanto a embarcação de Flávio dá sinais de naufrágio.

Ratos Agarrados ao Navio

Por outro lado, a maioria dos políticos de direita continua, pelo que se sabe publicamente, apoiando Flávio. Como é o caso dos deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG). No Senado, um dos membros que defendem o pré-candidato é Sergio Moro (PL-PR).

O ex-deputado federal (fevereiro a junho de 2023) e ex-procurador da República em Curitiba (2003-2021), Deltan Dallagnol (NOVO-PR), cassado do mandato parlamentar acusado de fraude à Lei de Ficha Limpa, igualmente defendeu publicamente o pré-candidato bolsonarista nos últimos dias.

Como era de se esperar, o milionário ¨apóstolo político¨ de péssimo gosto Silas Malafaia, dono de habilidade ímpar para enfiar a cruz de Cristo no bucho alheio, também apareceu publicamente defendendo Flávio Bolsonaro com a verborragia vazia que lhe é peculiar.

Já contradizendo-se ¨gritantemente¨ (termo bem original a Malafaia) em relação à pesada régua do julgamento que se utiliza do mais intenso rigor bíblico, através da peculiar metodologia de se aplicar metade ou um terço de versos sagrados e misturar tudo, quando se trata de seus inimigos políticos e desafetos religiosos.

Após atirar para todos os lados em vídeo do YouTube apresentado como defesa de Flávio Bolsonaro, no caso deste aifirmou que não faria ¨juízo de valor¨ o ¨assembleiano¨, a quem a direita brasileira pede as bênçãos. ¨Não vou julgar o Flávio¨, decidiu Malafaia, para questionar aos berros ¨quem permitiu o vazamento dessas conversas?¨.

Ou seja, ¨o profeta desta Nação¨ como Malafaia declara-se publicamente, apenas desconversou. Fica até melhor assim. O que sempre preocupa, é a criminalização da atividade jornalística por parte da direita brasileira. Especialmente quando, desesperado, este setor se vê atolado em suas essenciais contradições, e suas traquinagens morais tornam-se públicas.

Pois debatendo-se desesperadamente sobre o navio agora, nada mais significa que naufragará com ele no futuro próximo.

Logo após as primeiras revelações de The Intercept, questionado pelo sírio Metrópoles se se manifestaria sobre o vazamento das conversas de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, o líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo respondeu: “Vou aguardar a fala dele [Flávio] e me posicionar. Não sou omisso nem covarde, você pode ter certeza”.

Aperitivo para a entrada em cena de mais um quadro do Grande Picadeiro Democrático brasileiro. Estrelando Flávio Bolsonaro e seu irmão, Eduardo, a seguir.

Patético Festival de Inconsistências e Contradições

Após seis meses negando veementemente ter tido alguma vez qualquer tipo de contato com Vorcaro enquanto sistematicmente acusava, sem nenhum fundamento, o PT por vínculos com o Banco Master, no mesmo dia em queThe Intercept revelou os negócios de Flávio Bolsonaro com o banqueiro mafioso o senador fluminense justificou-se por ter mentido publicamente, inclusive naquele mesmo dia, ao repórter ¨militante político-partidário¨.

“Tinha um contrato de confidencialidade. Se eu dissesse que tinha relação com ele [Vorcaro], a pergunta seguinte seria: ‘qual sua relação?’ A única conexão que eu tinha com esse senhor era profissional¨, afirmou o herdeiro do clã bolsonarista.

E acrescentou, sem ruborizar:

¨Não tem absolutamente nada de errado. Não tenho que justificar nada para ninguém. Foi uma época lá atrás que eu busquei um investidor, quando Vorcaro circulava por todas as rodas, patrocinava eventos de várias emissoras de televisão, circulava entre autoridades. Era uma pessoa até cortejada em todo o Brasil. Foi nessa época que ele topou fazer um investimento privado num filme privado. Não tem nada além disso.”

A alegação de que seria ilegal revelar o financiador da cinebiografia é insustentável, pois o contrato não está mais vigente.

Pouco depois, claramente tentando blindar-se antecipadamente do que ainda poderia ser vazardo adiante, já confirmando que são fortes seus vínculos com o megacriminoso Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro advertiu:

“Pode vazar [sic] novas conversas, pode vazar um videozinho mostrando o estúdio que eu posso ter enviado, algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo exclusivamente para tratar somente do filme. Então, não tem nada a esconder. Então, não vai ter surpresinha”, afirmou o senador, quem se recusa a apresentar, de uma vez, o fato integralmente. Suas declaracoes dao-se, como a de outros envolvidos nos vazamentos, ¨a conta gotas¨: por quê?

Já sem nenhuma fúria anticorrupção como historicamente utilizada nos discrusos para atacar oponentes políticos e jornalistas (os quais, historicamente, também são considerados inimigos dos bolsonaristas), o filho 01 do ex-presidente Bolsonaro respondeu a jornalistas que não considera o aporte de Vorcaro à produção cinematográfica um tema sensível.

“Sensível por quê? Foram investimentos privados. Você comprou um carro, tem que falar para todo mundo? Você investiu um rendimento no seu banco tem que falar para todo mundo?”, declarou.

Também naquele dia, Eduardo Bolsonaro havia declarado em suas redes sociais: “não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem”.

O deputado federal e ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, Mario Frias (PL-SP), roteirista e produtor-executivo da obra, afirmou no mesmo dia 13 que não havia ¨um único centavo de Daniel Vorcaro no filme¨.

A produtora GOUP Entertainment, responsável por Dark Horse, também negou ter recebido “um único centavo” de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele. Aumentando as suspeitas contra o clã Bolsonaro: qual foi o destino do dinheiro ofertado pelo banqueiro criminoso?

No dia seguinte, através de novas revelacoes the The Intercept, tudo voltaria a mudar. E como uma mentira apenas se sustenta com outra mentira…

Contradizendo todos os lados, e para a desgraca do falso-moralista tido pela direita brasileira como
¨voz oficial de Deus entre os homens¨, The Intercept vazou novas conversas no dia seguinte (14). Revelando que, através da Entre Investimentos, Vorcaro repassou R$ 61 milhões ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, EUA, controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Documentos societários apontam que o escritório de Paulo Calixto, advogado de Eduardo, é representante legal do fundo. E registram também a presença do corretor de imóveis Altieris Santana na co-administração do negócio em solo norte-americano.

Em fevereiro de 2025, o pastor evangélico Fabiano  Zettel encaminhou a Vorcaro o comprovante de uma transferência internacional de 2 milhões de dólares para o Havengate, tendo a Entre Investimentos como remetente. Preso na terceira fase da Operação Compliance Zero em março deste ano, Zettel, cunhado de Vorcaro, tem sido apontado pela PF como operador financeiro do banqueiro.

Um dos pontos que chama a atenção nessas revelações, diz respeito às dificuldades para realização das remessas internacionais. Maior doador entre pessoas físicas às campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas (Republicanos), para presidente e governador paulista, respectivamente, totalizndo R$ 5 milhões, Zettel relatou, segundo as mensagens vazadas no dia 13, recusas do setor de câmbio do Banco Master. E afirmou que havia “informações cadastrais meio estranhas”.

Vorcaro então orientou que o pagamento fosse feito “via Entre”, em referência à Entre Investimentos e Participações. O detalhe é relevante porque indica que a operação do filme não passava apenas por uma relação direta entre banqueiro e produtores, mas por empresas e intermediários que foram depois associados às investigações do Banco Master.

¨Os registros contradizem afirmações feitas por Eduardo Bolsonaro em uma publicação no Instagram na quinta-feira, 14, sobre sua relação com o filme e colocam o deputado federal cassado como uma peça-chave com poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre o filme que conta a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro¨, revelou o sítio. Eduardo era co-produtor do filme, e controlava o dinheiro.

¨Embora ele diga não ser ´dono do filme´, o contrato – datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024 – designa explicitamente Eduardo e Frias como tendo poder de gestão e decisão sobre a produção, juntamente da GoUp Entertainment¨, reportou The Intercept.

No que foi se tornando rapidamente um crescente espetáculo de contradições, imparável até esta data, menos de 24 horas depois da reportagem acima mencionada, o filho 03 do ex-presidente Bolsonaro mudou a versão, admitindo ser produtor-executivo do filme: assinou contrato com poderes de gestão financeira sobre a obra, além de ter aplicado R$ 350 mil na produção, reconheceu Eduardo Bolsonaro. Poderes que já cessaram, segundo ele.

O valor aplicado por Eduardo seria proveniente da receita obtida com a venda de um curso. Posteriormente, segundo o ex-deputado federal, recebeu de volta a quantia sem especificar como e quem pagou a restituição dos valores inicialmente destinados ao projeto.

“Próximo ao final do contrato, e diante da possibilidade de perder o diretor, surgiu a oportunidade de atrair um grande investidor, que posteriormente se consolidou em um grupo de investidores”, postou o deputado federal cassado nas redes sociais.

Frias recuou da declaração inicial, feita no dia anterior, e explicou após os novos vazamentos jornalísticos que o relacionamento jurídico do projeto era feito com a empresa Entre Investimentos, parceira de negócios ligada ao banqueiro, e não diretamente com o Banco Master.

Segundo ele, a divergência estaria apenas na interpretação sobre quem aparecia formalmente nos contratos do financiamento.

Pois onde está o contrato da cinebiografia? Por que não é apresentado publicamente, de uma vez?

As cobranças de Flávio junto a Vorcaro deram às vésperas da prisão do banqueiro – a última delas, um dia antes da prisão. Tais conversas nao foram restriras a um único período, cuja ideia tenta transmitir agora o senador pelo Rio de Janeiro. Nem seus contatos com o banqueiro criminoso se restringiram a negócios: o conteúdo das mensagens trocadas entre ambos evidencia, de maneira inconteste, laços de ¨irmandade¨.

O tratamento íntimo entre ambos, com promessa bolsonarista, revela Flávio Bolsonaro mencionando tempos difíceis ao banqueito, garantindo a ele fidelidade eterna conforme mostram as mensagens por celular vazadas nos últimos dias.

O dinheiro de Vorcaro não era privado como diz Flávio, o que já se sabia quando o senador cobrou-o: era público, advindo de megacorrupção colocada em prática por grupo literalmente mafioso às custas do Estado, liderado pelo dono do Banco Master.

Pois as inconsistências e contradições que direcionam toda este obscurantismo a um ponto bem claro, não param aqui.

Sediada na Flórida, a GoUp Entertainment tem como sócios a brasileira Karina Ferreira da Gama e um brasileiro naturalizado americano, Michael Brian Davis.

No dia 17, o sítio Metrópoles reportou que deputados da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) determinaram repasses de R$ 700 mil dos cofres públicos para empresas geridas por Karina Ferreira da Gama Deste valor, R$ 300 mil foram efetivamente pagos, conforme dados do Portal da Transparência.

Segundo a reportagem, em 2023 a deputada Valéria Bolsonaro (PL), ex-secretária estadual de Políticas para a Mulher, enviou R$ 100 mil para o instituto com a finalidade de “aquisição de equipamentos”. Dois anos depois, outros dois deputados bolsonaristas optaram, ao menos inicialmente, por repasses a empresas ligadas a Karina.

Lucas Bove (PL) indicou R$ 213 mil para o mesmo CNPJ, desta vez para um projeto esportivo. A emenda, contudo, foi “impedida tecnicamente” e acabou não sendo executada. E Gil Diniz (PL), conhecido pela alcunha de “Carteiro Reaça” e próximo de Eduardo Bolsonaro, destinou R$ 200 mil para a Associação Nacional de Cultura, sob a justificativa de bancar a produção da série documental “Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rende”. O valor foi pago em agosto de 2025. 

Mário Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro. Ele enviou R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil através de duas emendas: uma delas era destinada à capacitação de adultos e adolescentes em “letramento digital” para o ensino digital a alunos de 4º e 5º anos de escolas públicas municipais, e a outra para implementação do projeto de artes marciais “Lutando pela Vida” em São Paulo.

Reportagem do site UOL apurou ainda que Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP) enviaram R$ 1 milhão cada para o governo de São Paulo, através de transferências especiais, mecanismo que ficou conhecido como “emendas Pix” e não permite verificar o destino final sem fazer um cruzamento complexo de dados.

Através de representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), o ministro Flávio Dino do STF determinou a abertura de apuração preliminar sigilosa sobre repasses das emendas parlamentares paulistas para entidades ligadas à GOUP Entertainment.

O foco das investigaçõees é um possível descumprimento de decisão anterior da Corte, que havia determinado transparência e rastreabilidade às “emendas Pix” dos parlamentares.

A apuração alcança ainda as emendas relacionadas ao deputado Mário Frias.

Mais Dúvidas que Respostas

Em pouco tempo, as declarações de Flávio e seu irmão Eduardo Bolsonaro geram mais dúvidas que respostas envolvendo uma negociação que envolveu figuras centrais do bolsonarismo. E em um contexto mais amplo, trazendo fortes suspeitas de vínculo com outras atividades, já comprovadamente ilícitas em determinados casos, e ainda investigadas em outros.

A Polícia Federal está investigando se o dinheiro de Vorcaro para Dark Horse custeou despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O orçamento estimado para Dark Horse também levanta dúvidas sobre a natureza da operação. Um compromisso de R$ 134 milhões para um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro é um valor muito acima do padrão de grandes produções nacionais recentes, inclusive obras premiadas e internacionalmente reconhecidas.

Em comparação, o longa-metragem teria orçamento cerca de 4,5 vezes superior a Ainda Estou Aqui (cerca de R$ 30 milhões) e mais de 5 vezes maior que O Agente Secreto (aproximadamente R$ 25 milhões), evidenciando o tamanho da desproporção.

O próprio destino do dinheiro doado por Vorcaro ainda envolve um grande mistério, cujo principal indício é que tenha sustentado a permanencia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde conspirou contra o Brasil (pelo que é processado agora, pela própria Justiça brasileira).

Se a produtora afirma oficialmente que não recebeu recursos de Vorcaro para o filme, por que Flávio pediu as parcelas? Por que os recursos foram parar no escritório de Eduardo Bolsonaro, o filho “03″ radicado nos EUA?

A rede descrita pela reportagem mostra que o financiamento do filme estava longe de um apoio isolado, e fazia parte de uma operação política e financeira que articulou parlamentares, operadores privados, empresas ligadas ao “ecossistema do Banco Master” e estruturas no país Estados Unidos (EUA)

A primeira aproximação registrada ocorreu em dezembro de 2024, quando Thiago Miranda organizou um encontro entre Flávio e Daniel Vorcaro em Brasília. Em mensagem enviada ao banqueiro, Miranda afirmou que o senador queria tratar do “filme do presidente e do SBT $$”, acrescentando que “Flávio está ciente de tudo”.

As investigações sobre o Banco Marter tornaram-se públicas entre agosto e setembro de 2025. Pois em setembro daquele mesmo ano, Flávio passou a cobrar de Vorcaro pelas parcelas restantes.

Em áudio, Flávio afirmou: “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, referindo-se ao ator escalado para interpretar o “capitão-do-mato” Jair Bolsonaro e ao diretor Cyrus Nowrasteh.

O senador afirmou que a produção estava “na reta final” e que não poderia “vacilar” nem deixar de honrar compromissos, sob pena de perder contratos, elenco, direção e equipe. Vorcaro pediu desculpas, disse que vinha de “uma semana difícil” e prometeu resolver a situação até o dia seguinte. Na mesma noite, os dois falaram por telefone por cerca de dois minutos e meio.

Em outubro, Flávio convidou Vorcaro para jantar em São Paulo com Jim Caviezel e Cyrus Nowrasteh. O banqueiro sugeriu realizar o encontro em sua própria casa. Em 7 de novembro, após enviar a Vorcaro um vídeo de visualização única, Flávio escreveu: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. Vorcaro respondeu: “Que demais” e, em seguida: “Ficou perfeito”.

Foi quando Vorcaro demonstrou preocupação com atrasos nos pagamentos, tratou o filme como prioridade e escreveu: “Não pode falhar mais”.

O lançamento anunciado para 11 de setembro de 2026, às vésperas da eleição presidencial, reforça o caráter político-eleitoreiro da produção. Com dinheiro público, tendo em vista os bilhões de reais que o banqueiro afanou dos cofres do Estado. Terá, então, o senador Flávio Bolsonaro colocado o cargo público em favor de interesses particulares, através do contrato com Vorcaro?

Com os antecedentes de Vorcaro: contrato atipicamente milionário com a esposa advodada de Alexandre de Moraes, e com Ciro Nogueira. Para nem se estender nos próprios antecedentes nada ilibados de Flávio Bolsonaro – ¨rachadinhas¨, servidores funcionários ¨fantsmas¨ em seu gabinete, ele mesmo um funcionário fantasma no início da carreira política, parceria com milícias, entre outros – , e no fato de que o escandalo do Banco Master ocorreu duante a presidente de Jair Bolsonaro

Por que um senador da República e pré-candidato à Presidência, pediu a um banqueiro investigado pela PF uma quantia milionária para financiar um filme sobre seu pai, também figura central da campanha de 2026?

Nexos com o PCC?

Daniel Vorcaro também é investigado por suposta ligação com o PCC.

Em um dos casos suspeitos, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) acusou o dono do Banco Master de envolver o Atlético-MG em um esquema de lavagem de dinheiro da organização criminosa, cujo caminho do dinheiro usado pelo banqueiro é semelhante ao investigado na Operação Carbono Oculto.

Esta operação que investiga, entre outros posíveis crimes entre agentes estatais e particulares, lavagem de dinheiro do PCC, realizou na semana passada busca e apreensão contra Cláudio Castro, ex-governador do Rio. grande aliado do cla Bolsonaro.

Em dezembro, o Banco Central identificou indícios de fraudes do Banco Master em transações com fundo investigado por ligação com PCC. Nos esclarecimentos que apresentou ao Tribunal de Contas da União, o Banco Central relatou indícios de crimes do Banco Master com uma gestora do setor financeiro.

Neste mes, a PF intensificou esta investigacao dentro da Operacao Compliance Zero. Daniel Vorcaro é também investigado por utilizar uma rede de fundos de investimento e empresas para dificultar o rastreamento do dinheiro que operava entre diferentes fundos administrados pela Reag Investimentos, gestora responsável por negociar ativos ligados ao Banco Master em uma “ciranda financeira”.

O objetivo seria esconder prejuízos, movimentar recursos entre empresas do grupo e criar uma falsa percepção de rentabilidade. A lavagem de dinheiro, que busca legitimar recursos de origem ilegal, envolvia a passagem de valores suspeitos por diversas empresas e fundos para dificultar a identificação de sua origem.

Há suspeitas de que transações tenham sido feitas com o objetivo de desviar dinheiro do conglomerado Master, indo parar nas contas da organizacao crimonisa paulista. Segundo os investigadores, fundos administrados pela Reag – que não estavam disponíveis a qualquer cotista – eram abastecidos com dinheiro ilegal.

A PF investiga ainda possíveis ligações entre a estrutura financeira do Banco Master e a Operação Carbono Oculto. Também nestecso, o mesmo mecanismo financeiro usado para inflar resultados do Banco Master teria aparecido em operações ligadas a empresas suspeitas de conexão com a facção criminosa paulista.

Político ´Antissistêmico´

Tanto quanto Flávio Bolsomaro, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Ciro Nogueira sempre negaram relações com o banqueiro, todos encontram-se em situação complicada agora. O que também reforça outra questão, inevitável: patrocinando o filme da biografia de Jair Bolsonaro, Daniel Vorcaro almejava mesmo apenas lucro além de altruísmo, a quem considerava ¨irmao¨? Ou formando ampla teia criminosa, buscava garantir-se de todos os lados blindando sua organização mafiosa?

Considerando os personagens acima mencionados que formam um heptágono imoral armado por Vorcaro (Banco Master, bolsonaristas, STF, PF, entes privados, e muito provavelmente hexágono do amor bandido devido a fortes indícios de que o PCC esteja diretamente envolvido com Vorcaro) a fim de se sustentar corruptamente, parte do círculo do banqueiro agora preso com destaque aos pagamentos mensais para a esposa de Moraes, incrivelmente acima do mercado que, negociação também outrossim mal explicada, coincidem com os 130 milhões para o filme de Bolsonaro, a conclusão é uma só: os ¨investimentos¨ do banqueiro não poderiam ter sido mais sistematicamente seletivos.

Por que não desfez, já tornando-o público com a real indignação de um político que combate a corrupção, quando tornaram-se incontestavelmente públicos os crimes de Vorcaro contra o erário – exatamente o que levou o senador a sempre negrou qualquer contato com o banqueiro?

A propalada indignação contra a corrupção da direita bolsonarista é mesmo seletiva, farsa utilizada como arma eleitoreira?

Quanto mais se reflete sobre este caso envolvendo o contrato de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, em seu contexto mais amplo considerando o Banco Master, mais dúvidas perturbadoras surgem. Uma certeza é que o modus operandi de todos os lados, desde a atuação pelo que até agora se sabe até as tentativas de eximir-se de culpa, dos bolsonaristas ao STF, é idêntico.

Nada vai além de negócios particulares, pelos quais um grupo de ¨vítimas¨ (¨ataques contra o STF¨ e ¨ataques contra os antissistêmicos bolsonaristas¨) não se deve explicações. As quais apenas vem a público quando não há mais como não tocar no assunto – a conta gotas, e cheias de contradições tentando remediar a anterior: e justificar-se por novas revelações que acabam tornando-se públicas.

Pois o ¨antissistêmico¨ Flávio Bolsonaro que agora se justifica como um bom filho que, nos contatos com Vorcaro, tão-somente buscava recursos para publicar a cinebiografia do pai, sugeriu no ano passado que um próximo presidente bolsonarista poderia ter que usar a força para garantir uma anistia ou um indulto a Jair Bolsonaro, caso o STF considere a medida inconstitucional.

“É uma hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade e de uso da força. A gente está falando da possibilidade de interferência direta entre os Poderes. Tudo que ninguém quer. E eu não estou falando aqui, pelo amor de Deus, no tom de ameaça.

¨Estou fazendo uma análise de cenário. É algo real que pode acontecer”, disse ao jornal Folha de S.Paulo em junho de 2025 o senador Flávio Bolsonaro.

Alguma semelhança com a Alemanha dos anos de 1930? Alguém é capaz de ainda dar crédito a um político desta natureza? Pela democracia, liberdade, valores da família, dos bons costumes e de Deus?

Flávio Bolsonaro pediu em outubro que os Estados Unidos bombardassem sumariamente navios na costa brasileira, repetindo o que fez contra embarcações supostamente ligadas ao tráfico de drogas na Venezuela. Matar primeiro, sem o devido processo em países onde inexiste a pena de morte, para depois verificar quem se assassinou. Ou na maioria dos casos, nem verificar.

A causa não era raivosamente berrada em favor democracia e liberdade, contra atos autoritários além da defesa dos valores da religião, contra aspectos como a própria pena de morte?

Pois o auto-proclamado antissistêmico Jair Bolsonaro ja colocou na política seis membros da família. Quatro deles, seus filhos. Mais a esposa.

Gargalhada: Marca Metafórica do Projeto Político Bolsonarista

Sempre foi evidente, a não ser para um fanático bolsonarista, que as intenções do clã Bolsonaro, bem distante dos valores da família, dos bons costumes, da pátria e da religião. são na mais descarada realidade manter as perversas relações de poder no Brasil, com seu particular objetivo de intensificar o apoderamento familiar da política brasileira.

Não se precisaria, para qualquer mentalidade razoável, das atuais revelações envolvendo o ¨Bolsomaster¨ para se ter consciência de que o ¨projeto de Brasil¨ bolsonarista é, na verdade, um projeto familiar desde que Jair Bolsonaro, expuslo das Forcas Armadas por tentar explodir as dependências do Exército, entrou na política no final dos anos de 1990, elegendo-se deputado estadual pelo Rio de Janeiro.

Exatamente por isso Flávio foi escolhido a dedo por seu pai, o que contraria totalmente os princípios democráticos. Praticando o que os bolsonaristas condenam histericamente – muitas vezes baseados em mentiras – no outro. Indignacão seletiva, algo também explicado pelos psiquiatras, marca registrada deste obscuro movimento brasileiro.

Visando o retorno do projeto de implementacão de uma oligarquia profundamente corrupta no Brasil, com caráter abertamente nazifascista.

Se na tarde do último dia 13 os vazamentos de The Intercept contradisseram rotundamente o político de extrema-direita pela manhã, já serviram como ilustração do que representa este setor ao País, os fatos acima revelam que a gargalhada que Flávio teve de engolir a seco momentos momentos depois – sem demosntrar nenhum constrangimento – é, sem dúvidas, a marca metafórica mais adequada do movimento bolsonarista.

Não fossem os vazamentos de The Intercept pelos quais agora o ¨apóstolo político¨ dos idiotas soca a mesa histericamente extravasando nada democrática nem libertária aversão a jornalistas (em nome de Deus), e o herdeiro ¨antissistêmico¨ 01 do capitão-do-mato que faz apologia aberta de tortura e assassinato de quem pensa diferente dele, estaria até o presente momento e perpetuamente gargalhando, enquanto goza das benesses do poder canalha, nos bastidores da política mais imunda gozando da cara da sociedade.

Como o próprio Flávio Bolsonaro previu dias atrás, e este autor tem garantido publicamente há tempos, o atual picadeiro democrático está apenas começando.

Muito ainda tem por vir até a ¨festa da democracia¨ de outubro, neste diário espetáculo macabro em que o curto dinheiro do povo é sempre maior vítima. E eles não param de dar gargalhadas – públicas e até travestidas de ¨antissistemicas¨. Quem ainda acredita? Certamente, os idiotas de extrema-direita.
 

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Author`s name Edu Montesanti