Falsa Polarização: Eleições Presidenciais Não Estão Fechadas entre Lula e Flávio

Único antissistêmico entre ambos é o jornalista que apanha dos dois lados, neste velho picadeiro democrático incapaz de apresentar uma terceira via 

Ao contrário do que enche os meios de comunicação e preenche o imaginário coletivo brasileiro, as eleições presidenciais não estão fechadas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Bem longe disso.

São estes dois candidatos, exatamente, os mais rejeitados entre os eleitores. E esta rejeição apenas aumenta com o passar do tempo. Tanto quanto era o ex-presidente Jair Bolsonaro no pleito de 2022 perdido para o petista e o próprio Lula, que venceu por ter sido menos rejeitado pelos eleitores.

Há dois dados fundamentais envolvendo as pesquisas, aos quais os meios de comunicação não estão dando a devida publicidade, e podem perfeitamente modificar este cenário aparentemente polarizado entre o petista e o bolsonarista.

´Festa da Democracia´

Segundo pesquisa Genial/Quaest desta semana sobre rejeição, 55 por cento dos eleitores afirmam não votar no atual presidente de jeito nenhum, enquanto 52 por cento do eleitorado afirma não votar no senador fluminense em nenhuma hipótese.

Os outros três candidatos que aparecem com intenção de voto após Lula e Flávio para o primeiro turno, Ronaldo Caiado (PSD.GO) e Romeu Zema (Novo-MG), são rejeitados por 32 e 31 por cento dos eleitores, respectivamente.

Repete-se um pleito em que o eleitorado deverá decidir, de novo, quem é pior para o Brasil na ¨festa da democracia¨ de outubro deste ano. Ao menos por enquanto, considerando que ambos os candidatos estão bem à frente dos demais nas pesquisas, considerando preferências de voto para o primeiro turno.

Este é um aspecto sem muita importância na mídia. De novo. Enquanto o petista e o bolsonarista alimentam a tal ¨polarização política¨ entre ambos.

Disputa Aberta

Se Caiado e Zema estão bem atrás dos dois primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno, com 6 por cento e 3 por cento, respectivamente, por outro lado, na pesquisa espontânea 62 por cento dos eleitores declararam-se indecisos.

Este é outro fator que pode ser decisivo nas próximas eleições presidenciais brasileiras, sem o mínimo de atenção midiática.

Pois considerando que, a seis meses das eleições cuja campanha ainda não se iniciou, os índices de rejeição destes dois canditados equivalem à quase metade da (crescente) rejeição aos dois primeiros colocados na pesquisa estimulada para o primeiro turno, em que Lula tem 37 por cento para Lula diante de 32 ao filho de Jair Bolsonaro, não surpeenderia se o potencial de votos a Caiado e Zema crescesse na campanha, a ponto de chegar a pelo menos uma segiunda posição na eleicao do primeiro turno.

Valendo, outrossim, apontar que, fora das eleições, particularmente sobre o desempenho do governo petista tanto quanto em relação ao desempenho pessoal de Lula à frente do governo, a situação está crítica em termos de opinião pública.

Segundo pesquisa eleitoral da Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgada no último dia 14, 37,2 por cento dos brasileiros desaprovam o governo Lula, enquanto 32,1 por cento dos eleitores avaliam-no positivamente.

Já no quesito envolvendo performance pessoal, o petista é aprovado por 48 por cento do eleitorado e desaprovado por 49 por cento.

Duas Faces de uma mesma Moeda

Como tem insistido ao longo dos anos este comunicador, a polarização entre Lula e o clã Bolsonaro é artificial.

Criada pela grande mídia com o fim de manter o status quo, vetando desde o subconsciente social uma alternativa de País. Democracia participativa, única alternativa capaz de proporcional justiça social em contraposição aos privilégios, possíveis pelas nefastas relações de poder que marcam o sistema perversamente vigente no Brasil, eufemisticamente denominado ¨democracia representativa¨.

Retroalimentada por eles mesmos, que esperneiam proclamando-se irracionalmente ¨antissistêmicos¨: Lula e os Bolsonaro, políticos medíocres sem projetos minimamente claros, objetivos e sólidos. Com exceção do petista que, algumas vezes, esboça algo mais pertinentemente concreto para, logo, contradizer-se em ditos e feitos.

Os ministros do SFT e o procurador-geral da República que se safaram, dias atrás, de ser indiciados na CPI por crimes de responsabilidade, certamente têm muito a agradecer um desses lados ¨antagonistas´..

E por incrível que possa parecer, tornando nossa ¨festa da democracia¨ ainda mais ¨animada¨, esta moeda útil aos dignñissimos ministros e procurador-geral não tem o rosto bolsonarista. Mas a face do ¨salvador¨ da “democracia” brasileira.

Cujo (precário) mote armado por seu marketing político na campanha presidencial de 2022 foi ¨picanha e cerveja na mesa de todos os brasileiros¨.

Pois hoje a democracia brasileira continua “balançando” seriamente, e mal a tal picanha com cerveja o brasileiro tem na mesa.

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Author`s name Edu Montesanti